A compreensão e interpretação de textos é um dos assuntos mais importantes de Língua Portuguesa em concursos fiscais. Em provas da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, esse tema aparece com muita frequência porque a banca quer avaliar se o candidato consegue entender exatamente o que o texto diz, perceber o que está implícito, identificar a intenção do autor e julgar alternativas sem extrapolar o conteúdo apresentado.
Em português para concursos, interpretar texto não é “achar bonito”, “dar opinião” ou “imaginar o que poderia ser”. Interpretar é localizar, relacionar, inferir e concluir com base nas pistas do próprio texto. O candidato precisa aprender a separar aquilo que está literalmente escrito daquilo que pode ser deduzido com segurança.
Compreensão global é a capacidade de entender o texto como um todo. É perceber o assunto geral, a finalidade, o tom, a posição do autor e a organização das ideias.
Em concursos, a banca pode perguntar qual é o sentido geral do texto, qual alternativa resume melhor o conteúdo ou qual afirmação está de acordo com a mensagem principal.
O erro mais comum é o candidato se prender a uma frase isolada e perder o sentido do conjunto. Para compreender globalmente, é preciso observar o início, o desenvolvimento e a conclusão. Muitas vezes, uma frase só ganha sentido quando comparada com o parágrafo anterior ou posterior.
Em provas fiscais, isso é muito importante porque os textos costumam tratar de temas como cidadania, administração pública, economia, tecnologia, sociedade, tributação, educação fiscal, desigualdade, inovação e políticas públicas. A banca espera que o candidato compreenda o posicionamento do texto sem distorcer a mensagem.
O tema é o assunto tratado. A tese é a opinião principal defendida pelo autor. A ideia central é a informação mais importante do texto ou do parágrafo. As ideias secundárias são explicações, exemplos, justificativas, comparações ou dados que sustentam a ideia principal.
Por exemplo, se um texto fala sobre “educação fiscal”, esse pode ser o tema. Se o autor defende que “a educação fiscal fortalece a cidadania”, essa é a tese. As ideias secundárias podem explicar que o cidadão passa a compreender melhor os tributos, fiscalizar o uso do dinheiro público e participar da vida democrática.
Nas provas, a banca costuma misturar tema com tese. Tema é mais neutro. Tese envolve posicionamento. Se a alternativa disser apenas “o texto trata da educação fiscal”, isso aponta para o tema. Se disser “o texto defende que a educação fiscal é essencial para a cidadania”, isso aponta para a tese.
Esse ponto é muito cobrado por Cebraspe, FGV, FCC e Vunesp. A banca pode pedir a ideia principal de um parágrafo, a finalidade de um argumento ou a função de uma informação dentro do texto.
Informações explícitas são aquelas que aparecem diretamente no texto. O candidato não precisa deduzir. Precisa apenas localizar e compreender corretamente.
Quando a questão pergunta “de acordo com o texto”, “segundo o autor” ou “conforme o texto”, muitas vezes está cobrando informação explícita.
O cuidado principal é não trocar palavras por outras que mudam o sentido. A banca pode usar sinônimos, paráfrases ou reescritas. A alternativa correta nem sempre repete as mesmas palavras do texto, mas mantém a mesma ideia.
Por exemplo, se o texto afirma que “a fiscalização tributária depende cada vez mais de tecnologia”, a alternativa pode dizer que “o uso de recursos tecnológicos tornou-se relevante para a atuação fiscal”. A ideia é a mesma, ainda que as palavras sejam diferentes.
O erro clássico é marcar uma alternativa verdadeira no mundo real, mas que não está no texto. Em interpretação, a verdade da alternativa deve ser medida pelo texto, não pelo conhecimento externo do candidato.
Inferência é a conclusão que o leitor tira a partir de pistas do texto. A informação não está escrita de forma direta, mas pode ser deduzida com segurança.
Inferir não é inventar. A inferência precisa estar autorizada pelo texto.
Por exemplo, se o texto diz que “mesmo com o aumento da arrecadação, os serviços públicos continuam deficientes”, é possível inferir uma crítica à má gestão dos recursos públicos. O texto talvez não diga literalmente “há má gestão”, mas a relação entre arrecadação maior e serviço ruim permite essa conclusão.
As bancas gostam muito desse tipo de cobrança porque ele exige leitura atenta. A alternativa errada geralmente extrapola. Ela parte de uma pista real, mas vai além do que o texto permite concluir.
Em concursos fiscais, a inferência é essencial porque textos sobre economia, tributação e administração pública frequentemente apresentam dados, críticas indiretas e relações de causa e consequência.
Pressuposto é uma informação implícita que fica marcada linguisticamente no enunciado. Ela é sugerida por palavras como “ainda”, “já”, “deixou de”, “voltou a”, “continua”, “também”, “até” e outras expressões.
Por exemplo, na frase “O contribuinte voltou a cumprir suas obrigações fiscais”, há o pressuposto de que ele já cumpria antes, parou em algum momento e passou a cumprir novamente.
Subentendido é uma informação sugerida pelo contexto, mas não marcada de forma tão direta pela estrutura da frase. Depende mais da situação comunicativa, do tom e da intenção.
Por exemplo, se alguém diz “Nossa, como este relatório ficou objetivo”, dependendo do contexto, pode ser um elogio verdadeiro ou uma crítica indireta a relatórios anteriores que eram longos e confusos.
Em prova, pressuposto costuma ser mais objetivo. Subentendido exige mais cuidado porque depende da interpretação do contexto. A banca pode perguntar o que se pressupõe de determinada frase ou qual sentido está subentendido em uma fala.
Texto verbal é formado por palavras. Texto não verbal é formado por imagens, gráficos, charges, tirinhas, fotografias, mapas, símbolos, expressões faciais ou elementos visuais.
Muitas questões cobram a relação entre os dois. A imagem pode reforçar, complementar, contradizer ou ironizar o texto verbal.
Em charges e tirinhas, por exemplo, o humor muitas vezes nasce da combinação entre fala e imagem. Se o candidato ler apenas as palavras e ignorar a expressão dos personagens, o cenário ou os elementos visuais, pode errar a questão.
Em concursos fiscais, também podem aparecer gráficos, infográficos e campanhas institucionais. Nesse caso, é preciso observar títulos, legendas, números, proporções, setas, cores e relações visuais.
A banca pode perguntar qual é o efeito de sentido produzido pela imagem, qual informação visual confirma o texto verbal ou qual crítica surge da combinação entre palavra e imagem.
A intenção comunicativa é o objetivo do autor ao produzir o texto. Ele pode informar, explicar, convencer, criticar, alertar, ironizar, defender uma tese, narrar um fato, orientar uma conduta ou sensibilizar o leitor.
Identificar a intenção é fundamental porque nem todo texto tem a mesma finalidade. Um artigo de opinião procura convencer. Uma notícia busca informar. Uma campanha institucional pode orientar ou persuadir. Uma charge costuma criticar por meio do humor.
Nas provas, a banca pode perguntar qual é a finalidade predominante do texto. A palavra “predominante” é importante, porque um texto pode informar e argumentar ao mesmo tempo, mas uma função costuma prevalecer.
Em textos argumentativos, muito comuns em concursos, a intenção principal geralmente é defender um ponto de vista. O candidato deve perceber qual ideia o autor quer que o leitor aceite.
Estratégias argumentativas são os recursos usados pelo autor para defender sua tese. Entre as mais comuns estão exemplo, comparação, oposição, causa e consequência, dados estatísticos, citação de autoridade, pergunta retórica, enumeração, analogia e refutação de opinião contrária.
Quando o autor apresenta números, pesquisas ou estatísticas, ele busca dar objetividade ao argumento. Quando cita especialistas, usa argumento de autoridade. Quando compara duas situações, tenta tornar uma ideia mais clara ou mais convincente. Quando apresenta um problema e depois uma consequência, constrói uma relação lógica.
Em concursos fiscais, a banca pode perguntar qual é a função de determinado exemplo, por que o autor citou certo dado ou que estratégia foi usada em um parágrafo.
Um ponto importante: exemplo não é tese. Exemplo serve para ilustrar, comprovar ou tornar concreta uma ideia maior. Muitos candidatos erram porque confundem o caso específico com a ideia principal defendida pelo texto.
Ponto de vista é a posição assumida pelo autor diante do tema. Pode ser explícito, quando o autor declara sua opinião diretamente, ou implícito, quando a opinião aparece por meio da escolha de palavras, argumentos e tom.
Palavras avaliativas ajudam a identificar ponto de vista. Termos como “grave”, “necessário”, “insuficiente”, “positivo”, “preocupante”, “equivocado” e “essencial” revelam julgamento.
Em provas, é comum a banca pedir a posição do autor em relação a determinado assunto. O candidato deve evitar projetar sua própria opinião. O que importa é o ponto de vista do texto.
Também é importante distinguir a voz do autor da voz de terceiros. Às vezes o texto apresenta a opinião de alguém para depois concordar, discordar ou problematizar. A banca pode explorar essa diferença.
Um texto não é um conjunto solto de frases. As partes se conectam por relações de explicação, causa, consequência, oposição, conclusão, adição, comparação, condição, finalidade e exemplificação.
Conectivos são fundamentais para perceber essas relações. Palavras como “portanto”, “porque”, “contudo”, “embora”, “além disso”, “por isso”, “assim”, “se”, “quando”, “enquanto” e “por exemplo” orientam a leitura.
Se a banca pergunta o valor semântico de um conectivo, ela quer saber que relação ele estabelece. “Mas”, “porém” e “contudo” indicam oposição. “Logo”, “portanto” e “assim” indicam conclusão. “Porque” e “pois” podem indicar explicação ou causa, dependendo do contexto.
Em provas fiscais, esse conteúdo aparece tanto em interpretação quanto em gramática. Entender a relação entre partes do texto ajuda a resolver questões de coesão, coerência, reescrita e pontuação.
Progressão temática é a forma como o texto avança. Um bom texto não fica repetindo a mesma informação sem desenvolver o assunto. Ele apresenta uma ideia, acrescenta dados, explica, exemplifica, contrapõe e conclui.
A progressão ocorre quando cada parte acrescenta algo novo ao que já foi dito. O texto mantém unidade, mas evolui.
Em prova, a banca pode perguntar como um parágrafo se relaciona com o anterior, que informação nova foi introduzida ou como o autor desenvolve a argumentação.
Um texto pode progredir por sequência lógica, temporal, causal, comparativa ou argumentativa. Em textos dissertativos, a progressão costuma seguir uma linha de raciocínio: apresentação do tema, desenvolvimento dos argumentos e conclusão.
O candidato deve observar se o parágrafo amplia, explica, exemplifica, restringe ou conclui uma ideia anterior.
Intertextualidade é a relação entre textos. Um texto pode dialogar com outro por citação, paráfrase, alusão, paródia, referência histórica, provérbio, obra literária, música, notícia ou discurso conhecido.
Quando o texto cita diretamente outro autor, a intertextualidade é explícita. Quando apenas faz referência indireta, ela é implícita.
Em charges, propagandas e artigos de opinião, a intertextualidade é muito comum. O autor pode usar uma frase conhecida, uma imagem famosa ou um fato histórico para produzir novo sentido.
A banca pode perguntar que conhecimento anterior é necessário para entender o texto ou qual efeito surge da relação com outro texto.
O cuidado principal é perceber se a intertextualidade reforça, critica, ironiza ou ressignifica o texto original. Nem toda referência é homenagem. Muitas vezes, a referência é usada para contestar ou satirizar.
Ambiguidade ocorre quando uma palavra, expressão ou frase permite mais de uma interpretação. Ela pode ser acidental, quando prejudica a clareza, ou intencional, quando produz humor, ironia, crítica ou duplo sentido.
Por exemplo, em uma frase mal construída, um pronome pode gerar dúvida sobre a quem se refere. Isso é ambiguidade prejudicial. Já em uma charge, uma palavra com duplo sentido pode ser usada de propósito para criar humor.
Em concursos, a banca pode perguntar qual termo gera ambiguidade, como eliminar a duplicidade de sentido ou qual efeito expressivo foi produzido.
É importante lembrar que nem toda ambiguidade é erro. Em textos literários, publicitários, humorísticos e charges, ela pode ser recurso expressivo.
A adequação depende do gênero textual. Em texto oficial, jurídico, administrativo ou técnico, a ambiguidade costuma ser inadequada, pois prejudica a precisão. Em textos criativos, pode ser recurso de estilo.
Ironia ocorre quando se diz algo, mas se pretende comunicar sentido diferente, muitas vezes oposto. O humor pode surgir de surpresa, exagero, contradição, quebra de expectativa, ambiguidade ou crítica social. A crítica é a avaliação negativa ou problematização de uma realidade. A persuasão é a tentativa de convencer o leitor.
Esses elementos aparecem muito em charges, tirinhas, crônicas, artigos de opinião e campanhas publicitárias.
Para identificar ironia, o candidato deve observar o contexto. Uma frase aparentemente elogiosa pode ser crítica se estiver em desacordo com a situação apresentada.
Por exemplo, se uma charge mostra um serviço público precário e um personagem diz “que maravilha de eficiência”, provavelmente há ironia. O sentido real é crítico.
A persuasão aparece quando o texto tenta influenciar o comportamento ou a opinião do leitor. Pode usar argumentos racionais, apelos emocionais, dados, exemplos ou linguagem de impacto.
Em provas, a banca costuma perguntar qual é a crítica presente no texto, o que gera o humor ou qual estratégia persuasiva foi utilizada.
Adequação vocabular é a escolha correta das palavras conforme o contexto, o gênero textual, o público, a finalidade e o nível de formalidade.
Uma palavra pode estar correta no dicionário, mas inadequada ao contexto. Em textos oficiais e administrativos, espera-se linguagem formal, clara, precisa e impessoal. Em uma conversa informal, podem aparecer expressões coloquiais. Em textos literários, pode haver liberdade expressiva maior.
Em concursos, a banca pode cobrar o sentido de uma palavra no contexto. Isso é muito importante: o significado cobrado nem sempre é o mais comum, mas aquele que a palavra assume dentro do texto.
Por exemplo, a palavra “grave” pode significar sério, baixo em tom musical ou acentuado graficamente, dependendo do contexto. A palavra “competência” pode significar habilidade ou atribuição legal. Em textos fiscais e administrativos, “competência” muitas vezes se refere ao poder legal de determinado órgão ou ente.
O candidato deve evitar interpretar palavras isoladamente. O sentido adequado nasce da relação entre vocabulário, frase, parágrafo e tema do texto.
Em concursos da área fiscal, compreensão e interpretação de textos aparecem em praticamente todas as provas de Língua Portuguesa. A cobrança costuma envolver textos longos, densos e argumentativos. As bancas querem verificar se o candidato consegue ler com precisão, identificar a tese, entender relações lógicas, perceber críticas, reconhecer inferências e evitar extrapolações.
A Cebraspe costuma cobrar julgamento de itens com muita atenção à literalidade, inferência e reescrita. A FGV costuma exigir interpretação fina, sentido contextual das palavras, relações argumentativas e efeitos de sentido. A FCC valoriza coesão, coerência, paráfrase e compreensão da estrutura textual. A Vunesp costuma trabalhar bastante com ideia central, vocabulário contextual, inferência e finalidade do texto.
Para a SEFAZ, esse conteúdo é prioridade máxima. Não basta saber gramática isolada. Muitas questões de concordância, regência, pontuação, pronomes e conectivos dependem da compreensão do texto. Quem interpreta mal, erra também a gramática aplicada.
Compreender um texto é entender o que ele diz. Interpretar é ir além da superfície, mas sempre com base nas pistas textuais. O candidato precisa identificar o tema, a tese, a ideia central, as ideias secundárias, as informações explícitas e as inferências possíveis.
Também precisa reconhecer pressupostos, subentendidos, relações entre texto verbal e não verbal, intenção do autor, estratégias argumentativas, ponto de vista, progressão temática, intertextualidade, ambiguidade, ironia, humor, crítica, persuasão e vocabulário adequado ao contexto.
A regra principal é: a resposta correta deve estar sustentada pelo texto. Em concurso, não vence quem imagina mais. Vence quem lê com precisão, controla a ansiedade, identifica as pistas e elimina alternativas que exageram, distorcem ou acrescentam ideias que o texto não autoriza.
Tipologia e gêneros textuais é um tema muito cobrado em Língua Portuguesa porque ajuda o candidato a reconhecer a estrutura, a finalidade e o modo de organização de um texto. Em concursos fiscais, esse assunto aparece tanto em interpretação quanto em redação oficial, textos administrativos, textos jurídicos, notícias, artigos de opinião e textos institucionais.
A ideia principal é simples: tipo textual é a forma como o texto se organiza linguisticamente; gênero textual é a forma concreta como esse texto aparece na vida social. Narração, descrição, dissertação, injunção e prescrição são tipos textuais. Notícia, artigo de opinião, editorial, relatório, parecer, ofício e reportagem são gêneros textuais.
O texto narrativo apresenta acontecimentos em sequência. Ele conta uma história, relata fatos ou organiza eventos no tempo.
A narração costuma ter personagens, tempo, espaço, enredo e narrador. Pode aparecer em contos, crônicas, romances, relatos, biografias, notícias e reportagens.
Em concursos, o mais importante é perceber a progressão dos fatos. A banca pode perguntar o que aconteceu primeiro, qual fato gerou outro, quem praticou determinada ação ou como o narrador organiza os acontecimentos.
O texto narrativo trabalha bastante com verbos de ação, geralmente no passado, como “chegou”, “decidiu”, “percebeu”, “afirmou”, “ocorreu” e “aconteceu”.
Em provas fiscais, a narração pode aparecer em relatos de casos, reportagens, situações hipotéticas ou textos jornalísticos. O candidato deve acompanhar a ordem dos fatos sem confundir relato com opinião.
O texto descritivo apresenta características de pessoas, objetos, lugares, situações, ambientes ou processos. Ele não se concentra tanto na ação, mas na caracterização.
A descrição responde, em geral, à pergunta: como é?
Pode descrever uma paisagem, uma repartição pública, um comportamento, um documento, uma cena, um produto, uma instituição ou uma situação administrativa.
Esse tipo textual usa muitos adjetivos, locuções adjetivas, verbos de estado e expressões de caracterização, como “é”, “está”, “parece”, “apresenta”, “possui”, “caracteriza-se por”.
Em concursos, a banca pode perguntar qual trecho tem predominância descritiva. O candidato deve observar se o texto está mais preocupado em mostrar características do que em narrar fatos ou defender uma opinião.
O texto dissertativo-expositivo tem como objetivo explicar, informar ou apresentar um assunto de maneira clara e organizada, sem necessariamente defender uma opinião polêmica.
Ele aparece em livros didáticos, manuais, textos técnicos, artigos científicos, enciclopédias, relatórios explicativos e materiais institucionais.
A exposição responde a perguntas como: o que é, como funciona, quais são as características, quais são as etapas e quais são os conceitos principais.
Em concursos fiscais, esse tipo textual aparece com frequência em textos sobre economia, administração pública, tecnologia, cidadania, tributação, meio ambiente e políticas públicas.
A banca costuma cobrar a ideia central, a organização das informações, o sentido de termos técnicos e a relação entre explicações.
O cuidado principal é não tratar todo texto dissertativo como argumentativo. Um texto pode explicar um tema sem tentar convencer o leitor de uma tese.
O texto dissertativo-argumentativo tem como objetivo defender uma tese. Ele apresenta uma opinião central e usa argumentos para convencer o leitor.
Esse tipo textual é muito comum em artigos de opinião, editoriais, ensaios, textos acadêmicos, discursos e questões discursivas de concursos.
A estrutura básica costuma envolver apresentação do tema, defesa de uma tese, desenvolvimento dos argumentos e conclusão.
Os argumentos podem ser exemplos, dados estatísticos, citações de autoridade, comparações, causas, consequências, contraposições e refutação de ideias contrárias.
Em concursos fiscais, esse tipo textual é importantíssimo. As bancas cobram identificação da tese, ponto de vista do autor, estratégias argumentativas, conectivos, inferências e efeitos de sentido.
A regra é: se o texto tenta convencer, defender, criticar ou sustentar uma posição, há predominância argumentativa.
O texto injuntivo orienta o leitor a fazer algo. Ele dá instruções, comandos, recomendações ou passos a serem seguidos.
A injunção aparece em manuais, receitas, tutoriais, regulamentos, instruções de uso, campanhas educativas e orientações administrativas.
Esse tipo textual costuma usar verbos no imperativo, infinitivo ou formas de obrigação, como “faça”, “preencha”, “acesse”, “clique”, “observe”, “deve preencher”, “é necessário apresentar”.
Em concursos, a banca pode perguntar qual é a finalidade do texto. Se a finalidade for orientar uma ação do leitor, há caráter injuntivo.
Exemplo típico: um texto que ensina como emitir uma certidão, como preencher um formulário ou como acessar um serviço público digital.
O texto prescritivo também orienta condutas, mas com força normativa. Ele não apenas sugere ou ensina; ele estabelece regras, deveres, proibições ou procedimentos obrigatórios.
A prescrição aparece em leis, decretos, regulamentos, editais, normas internas, portarias, contratos, instruções normativas e códigos de conduta.
A diferença principal entre injuntivo e prescritivo está na obrigatoriedade. O injuntivo ensina ou orienta. O prescritivo determina, impõe ou regulamenta.
Em concursos fiscais, o texto prescritivo é muito importante porque a área fiscal lida diretamente com normas, leis tributárias, regulamentos administrativos, editais e atos oficiais.
Expressões como “deverá”, “é vedado”, “compete a”, “fica estabelecido”, “será obrigatório” e “nos termos da lei” indicam caráter prescritivo.
O artigo de opinião é um gênero textual argumentativo. Nele, o autor apresenta uma tese sobre um tema de interesse social, político, econômico, cultural ou institucional.
Esse gênero tem autoria marcada. O articulista assume um ponto de vista e procura convencer o leitor por meio de argumentos.
Em provas, o artigo de opinião costuma ser usado para cobrar tese, argumentos, ponto de vista, intenção comunicativa, ironia, crítica e estratégias persuasivas.
O texto pode trazer dados, exemplos, comparações, perguntas retóricas, citações e oposição a argumentos contrários.
O candidato deve separar fato de opinião. Fato é aquilo que se apresenta como acontecimento verificável. Opinião é a interpretação ou avaliação feita pelo autor sobre esse fato.
O editorial é um gênero argumentativo que expressa a posição oficial de um veículo de comunicação, como jornal, revista ou portal.
Diferentemente do artigo de opinião, o editorial geralmente não vem assinado por uma pessoa específica. Ele representa a linha institucional do veículo.
Em concursos, a banca pode perguntar qual é a tese defendida pelo editorial, que crítica é feita, qual posicionamento institucional aparece ou que estratégia argumentativa foi usada.
O editorial costuma tratar de temas relevantes da sociedade, como economia, política, educação, segurança pública, tecnologia, meio ambiente e administração pública.
A linguagem costuma ser formal, objetiva e persuasiva. O texto busca influenciar a opinião pública.
A notícia é um gênero jornalístico informativo. Seu objetivo principal é relatar um fato atual, relevante e de interesse público.
Ela normalmente responde a perguntas básicas: o que aconteceu, quem participou, quando ocorreu, onde ocorreu, como ocorreu e por quê.
A reportagem também informa, mas costuma ser mais aprofundada. Ela pode trazer contexto, entrevistas, dados, análise, histórico, causas, consequências e diferentes pontos de vista.
A notícia tende a ser mais direta e imediata. A reportagem tende a ser mais desenvolvida e explicativa.
Em concursos, a banca pode cobrar a diferença entre informação e opinião, a finalidade do texto, a organização dos fatos e o papel de entrevistas, dados ou declarações.
Em provas fiscais, notícias e reportagens podem tratar de arrecadação, reforma tributária, fiscalização, tecnologia, economia, políticas públicas e serviços ao cidadão.
O texto técnico-administrativo é usado no funcionamento de instituições públicas e privadas. Seu objetivo é registrar, informar, orientar, solicitar, relatar, encaminhar ou documentar atos administrativos.
Esse tipo de texto exige clareza, objetividade, precisão, formalidade e padronização.
Ele pode aparecer em memorandos, ofícios, relatórios, pareceres, atas, despachos, comunicados, manuais internos, instruções de trabalho e documentos de gestão.
Em concursos fiscais, esse gênero é especialmente importante porque o servidor público precisa compreender e produzir documentos oficiais.
A linguagem deve evitar ambiguidades, informalidade excessiva, subjetividade desnecessária e termos vagos. O foco é transmitir informação com segurança e eficiência.
O texto jurídico-normativo é aquele que estabelece normas, direitos, deveres, competências, proibições, sanções ou procedimentos legais.
Ele aparece em leis, constituições, decretos, portarias, resoluções, instruções normativas, regulamentos, editais e contratos.
Esse gênero costuma usar linguagem formal, impessoal e técnica. Também apresenta estruturas próprias, como artigos, incisos, parágrafos e alíneas.
Em concursos fiscais, esse tipo textual é central. A área fiscal trabalha com Constituição, Código Tributário Nacional, leis complementares, leis ordinárias, regulamentos, decretos e atos normativos.
O candidato precisa observar verbos de obrigação, competência e proibição, como “deve”, “poderá”, “compete”, “é vedado”, “será”, “fica instituído” e “aplica-se”.
A interpretação deve ser cuidadosa, porque uma palavra pode alterar completamente o alcance da norma.
O texto institucional representa a comunicação de uma instituição com seu público interno ou externo.
Ele pode informar, orientar, divulgar ações, apresentar valores, explicar serviços, fortalecer a imagem da instituição ou prestar contas à sociedade.
Aparece em sites oficiais, campanhas públicas, comunicados, cartilhas, relatórios institucionais, manuais de orientação, apresentações e materiais de divulgação.
Em concursos, o texto institucional pode ser cobrado quanto à finalidade, linguagem, público-alvo, intenção comunicativa e adequação vocabular.
Na área fiscal, são comuns textos institucionais sobre educação fiscal, cidadania, combate à sonegação, serviços digitais, transparência, arrecadação e uso social dos tributos.
A linguagem costuma ser clara, acessível e formal, buscando aproximar a instituição do cidadão.
O parecer é um documento técnico ou jurídico que analisa uma questão e apresenta uma conclusão fundamentada. Ele não deve ser mera opinião pessoal; precisa ter base em fatos, normas, critérios técnicos ou jurídicos.
O relatório apresenta informações organizadas sobre uma atividade, situação, fiscalização, estudo, processo ou resultado. Pode descrever fatos, apresentar dados, analisar problemas e sugerir providências.
O ofício é uma comunicação oficial usada para tratar de assuntos administrativos entre órgãos, autoridades ou instituições. Ele deve ser claro, formal, objetivo e impessoal.
A comunicação oficial é o conjunto de textos usados pela Administração Pública para registrar, transmitir ou solicitar informações. Deve seguir princípios como clareza, concisão, formalidade, impessoalidade, padronização e precisão.
Em concursos fiscais, esses gêneros são relevantes porque aparecem na rotina administrativa e podem ser cobrados em interpretação, redação oficial e questões discursivas.
O candidato deve lembrar que documentos oficiais não são espaço para linguagem emocional, ambígua ou excessivamente pessoal.
Gêneros digitais são textos produzidos ou adaptados para ambientes digitais. Incluem e-mail, postagem em rede social, notícia online, blog, comentário, fórum, mensagem instantânea, infográfico digital, página institucional, newsletter, FAQ e tutoriais.
Esses gêneros podem misturar texto verbal, imagem, links, vídeos, ícones, botões, gráficos e elementos interativos.
Em concursos, a banca pode cobrar finalidade, público-alvo, linguagem, objetividade, recursos multimodais e adequação ao meio digital.
Os gêneros informativos têm como objetivo principal transmitir informação. Podem aparecer em notícias, reportagens, comunicados, verbetes, textos institucionais, manuais, cartilhas e páginas de serviço público.
Na área fiscal, isso é muito comum em páginas que explicam emissão de documentos fiscais, regularização de débitos, parcelamentos, obrigações acessórias, legislação tributária e serviços digitais.
O candidato deve observar que, no ambiente digital, a leitura costuma ser mais rápida e orientada por títulos, subtítulos, links e elementos visuais.
Essa é uma das distinções mais importantes do tópico.
Tipo textual é a estrutura linguística predominante do texto. Ele indica o modo de organização. Os principais tipos são narrativo, descritivo, dissertativo-expositivo, dissertativo-argumentativo, injuntivo e prescritivo.
Gênero textual é a forma concreta de comunicação usada em uma situação social. São exemplos: notícia, reportagem, artigo de opinião, editorial, ofício, parecer, relatório, e-mail, lei, edital, manual e comunicado.
Um mesmo gênero pode misturar vários tipos textuais. Uma reportagem, por exemplo, pode narrar fatos, descrever cenários, expor dados e até apresentar trechos argumentativos. Um relatório pode descrever uma situação, expor informações e recomendar providências. Uma lei pode ter predominância prescritiva, mas também conter definições expositivas.
Nas provas, a banca costuma perguntar qual é o tipo predominante ou qual é o gênero textual. O candidato deve prestar atenção à palavra “predominante”, porque muitos textos misturam tipos.
A forma mais simples de diferenciar é esta: tipo textual é o modo de construção; gênero textual é o nome social do texto.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, esse assunto costuma ser cobrado dentro de interpretação textual, redação oficial e análise de textos administrativos ou jurídicos.
A banca pode apresentar um artigo de opinião e perguntar a tese. Pode apresentar uma notícia e perguntar a informação central. Pode apresentar um ofício e cobrar formalidade e finalidade. Pode apresentar uma norma e perguntar o sentido de uma obrigação. Pode apresentar uma reportagem e pedir a distinção entre fato e opinião.
A Cebraspe costuma explorar a interpretação precisa e a estrutura textual. A FGV costuma cobrar finalidade, gênero, inferência, ponto de vista e efeitos de sentido. A FCC trabalha bastante com coesão, organização textual e adequação. A Vunesp costuma cobrar identificação de ideia central, finalidade e sentido contextual.
Para concursos fiscais, os gêneros técnico-administrativos, jurídico-normativos, institucionais e argumentativos merecem atenção especial, porque se aproximam da rotina real do cargo.
Tipologia textual trata do modo como o texto é construído. Gênero textual trata da forma concreta que o texto assume na sociedade.
Texto narrativo conta fatos. Texto descritivo apresenta características. Texto dissertativo-expositivo explica. Texto dissertativo-argumentativo defende uma tese. Texto injuntivo orienta uma ação. Texto prescritivo impõe regras.
Artigo de opinião e editorial são gêneros argumentativos. Notícia e reportagem são gêneros jornalísticos informativos. Textos técnico-administrativos, jurídico-normativos e institucionais são muito importantes na área fiscal. Parecer, relatório, ofício e comunicações oficiais exigem clareza, formalidade, objetividade e precisão.
A regra principal para prova é identificar a finalidade do texto. Se ele conta, predomina a narração. Se caracteriza, predomina a descrição. Se explica, predomina a exposição. Se defende uma tese, predomina a argumentação. Se orienta uma ação, predomina a injunção. Se impõe regra obrigatória, predomina a prescrição.
Ortografia oficial é o conjunto de regras que define a forma correta de escrever as palavras na língua portuguesa. Em concursos fiscais, esse assunto costuma aparecer de forma direta, com perguntas sobre grafia correta, uso do hífen, emprego de letras, maiúsculas e minúsculas, homônimos, parônimos e expressões que confundem muito o candidato.
Embora pareça um tema simples, ortografia derruba muita gente porque a banca costuma trabalhar com palavras parecidas, expressões de uso frequente e pequenos detalhes que mudam o sentido da frase. Em provas da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, ortografia pode aparecer tanto em questões objetivas quanto em reescrita, redação oficial e análise de textos administrativos.
A regra principal é: em concurso, a grafia deve seguir a norma-padrão da língua portuguesa.
O Novo Acordo Ortográfico modificou algumas regras de acentuação, hífen e uso de certas letras. Ele não mudou a língua inteira, mas alterou pontos importantes da escrita oficial.
Uma mudança importante foi a incorporação das letras K, W e Y ao alfabeto da língua portuguesa. Elas são usadas principalmente em nomes próprios, símbolos, unidades de medida, palavras estrangeiras e derivados. Exemplos: William, km, watt, Byron, byroniano.
O acordo também retirou o trema das palavras portuguesas. Antes se escrevia “lingüiça” e “freqüente”. Hoje, escreve-se “linguiça” e “frequente”. O trema permanece apenas em nomes próprios estrangeiros e seus derivados, quando for o caso.
Outra mudança importante ocorreu em alguns acentos diferenciais. Palavras como “pára”, do verbo parar, perderam o acento. Hoje se escreve “ele para o carro”. O acento permanece em alguns casos obrigatórios, como “pôde”, passado do verbo poder, para diferenciar de “pode”, presente do verbo poder. Também permanece em “pôr”, verbo, para diferenciar de “por”, preposição.
Em concursos, o Novo Acordo costuma ser cobrado especialmente em hífen, acentuação, palavras compostas e grafias atualizadas.
O emprego de letras trata da escolha correta entre letras que têm sons parecidos ou que geram dúvida na escrita.
As dúvidas mais comuns envolvem o uso de S, Z, X, CH, G, J, SS, Ç, C, SC e XC.
Por exemplo, escrevem-se com S palavras como “análise”, “pesquisa”, “despesa” e “defesa”. Escrevem-se com Z palavras como “natureza”, “certeza”, “pobreza” e “riqueza”, quando formadas com o sufixo “eza”, indicando qualidade ou estado.
O X pode representar sons diferentes, como em “exame”, “tóxico”, “enxame” e “próximo”. Por isso, a grafia precisa ser memorizada pelo uso e pela leitura.
Com G e J, é preciso atenção. Escrevem-se com G palavras como “gestão”, “regime”, “origem” e “exigência”. Escrevem-se com J palavras como “jeito”, “rejeição”, “trajeto” e “projeto”.
Em concursos, a banca costuma apresentar alternativas com palavras muito parecidas para testar se o candidato domina a grafia oficial. Palavras da área administrativa e fiscal, como “isenção”, “exceção”, “excesso”, “concessão”, “sessão”, “seção”, “cessão”, “licença”, “rescisão”, “impugnação” e “execução”, merecem atenção especial.
O hífen é um dos pontos mais cobrados e mais confundidos da ortografia oficial. Ele aparece em palavras compostas, formações com prefixos e expressões específicas.
Depois do Novo Acordo Ortográfico, uma regra importante é observar a última letra do prefixo e a primeira letra da palavra seguinte.
Usa-se hífen quando o prefixo termina com a mesma vogal com que começa a segunda palavra. Por isso, escreve-se “micro-ondas”, “anti-inflamatório”, “semi-interno” e “contra-ataque”.
Não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal que inicia a segunda palavra. Por isso, escreve-se “autoescola”, “extraoficial”, “infraestrutura”, “semiaberto” e “antiaéreo”.
Quando o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa por R ou S, não se usa hífen, mas dobra-se a consoante. Exemplos: “antirracismo”, “antissemita”, “contrarregra”, “minissaia”, “ultrassom” e “semirreta”.
Usa-se hífen antes de H. Exemplos: “anti-higiênico”, “super-homem”, “pré-história” e “sobre-humano”.
Com os prefixos “ex”, “sem”, “além”, “aquém”, “recém”, “pós”, “pré” e “pró”, normalmente há hífen. Exemplos: “ex-presidente”, “sem-terra”, “além-mar”, “recém-nascido”, “pós-graduação”, “pré-edital” e “pró-reitor”.
Com “bem” e “mal”, há várias particularidades. Usa-se hífen em palavras como “bem-estar”, “bem-vindo”, “mal-estar” e “mal-humorado”. Mas há casos em que a palavra se aglutina, como “benfeito”, “benquerer” e “malcriado”.
Em concursos fiscais, o hífen pode aparecer em palavras comuns da linguagem administrativa, como “infraestrutura”, “extraoficial”, “microempresa”, “socioeconômico”, “inter-regional”, “pré-processual”, “pós-edital”, “não cumulatividade” e “não incidência”. Atenção: o “não” usado como prefixo, depois do Novo Acordo, em geral não exige hífen. Por isso, escreve-se “não incidência”, “não cumulatividade”, “não contribuinte” e “não tributação”.
O uso de maiúsculas e minúsculas também faz parte da ortografia oficial. Em regra, usa-se letra maiúscula no início de frases, em nomes próprios, nomes de instituições, órgãos, entidades, documentos oficiais específicos, datas comemorativas e títulos quando individualizados.
Exemplos: “Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal”, “Receita Federal do Brasil”, “Constituição Federal”, “Código Tributário Nacional”, “Supremo Tribunal Federal” e “Diário Oficial da União”.
Usa-se minúscula em nomes comuns, cargos, profissões, áreas do conhecimento e referências genéricas. Exemplos: “o auditor fiscal”, “o governador”, “o secretário”, “o ministério”, “a administração pública”, “a constituição de um país”, “o código tributário de determinado ente”.
A diferença está na individualização. Quando se fala de um documento específico, usa-se maiúscula: “Constituição Federal de 1988”. Quando se fala de forma genérica, usa-se minúscula: “toda constituição organiza o Estado”.
Em redação oficial e textos administrativos, esse cuidado é importante para evitar exagero de maiúsculas. Nem todo cargo, setor ou expressão institucional precisa de inicial maiúscula.
Em prova, a banca pode cobrar a correção do emprego de maiúsculas em nomes de órgãos, leis, documentos, cargos e expressões genéricas.
Algumas palavras aparecem muito em provas e documentos oficiais, por isso precisam estar bem memorizadas.
Na área fiscal e administrativa, merecem atenção palavras como “exceção”, “excesso”, “isenção”, “concessão”, “sessão”, “seção”, “cessão”, “rescisão”, “ascensão”, “pretensão”, “comissão”, “omissão”, “admissão”, “demissão”, “remissão”, “eminente”, “iminente”, “ratificar”, “retificar”, “mandado”, “mandato”, “descrição”, “discrição”, “infração”, “infringir”, “infligir”, “deferir” e “diferir”.
Também são frequentes palavras como “analisar”, “paralisar”, “pesquisar”, “requisito”, “subsídio”, “privilégio”, “benefício”, “licença”, “exequível”, “inexequível”, “exequibilidade”, “contencioso”, “assessor”, “acessório”, “processo”, “procedimento”, “jurisdição” e “competência”.
O candidato deve ter atenção porque muitas questões não cobram uma regra abstrata, mas a palavra correta no contexto. Às vezes, a banca coloca uma alternativa com palavra inexistente ou com grafia parecida, mas errada.
A melhor estratégia é associar grafia ao sentido e ao uso. Em textos fiscais, jurídicos e administrativos, algumas palavras aparecem repetidamente. Quem lê editais, leis, notícias econômicas e textos oficiais passa a fixar melhor essas grafias.
Homônimos são palavras iguais ou muito semelhantes na pronúncia ou na escrita, mas com significados diferentes.
Parônimos são palavras parecidas na forma e na pronúncia, mas diferentes no significado.
Esse assunto é muito cobrado porque a banca gosta de testar palavras que parecem corretas, mas mudam completamente o sentido da frase.
Um exemplo clássico é “sessão”, “seção” e “cessão”. “Sessão” é reunião ou período de atividade, como “sessão legislativa”. “Seção” é divisão, setor ou parte, como “seção de atendimento”. “Cessão” é ato de ceder, como “cessão de direitos”.
Outro exemplo é “mandado” e “mandato”. “Mandado” é ordem judicial ou administrativa, como “mandado de segurança”. “Mandato” é período de exercício de cargo eletivo ou representação, como “mandato parlamentar”.
“Ratificar” significa confirmar. “Retificar” significa corrigir. Em prova, isso cai muito. “O servidor ratificou a informação” quer dizer que confirmou. “O servidor retificou a informação” quer dizer que corrigiu.
“Eminente” significa elevado, importante, ilustre. “Iminente” significa que está prestes a acontecer. Um jurista pode ser eminente. Um risco pode ser iminente.
“Descriminar” significa deixar de considerar crime. “Discriminar” significa diferenciar, separar ou tratar de forma desigual. “Descrição” é o ato de descrever. “Discrição” é reserva, prudência.
“Infligir” significa aplicar pena ou castigo. “Infringir” significa violar, desrespeitar norma. Assim, alguém infringe a lei e a autoridade inflige uma penalidade.
“Deferir” significa aceitar, conceder. “Diferir” significa adiar ou ser diferente. Um pedido pode ser deferido. Um pagamento pode ser diferido.
Em concursos fiscais, homônimos e parônimos aparecem com frequência porque a área lida com normas, processos, pedidos, competências, infrações, penalidades e documentos oficiais.
Algumas expressões são muito cobradas porque aparecem em frases do dia a dia e geram erros frequentes. O candidato precisa dominar o uso correto de cada uma.
“Por que”, separado e sem acento, é usado em perguntas diretas ou indiretas. Também pode ter sentido de “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais” ou “pelas quais”.
Exemplos: “Por que o recurso foi indeferido?” “Não sei por que o recurso foi indeferido.” “Esse é o motivo por que ele recorreu.”
“Porque”, junto e sem acento, é usado em respostas e explicações. Tem sentido de “pois”, “uma vez que” ou “já que”.
Exemplo: “O recurso foi indeferido porque estava fora do prazo.”
“Porquê”, junto e com acento, é substantivo. Significa “o motivo” ou “a razão”. Normalmente vem acompanhado de artigo, pronome ou determinante.
Exemplo: “O servidor explicou o porquê da decisão.”
“Por quê”, separado e com acento, aparece no fim da frase ou antes de pausa forte.
Exemplos: “O recurso foi indeferido por quê?” “Ele não compareceu, e ninguém sabe por quê.”
Em prova, a dica é observar a função. Pergunta ou equivalência com “pelo qual” pede “por que”. Resposta pede “porque”. Substantivo pede “porquê”. Final de frase interrogativa ou pausa forte pede “por quê”.
“Onde” indica lugar fixo. Deve ser usado com verbos que não indicam movimento para destino.
Exemplo: “Onde fica a repartição?”
“Aonde” indica movimento em direção a algum lugar. Deve ser usado com verbos que pedem a preposição “a”, como “ir”, “chegar”, “dirigir-se” e “levar”, quando houver ideia de destino.
Exemplo: “Aonde o contribuinte deve se dirigir?”
O erro comum é usar “onde” para tudo. Em norma-padrão, “onde” e “aonde” só devem ser usados com ideia de lugar. Não se deve usar “onde” para retomar ideias abstratas, como em “uma situação onde houve erro”. O mais adequado é “uma situação em que houve erro”.
Em concursos, essa distinção é muito cobrada em reescrita e correção gramatical.
“Há” é forma do verbo haver. Pode indicar existência ou tempo passado.
Exemplos: “Há muitos processos pendentes.” “O lançamento ocorreu há dois anos.”
“A” é preposição. Pode indicar distância, tempo futuro ou relação entre termos.
Exemplos: “A repartição fica a dois quilômetros.” “A audiência ocorrerá daqui a dez dias.”
A diferença mais cobrada é entre tempo passado e tempo futuro. Para tempo passado, usa-se “há”. Para tempo futuro, usa-se “a”.
Exemplos: “Ele tomou posse há três anos.” “Ele tomará posse daqui a três dias.”
Também é importante evitar redundância. A expressão “há anos atrás” é inadequada na norma-padrão, porque “há” já indica passado. O correto é “há anos” ou “anos atrás”.
“Mau” é adjetivo e se opõe a “bom”. Ele caracteriza um substantivo.
Exemplos: “mau atendimento”, “mau procedimento”, “mau uso do dinheiro público”.
“Mal” pode ser advérbio, substantivo ou conjunção temporal. Como advérbio, opõe-se a “bem”.
Exemplos: “O relatório foi mal elaborado.” “O servidor agiu mal.” “Mal chegou, foi chamado.”
A dica clássica funciona bem: se o contrário for “bom”, use “mau”. Se o contrário for “bem”, use “mal”.
Exemplos: “mau gestor” é o contrário de “bom gestor”. “mal administrado” é o contrário de “bem administrado”.
Em prova, essa distinção aparece bastante porque as palavras têm som parecido, mas classes gramaticais diferentes.
“Senão”, junto, pode ter sentido de “caso contrário”, “a não ser”, “exceto”, “mas sim” ou “defeito”.
Exemplos: “Regularize a pendência, senão haverá multa.” “Nada restou senão cumprir a norma.” “Não era omissão, senão erro material.” “O relatório não apresentou nenhum senão.”
“Se não”, separado, ocorre quando há condição. Equivale a “caso não”.
Exemplo: “Se não houver recurso, o processo será arquivado.”
A dica é tentar substituir por “caso não”. Se a substituição funcionar, use “se não” separado. Se a ideia for “caso contrário”, “exceto”, “mas sim” ou “defeito”, use “senão” junto.
Em concursos, essa diferença é muito explorada em frases condicionais e textos administrativos.
Em concursos fiscais, ortografia oficial costuma aparecer de forma objetiva, mas também pode vir misturada com interpretação, redação oficial, reescrita e correção gramatical.
A banca pode pedir a alternativa em que todas as palavras estão grafadas corretamente. Pode perguntar qual frase está de acordo com o Novo Acordo Ortográfico. Pode cobrar o emprego do hífen em palavras com prefixos. Pode pedir a distinção entre “ratificar” e “retificar”, “sessão” e “seção”, “mandado” e “mandato”, “deferir” e “diferir”.
Em textos administrativos e fiscais, a grafia correta tem grande importância porque uma palavra errada pode comprometer a clareza, a formalidade e até o sentido jurídico do documento.
Para SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, vale priorizar palavras ligadas a legislação, administração pública, processo administrativo, tributação, fiscalização, arrecadação, competências, penalidades, relatórios, pareceres e comunicações oficiais.
Ortografia oficial é a escrita correta segundo a norma-padrão. O Novo Acordo Ortográfico alterou pontos como hífen, acentuação, trema e uso de algumas letras. O emprego de letras exige atenção a grafias frequentes e palavras da linguagem administrativa, jurídica e fiscal.
O hífen deve ser estudado com foco em prefixos, vogais iguais, palavras iniciadas por H, duplicação de R e S, e formações como “pré”, “pós”, “ex”, “sem”, “bem” e “mal”.
Maiúsculas são usadas em nomes próprios, instituições e documentos específicos. Minúsculas são usadas em referências genéricas, cargos e nomes comuns.
Homônimos e parônimos são decisivos em prova porque mudam o sentido da frase. É preciso dominar pares como “ratificar” e “retificar”, “mandado” e “mandato”, “eminente” e “iminente”, “deferir” e “diferir”, “infligir” e “infringir”.
Nas expressões problemáticas, lembre-se: “por que” pergunta ou equivale a “pelo qual”; “porque” explica; “porquê” é substantivo; “por quê” aparece no fim da frase ou antes de pausa. “Onde” indica lugar fixo; “aonde” indica movimento. “Há” indica existência ou passado; “a” indica preposição, distância ou futuro. “Mau” se opõe a “bom”; “mal” se opõe a “bem”. “Senão” pode significar caso contrário, exceto, mas sim ou defeito; “se não” indica condição.
Em prova, a ortografia correta não depende de impressão pessoal. Depende da norma oficial, do contexto e do sentido da frase.
Acentuação gráfica é o conjunto de regras que define quando uma palavra deve receber acento na escrita. Em concursos fiscais, esse tema aparece com frequência porque a banca gosta de testar detalhes da norma-padrão: posição da sílaba tônica, classificação das palavras, ditongos, hiatos, acento diferencial e mudanças do Novo Acordo Ortográfico.
A acentuação não serve apenas para “enfeitar” a palavra. Ela ajuda a indicar a pronúncia correta, diferenciar palavras e manter a clareza da escrita. Em provas da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, esse assunto pode aparecer diretamente, pedindo a palavra corretamente acentuada, ou indiretamente, em questões de reescrita, ortografia, redação oficial e interpretação.
A regra principal é: para acertar acentuação, primeiro é preciso identificar a sílaba tônica da palavra.
As regras gerais de acentuação dependem da posição da sílaba tônica. A sílaba tônica é a sílaba pronunciada com mais força.
As palavras podem ser classificadas em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
Oxítonas têm a última sílaba tônica, como “café”, “também”, “jurisdição” e “parabéns”.
Paroxítonas têm a penúltima sílaba tônica, como “caráter”, “fácil”, “órgão” e “processo”.
Proparoxítonas têm a antepenúltima sílaba tônica, como “público”, “jurídico”, “técnico” e “lógico”.
Em concursos, a banca costuma cobrar palavras parecidas, mas com classificações diferentes. Por isso, antes de decorar regras soltas, o candidato deve treinar a identificação da sílaba tônica.
A acentuação gráfica segue uma lógica: como a maior parte das palavras da língua portuguesa é paroxítona terminada em “a”, “e”, “o”, “em” e seus plurais, essas normalmente não são acentuadas. O acento aparece quando a palavra foge ao padrão mais comum ou quando há necessidade de marcar uma pronúncia específica.
As oxítonas são acentuadas quando terminam em “a”, “e”, “o”, seguidas ou não de “s”, e também quando terminam em “em” ou “ens”.
Exemplos: “cajá”, “café”, “cipó”, “atrás”, “você”, “avós”, “também”, “parabéns” e “refém”.
Na linguagem administrativa e fiscal, aparecem palavras como “jurisdição”, “arrecadação”, “fiscalização”, “constituição” e “obrigação”. Essas palavras terminadas em “ão” são oxítonas acentuadas porque o “ão” é uma terminação tônica.
As paroxítonas são acentuadas quando terminam em várias terminações menos comuns, como “l”, “n”, “r”, “x”, “i”, “is”, “us”, “um”, “uns”, “ão”, “ãos”, “ã”, “ãs”, “ps” e ditongo oral.
Exemplos: “fácil”, “hífen”, “caráter”, “tórax”, “júri”, “lápis”, “vírus”, “álbum”, “órfãos”, “órgão”, “ímã”, “bíceps”, “história”, “série”, “necessário”, “relatório” e “critério”.
Em concursos fiscais, são muito importantes palavras como “caráter”, “possível”, “móvel”, “imóvel”, “útil”, “difícil”, “órgão”, “técnico-administrativo”, “necessário”, “relatório”, “tributário”, “contábil” e “fácil”.
As proparoxítonas são sempre acentuadas.
Exemplos: “público”, “jurídico”, “técnico”, “lógico”, “econômico”, “político”, “crédito”, “débito”, “prático”, “código”, “sintético” e “analítico”.
Essa é uma regra muito importante para prova: toda proparoxítona recebe acento. Se a palavra tem a antepenúltima sílaba tônica, ela deve ser acentuada.
Ditongo é o encontro de duas vogais na mesma sílaba. Os ditongos abertos mais cobrados são “éi”, “éu” e “ói”.
Depois do Novo Acordo Ortográfico, os ditongos abertos “éi” e “ói” deixaram de ser acentuados nas palavras paroxítonas.
Por isso, hoje se escreve “ideia”, “assembleia”, “plateia”, “colmeia”, “jiboia”, “heroico” e “paranoico”, sem acento.
Antes do acordo, escrevia-se “idéia”, “assembléia”, “platéia” e “heróico”. Hoje, essas formas antigas não seguem a ortografia oficial.
Mas atenção: os ditongos abertos continuam sendo acentuados nas palavras oxítonas e monossílabos tônicos.
Exemplos: “herói”, “corrói”, “chapéu”, “troféu”, “papéis”, “fiéis”, “céu”, “réu” e “dói”.
Em prova, a banca gosta de comparar “ideia” com “herói”. “Ideia” não tem acento porque é paroxítona com ditongo aberto. “Herói” tem acento porque é oxítona terminada em ditongo aberto.
Hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes. Na acentuação, a regra mais importante envolve o “i” e o “u” tônicos.
Acentuam-se o “i” e o “u” tônicos quando aparecem sozinhos na sílaba ou acompanhados de “s”, formando hiato com a vogal anterior.
Exemplos: “saída”, “saúde”, “país”, “baú”, “juízes”, “raízes”, “faísca” e “egoísmo”.
Nessas palavras, o “i” ou o “u” é pronunciado separadamente e com força. Por isso, recebe acento.
Mas há exceções importantes. Não se acentuam o “i” e o “u” quando vêm seguidos de “nh”.
Exemplo: “rainha” e “moinho”, sem acento.
Também não se acentua o “i” ou “u” quando, nas palavras paroxítonas, vierem depois de ditongo.
Por isso, hoje se escreve “feiura” e “baiuca”, sem acento.
Outra mudança importante do Novo Acordo foi a retirada do acento em formas como “voo”, “enjoo”, “perdoo”, “abençoo”, “leem”, “veem”, “creem” e “deem”. Antes havia acento em algumas dessas formas, mas hoje não há.
Em concursos, hiato costuma cair porque o candidato confunde ditongo com hiato. A pergunta central é: as vogais ficam na mesma sílaba ou em sílabas diferentes? Se ficam na mesma sílaba, há ditongo. Se ficam em sílabas diferentes, há hiato.
Acento diferencial é aquele usado para distinguir palavras iguais na grafia ou muito parecidas, mas com funções ou sentidos diferentes.
Depois do Novo Acordo Ortográfico, vários acentos diferenciais foram eliminados. Porém, alguns permaneceram.
O acento permanece em “pôde”, forma do passado do verbo poder, para diferenciar de “pode”, forma do presente.
Exemplo: “Ontem ele não pôde comparecer.” “Hoje ele pode comparecer.”
O acento também permanece em “pôr”, verbo, para diferenciar de “por”, preposição.
Exemplo: “É preciso pôr os documentos no processo.” “O pedido foi enviado por e-mail.”
Também permanece o acento em “têm” e “vêm”, quando indicam plural dos verbos “ter” e “vir”.
Exemplos: “Ele tem competência.” “Eles têm competência.” “Ele vem ao setor.” “Eles vêm ao setor.”
Nos derivados de “ter” e “vir”, o singular recebe acento agudo, e o plural recebe acento circunflexo.
Exemplos: “ele mantém”, “eles mantêm”; “ele detém”, “eles detêm”; “ele intervém”, “eles intervêm”; “ele convém”, “eles convêm”.
Alguns acentos diferenciais deixaram de existir. Hoje se escreve “para”, tanto para a preposição quanto para o verbo parar. Exemplo: “Ele para o atendimento ao meio-dia.”
Também se escreve “pelo”, sem acento, tanto para a contração de “por + o” quanto para o substantivo relacionado a cabelo. O contexto resolve o sentido.
Em prova, o acento diferencial é muito cobrado porque envolve comparação entre formas parecidas. O candidato deve memorizar principalmente: “pôde” e “pode”; “pôr” e “por”; “tem” e “têm”; “vem” e “vêm”; “mantém” e “mantêm”.
O Novo Acordo Ortográfico alterou várias regras relacionadas à acentuação. Para concursos, as mudanças mais importantes são estas.
Primeiro, desapareceram os acentos dos ditongos abertos “éi” e “ói” nas paroxítonas. Por isso, hoje se escreve “ideia”, “assembleia”, “plateia”, “jiboia”, “heroico” e “paranoico”, sem acento.
Segundo, desapareceram os acentos em palavras terminadas em “oo” e em formas verbais terminadas em “eem”. Por isso, hoje se escreve “voo”, “enjoo”, “perdoo”, “abençoo”, “leem”, “veem”, “creem” e “deem”.
Terceiro, desapareceram alguns acentos diferenciais. Hoje se escreve “para”, sem acento, mesmo quando for verbo. Também se escreve “pelo”, “pera” e “polo”, sem acento, em regra.
Quarto, o acento permanece em casos essenciais, como “pôde”, “pôr”, “têm”, “vêm”, “mantém” e “mantêm”.
Quinto, o trema foi eliminado das palavras portuguesas. Assim, escreve-se “linguiça”, “frequente”, “tranquilo”, “consequência” e “cinquenta”, sem trema. O trema só permanece em nomes próprios estrangeiros e derivados, quando houver.
Em concursos, é comum a banca colocar formas antigas para confundir o candidato. Palavras como “idéia”, “assembléia”, “vôo”, “enjôo”, “lêem” e “vêem” estão fora da ortografia atual.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, acentuação gráfica costuma aparecer de maneira objetiva. A banca pode pedir a alternativa em que todas as palavras estão corretamente acentuadas, a palavra cuja acentuação segue a mesma regra de outra, ou a justificativa correta para determinado acento.
A Cebraspe costuma cobrar a lógica da regra, especialmente comparação entre palavras. A FGV gosta de explorar exceções, acento diferencial e palavras de uso formal. A FCC costuma trabalhar classificação das palavras e justificativa da acentuação. A Vunesp cobra bastante grafia correta e palavras frequentes.
Para a área fiscal, vale ter atenção especial a palavras como “jurídico”, “tributário”, “necessário”, “relatório”, “órgão”, “competência”, “econômico”, “público”, “contábil”, “possível”, “crédito”, “débito”, “código”, “parágrafo”, “hipótese”, “análise”, “sintético” e “analítico”.
A banca também pode cobrar acentuação em palavras ligadas à administração pública, como “secretária” e “secretaria”. “Secretária”, com acento, pode indicar a pessoa que exerce a função. “Secretaria”, sem acento, indica o órgão, repartição ou pasta administrativa. O contexto define o sentido.
Acentuação gráfica depende da sílaba tônica. Oxítonas têm a última sílaba forte e são acentuadas quando terminam em “a”, “e”, “o”, “em” e “ens”. Paroxítonas têm a penúltima sílaba forte e são acentuadas quando terminam em certas terminações, como “l”, “n”, “r”, “x”, “i”, “is”, “us”, “um”, “uns”, “ão”, “ãos”, “ã”, “ãs”, “ps” e ditongos. Proparoxítonas têm a antepenúltima sílaba forte e são sempre acentuadas.
Ditongos abertos “éi” e “ói” não são mais acentuados em paroxítonas, como “ideia” e “heroico”, mas continuam acentuados em oxítonas e monossílabos, como “herói”, “papéis” e “céu”.
Nos hiatos, acentuam-se “i” e “u” tônicos quando aparecem sozinhos na sílaba ou acompanhados de “s”, como em “saída”, “país” e “saúde”. Mas não se acentuam em casos como “rainha”, “moinho” e “feiura”.
O acento diferencial permanece em “pôde”, “pôr”, “têm”, “vêm” e nos derivados de “ter” e “vir”, como “mantém” e “mantêm”. O Novo Acordo eliminou acentos em palavras como “ideia”, “assembleia”, “voo”, “enjoo”, “leem” e “veem”.
Para prova, a estratégia é simples: identifique a sílaba tônica, classifique a palavra e aplique a regra. Acentuação não deve ser resolvida por aparência, mas por análise da estrutura da palavra.
Coesão e coerência textual são assuntos centrais em Língua Portuguesa para concursos fiscais. Eles aparecem em interpretação de textos, reescrita de frases, conectivos, pronomes, pontuação, sentido das palavras, relações lógicas e organização argumentativa.
A coesão está ligada à conexão entre as partes do texto. É o modo como palavras, frases, períodos e parágrafos se ligam. A coerência está ligada ao sentido global. É o que faz o texto ser lógico, compreensível e não contraditório.
Em prova, a banca quer saber se o candidato percebe como uma ideia retoma outra, como os conectivos mudam o sentido, como os pronomes recuperam termos anteriores e como os argumentos se organizam de forma lógica.
Referenciação é o processo pelo qual o texto apresenta, retoma ou substitui informações, pessoas, objetos, ideias e fatos.
Quando um termo aparece no texto, ele pode ser retomado depois por pronomes, sinônimos, expressões equivalentes, advérbios ou elipses. Isso evita repetição excessiva e mantém a continuidade textual.
Por exemplo: “A fiscalização tributária foi intensificada. Essa medida busca combater a sonegação.” A expressão “essa medida” retoma a intensificação da fiscalização tributária.
Em concursos, a banca costuma perguntar a que termo um pronome ou expressão se refere. Esse tipo de questão exige leitura cuidadosa, porque muitas alternativas erradas indicam um referente próximo, mas incorreto.
A referenciação pode ocorrer para trás ou para frente. Quando retoma algo já mencionado, chama-se anáfora. Quando antecipa algo que ainda será explicado, chama-se catáfora.
Exemplo de anáfora: “O contribuinte apresentou recurso. Ele alegou erro no lançamento.” O pronome “ele” retoma “o contribuinte”.
Exemplo de catáfora: “Isto é essencial: respeitar o prazo legal.” O pronome “isto” antecipa a ideia “respeitar o prazo legal”.
Pronomes, advérbios e expressões referenciais são instrumentos importantes de coesão textual.
Os pronomes podem retomar pessoas, objetos, fatos ou ideias. Exemplos: “ele”, “ela”, “isso”, “aquilo”, “este”, “esse”, “aquele”, “seu”, “sua”, “o qual”, “cujo”.
Em prova, é muito comum a banca perguntar o referente de “ele”, “isso”, “esse”, “tal”, “o qual” ou “cujo”. O candidato deve voltar ao texto e verificar qual termo faz sentido gramatical e semanticamente.
Advérbios também podem funcionar como elementos referenciais. Palavras como “aqui”, “ali”, “lá”, “então”, “depois”, “antes”, “assim” e “desse modo” retomam lugares, tempos, modos ou ideias.
Exemplo: “O processo foi analisado em 2024. Naquele ano, houve aumento de demandas.” A expressão “naquele ano” retoma 2024.
Expressões referenciais também são muito usadas. Exemplos: “essa situação”, “tal medida”, “esse problema”, “a referida norma”, “o mencionado órgão”, “a decisão anterior”.
Em textos administrativos e jurídicos, expressões como “referido”, “supracitado”, “mencionado” e “respectivo” aparecem com frequência. Elas servem para evitar ambiguidade e indicar retomada de informações anteriores.
Substituição lexical ocorre quando uma palavra é retomada por outra de sentido equivalente, aproximado ou mais específico.
Exemplo: “A Receita Federal intensificou a fiscalização. O órgão também ampliou o uso de tecnologia.” A expressão “o órgão” substitui “Receita Federal”.
Outro exemplo: “O imposto foi questionado. O tributo, segundo os contribuintes, teria sido calculado de forma incorreta.” A palavra “tributo” retoma “imposto”.
Substituição pronominal ocorre quando um termo é retomado por pronome.
Exemplo: “O auditor analisou os documentos e os encaminhou ao setor competente.” O pronome “os” retoma “os documentos”.
Em concursos, esse assunto aparece em questões de coesão, clareza e ambiguidade. A banca pode perguntar se uma substituição mantém o sentido original ou se gera erro.
O cuidado principal é verificar se o termo substituto realmente corresponde ao termo original. Nem todo sinônimo aparente funciona em qualquer contexto. Em textos fiscais, por exemplo, “imposto”, “taxa”, “contribuição” e “tributo” não são sempre equivalentes. “Tributo” é gênero; “imposto”, “taxa” e “contribuição” são espécies.
Elipse é a omissão de um termo que pode ser recuperado pelo contexto. Ela evita repetição e torna o texto mais fluido.
Exemplo: “O auditor analisou o processo; o servidor, o relatório.” Na segunda parte, o verbo “analisou” foi omitido, mas pode ser entendido pelo contexto: “o servidor analisou o relatório”.
Outro exemplo: “Alguns contribuintes recorreram; outros não.” A expressão omitida é “recorreram”.
A elipse é um recurso de coesão porque permite que o texto avance sem repetir palavras desnecessárias.
Em prova, a banca pode cobrar a identificação do termo omitido ou perguntar se a omissão compromete a clareza.
O cuidado principal é que a elipse só funciona quando o termo omitido é facilmente recuperável. Se a omissão gerar dúvida, ambiguidade ou quebra de sentido, ela prejudica a coesão e a coerência.
Em textos oficiais, administrativos e jurídicos, a elipse deve ser usada com cautela, porque esses textos exigem precisão.
A repetição pode ser defeito ou recurso. Quando é excessiva e desnecessária, empobrece o texto. Quando é controlada e intencional, ajuda a reforçar ideias, manter o foco e garantir clareza.
Em textos técnicos, jurídicos e administrativos, às vezes a repetição é necessária para evitar ambiguidade. Por exemplo, repetir o nome de uma lei, de um órgão ou de um procedimento pode ser melhor do que usar um pronome confuso.
Progressão textual é o avanço organizado das ideias. Um texto coerente não fica parado na mesma informação. Ele apresenta um tema, acrescenta dados, desenvolve argumentos, explica relações e chega a uma conclusão.
A progressão depende de equilíbrio entre informação conhecida e informação nova. O texto retoma o que já foi dito e acrescenta algo.
Exemplo: “A fiscalização digital ampliou a capacidade de análise do Fisco. Essa ampliação permitiu cruzamentos de dados mais precisos. Com isso, aumentou a identificação de inconsistências fiscais.”
Nesse exemplo, cada frase retoma a anterior e acrescenta uma informação nova. Isso cria continuidade e avanço.
Em concursos, a banca pode perguntar se a substituição de uma palavra por outra mantém a progressão, se uma frase quebra a sequência lógica ou se determinado parágrafo retoma corretamente o anterior.
Conectores são palavras ou expressões que ligam partes do texto e indicam relações de sentido. Operadores argumentativos são conectores ou expressões que orientam a argumentação, mostrando oposição, conclusão, reforço, comparação, causa, consequência, concessão, condição, finalidade ou explicação.
Exemplos de conectores: “porque”, “portanto”, “contudo”, “embora”, “além disso”, “por isso”, “assim”, “se”, “caso”, “quando”, “enquanto”, “para que”, “a fim de que”.
Exemplos de operadores argumentativos: “inclusive”, “até”, “mesmo”, “apenas”, “sobretudo”, “ao contrário”, “por outro lado”, “em suma”, “logo”, “assim”, “consequentemente”.
Em prova, conectores são muito cobrados porque pequenas trocas mudam o sentido da frase.
Por exemplo, “mas” indica oposição. “Portanto” indica conclusão. “Porque” indica explicação ou causa. “Embora” indica concessão. “Se” indica condição. “Para que” indica finalidade.
A banca pode pedir a substituição de um conectivo por outro sem alteração de sentido. Para acertar, o candidato deve observar a relação lógica entre as ideias, não apenas decorar sinônimos.
As relações lógico-semânticas são as relações de sentido entre partes do texto. Elas são fundamentais para interpretação e reescrita.
A relação de causa indica o motivo de um fato.
Exemplo: “O processo foi arquivado porque o prazo havia expirado.” A causa do arquivamento foi a expiração do prazo.
A relação de consequência indica o resultado de um fato.
Exemplo: “O prazo expirou, portanto o processo foi arquivado.” O arquivamento é consequência da expiração do prazo.
A relação de concessão apresenta uma ideia contrária ao esperado, mas insuficiente para impedir o fato principal.
Exemplo: “Embora houvesse divergência, o parecer foi aprovado.” A divergência existia, mas não impediu a aprovação.
A relação de condição indica uma hipótese necessária para que algo ocorra.
Exemplo: “Se o contribuinte apresentar os documentos, o pedido será analisado.” A análise depende da apresentação dos documentos.
A relação de finalidade indica objetivo.
Exemplo: “O sistema foi atualizado para que os dados fossem processados com mais segurança.” A finalidade da atualização foi aumentar a segurança do processamento.
A relação de oposição indica contraste entre ideias.
Exemplo: “O relatório é extenso, mas apresenta informações relevantes.” Há contraste entre extensão e relevância.
A relação de comparação aproxima duas ideias.
Exemplo: “A fiscalização digital é mais eficiente que o controle exclusivamente manual.” Há comparação entre dois modelos de fiscalização.
A relação de conclusão apresenta uma decorrência lógica.
Exemplo: “Os dados são inconsistentes; logo, será necessária nova análise.” A nova análise é conclusão lógica da inconsistência.
A relação de explicação esclarece ou justifica uma afirmação anterior.
Exemplo: “O pedido deve ser indeferido, pois não atende aos requisitos legais.” A segunda parte explica a razão do indeferimento.
Em concursos fiscais, esse item é essencial. Muitas questões dependem da identificação correta dessas relações.
Coerência interna é a lógica dentro do próprio texto. As ideias precisam se relacionar sem contradição, sem salto indevido e sem quebra de sentido.
Exemplo de incoerência interna: “Todos os documentos foram entregues, mas nenhum documento foi apresentado.” Há contradição dentro do próprio texto.
A coerência interna exige continuidade, progressão, compatibilidade entre ideias e respeito às relações lógicas.
Coerência externa é a compatibilidade do texto com o conhecimento de mundo, com a realidade, com o contexto comunicativo ou com informações externas reconhecidas.
Exemplo: se um texto afirma que uma lei foi aplicada antes de existir, há problema de coerência externa, porque a informação entra em conflito com a realidade histórica.
Em prova, a coerência externa deve ser analisada com cuidado. Em interpretação textual, a prioridade é o texto. O candidato não deve usar conhecimento externo para contrariar o texto, salvo quando a questão perguntar expressamente sobre adequação ao mundo, verossimilhança ou conhecimento contextual.
Em textos administrativos, a coerência externa também envolve adequação ao gênero, ao público e à finalidade. Um ofício com linguagem de conversa informal pode até ser compreensível, mas é inadequado ao contexto oficial.
Coerência argumentativa é a organização lógica dos argumentos em defesa de uma tese.
Um texto argumentativo coerente apresenta uma posição clara, argumentos compatíveis com essa posição, exemplos pertinentes e conclusão alinhada ao desenvolvimento.
A incoerência argumentativa ocorre quando o texto defende uma tese, mas apresenta argumentos que não a sustentam, se contradiz ou conclui algo que não decorre do que foi apresentado.
Exemplo: se o autor defende que a fiscalização digital melhora a eficiência do Fisco, mas usa apenas argumentos sobre a beleza do sistema, há problema de pertinência argumentativa. O argumento não sustenta adequadamente a tese.
Outro problema comum é a generalização indevida. Isso ocorre quando o texto parte de um caso isolado e conclui algo amplo demais.
Em concursos, a banca pode perguntar se determinado argumento sustenta a tese, se há contradição, se uma conclusão é compatível com as premissas ou se uma informação enfraquece o ponto de vista do autor.
Em provas fiscais, isso é muito relevante porque os textos costumam tratar de administração pública, eficiência, arrecadação, tecnologia, cidadania fiscal, controle, transparência e políticas públicas.
Paralelismo é a repetição equilibrada de estruturas semelhantes. Ele ajuda a dar clareza, ritmo e organização ao texto.
Paralelismo sintático ocorre quando elementos coordenados têm a mesma estrutura gramatical.
Exemplo adequado: “O servidor deve analisar o processo, elaborar o relatório e encaminhar a decisão.” Os três verbos estão no infinitivo: analisar, elaborar e encaminhar.
Exemplo inadequado: “O servidor deve analisar o processo, a elaboração do relatório e encaminhar a decisão.” A estrutura ficou desequilibrada, porque mistura verbo, substantivo e verbo.
Paralelismo semântico ocorre quando os elementos comparados ou coordenados pertencem ao mesmo campo de sentido e são logicamente compatíveis.
Exemplo adequado: “A medida busca aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar o atendimento.” As três ideias são ações administrativas compatíveis.
Exemplo inadequado: “A medida busca aumentar a eficiência, reduzir custos e a população.” A última expressão quebra o sentido.
Em concursos, paralelismo aparece muito em questões de reescrita, correção gramatical, clareza e coesão. A banca pode apresentar uma frase com enumeração mal construída e perguntar qual alternativa corrige o problema.
Em redação oficial, o paralelismo é importante porque melhora a precisão e evita ambiguidades.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, coesão e coerência são cobradas de forma intensa. Mesmo quando a questão parece ser apenas de gramática, muitas vezes depende da compreensão das relações textuais.
A banca pode perguntar a que termo um pronome se refere, qual conectivo mantém o sentido original, que relação lógica existe entre duas orações, se uma reescrita preserva a coerência, se há ambiguidade na retomada, ou se uma conclusão é compatível com o argumento apresentado.
A Cebraspe costuma cobrar referenciação, substituição de termos e manutenção do sentido. A FGV explora bastante conectores, operadores argumentativos, efeitos de sentido e coerência argumentativa. A FCC valoriza coesão, paralelismo, clareza e reescrita. A Vunesp costuma cobrar relação entre partes do texto, ideia central, conectivos e progressão textual.
Para concursos fiscais, é importante treinar especialmente textos argumentativos, administrativos, jurídicos e institucionais, porque esses gêneros exigem precisão, lógica e clareza.
Coesão é a ligação entre as partes do texto. Coerência é a construção lógica do sentido.
A referenciação permite retomar pessoas, objetos, fatos e ideias por meio de pronomes, advérbios, expressões referenciais, substituições e elipses. A substituição lexical e pronominal evita repetição, mas precisa manter o sentido. A elipse omite termos recuperáveis pelo contexto.
A repetição pode ser defeito quando é excessiva, mas pode ser recurso quando ajuda na clareza. A progressão textual ocorre quando o texto avança, retomando informações anteriores e acrescentando ideias novas.
Conectores e operadores argumentativos indicam relações de causa, consequência, concessão, condição, finalidade, oposição, comparação, conclusão e explicação. Esses conectivos são decisivos em prova porque mudam o sentido da frase.
A coerência interna exige lógica dentro do texto. A coerência externa exige compatibilidade com o contexto e com o conhecimento de mundo. A coerência argumentativa exige que tese, argumentos e conclusão estejam alinhados.
Paralelismo sintático é equilíbrio de estruturas gramaticais. Paralelismo semântico é equilíbrio de sentidos. Em prova, a regra principal é observar se as partes do texto se conectam bem e se o sentido se mantém claro, lógico e sem contradição.
Coesão e coerência textual são assuntos centrais em Língua Portuguesa para concursos fiscais. Eles aparecem em interpretação de textos, reescrita de frases, conectivos, pronomes, pontuação, sentido das palavras, relações lógicas e organização argumentativa.
A coesão está ligada à conexão entre as partes do texto. É o modo como palavras, frases, períodos e parágrafos se ligam. A coerência está ligada ao sentido global. É o que faz o texto ser lógico, compreensível e não contraditório.
Em prova, a banca quer saber se o candidato percebe como uma ideia retoma outra, como os conectivos mudam o sentido, como os pronomes recuperam termos anteriores e como os argumentos se organizam de forma lógica.
Referenciação é o processo pelo qual o texto apresenta, retoma ou substitui informações, pessoas, objetos, ideias e fatos.
Quando um termo aparece no texto, ele pode ser retomado depois por pronomes, sinônimos, expressões equivalentes, advérbios ou elipses. Isso evita repetição excessiva e mantém a continuidade textual.
Por exemplo: “A fiscalização tributária foi intensificada. Essa medida busca combater a sonegação.” A expressão “essa medida” retoma a intensificação da fiscalização tributária.
Em concursos, a banca costuma perguntar a que termo um pronome ou expressão se refere. Esse tipo de questão exige leitura cuidadosa, porque muitas alternativas erradas indicam um referente próximo, mas incorreto.
A referenciação pode ocorrer para trás ou para frente. Quando retoma algo já mencionado, chama-se anáfora. Quando antecipa algo que ainda será explicado, chama-se catáfora.
Exemplo de anáfora: “O contribuinte apresentou recurso. Ele alegou erro no lançamento.” O pronome “ele” retoma “o contribuinte”.
Exemplo de catáfora: “Isto é essencial: respeitar o prazo legal.” O pronome “isto” antecipa a ideia “respeitar o prazo legal”.
Pronomes, advérbios e expressões referenciais são instrumentos importantes de coesão textual.
Os pronomes podem retomar pessoas, objetos, fatos ou ideias. Exemplos: “ele”, “ela”, “isso”, “aquilo”, “este”, “esse”, “aquele”, “seu”, “sua”, “o qual”, “cujo”.
Em prova, é muito comum a banca perguntar o referente de “ele”, “isso”, “esse”, “tal”, “o qual” ou “cujo”. O candidato deve voltar ao texto e verificar qual termo faz sentido gramatical e semanticamente.
Advérbios também podem funcionar como elementos referenciais. Palavras como “aqui”, “ali”, “lá”, “então”, “depois”, “antes”, “assim” e “desse modo” retomam lugares, tempos, modos ou ideias.
Exemplo: “O processo foi analisado em 2024. Naquele ano, houve aumento de demandas.” A expressão “naquele ano” retoma 2024.
Expressões referenciais também são muito usadas. Exemplos: “essa situação”, “tal medida”, “esse problema”, “a referida norma”, “o mencionado órgão”, “a decisão anterior”.
Em textos administrativos e jurídicos, expressões como “referido”, “supracitado”, “mencionado” e “respectivo” aparecem com frequência. Elas servem para evitar ambiguidade e indicar retomada de informações anteriores.
Substituição lexical ocorre quando uma palavra é retomada por outra de sentido equivalente, aproximado ou mais específico.
Exemplo: “A Receita Federal intensificou a fiscalização. O órgão também ampliou o uso de tecnologia.” A expressão “o órgão” substitui “Receita Federal”.
Outro exemplo: “O imposto foi questionado. O tributo, segundo os contribuintes, teria sido calculado de forma incorreta.” A palavra “tributo” retoma “imposto”.
Substituição pronominal ocorre quando um termo é retomado por pronome.
Exemplo: “O auditor analisou os documentos e os encaminhou ao setor competente.” O pronome “os” retoma “os documentos”.
Em concursos, esse assunto aparece em questões de coesão, clareza e ambiguidade. A banca pode perguntar se uma substituição mantém o sentido original ou se gera erro.
O cuidado principal é verificar se o termo substituto realmente corresponde ao termo original. Nem todo sinônimo aparente funciona em qualquer contexto. Em textos fiscais, por exemplo, “imposto”, “taxa”, “contribuição” e “tributo” não são sempre equivalentes. “Tributo” é gênero; “imposto”, “taxa” e “contribuição” são espécies.
Elipse é a omissão de um termo que pode ser recuperado pelo contexto. Ela evita repetição e torna o texto mais fluido.
Exemplo: “O auditor analisou o processo; o servidor, o relatório.” Na segunda parte, o verbo “analisou” foi omitido, mas pode ser entendido pelo contexto: “o servidor analisou o relatório”.
Outro exemplo: “Alguns contribuintes recorreram; outros não.” A expressão omitida é “recorreram”.
A elipse é um recurso de coesão porque permite que o texto avance sem repetir palavras desnecessárias.
Em prova, a banca pode cobrar a identificação do termo omitido ou perguntar se a omissão compromete a clareza.
O cuidado principal é que a elipse só funciona quando o termo omitido é facilmente recuperável. Se a omissão gerar dúvida, ambiguidade ou quebra de sentido, ela prejudica a coesão e a coerência.
Em textos oficiais, administrativos e jurídicos, a elipse deve ser usada com cautela, porque esses textos exigem precisão.
A repetição pode ser defeito ou recurso. Quando é excessiva e desnecessária, empobrece o texto. Quando é controlada e intencional, ajuda a reforçar ideias, manter o foco e garantir clareza.
Em textos técnicos, jurídicos e administrativos, às vezes a repetição é necessária para evitar ambiguidade. Por exemplo, repetir o nome de uma lei, de um órgão ou de um procedimento pode ser melhor do que usar um pronome confuso.
Progressão textual é o avanço organizado das ideias. Um texto coerente não fica parado na mesma informação. Ele apresenta um tema, acrescenta dados, desenvolve argumentos, explica relações e chega a uma conclusão.
A progressão depende de equilíbrio entre informação conhecida e informação nova. O texto retoma o que já foi dito e acrescenta algo.
Exemplo: “A fiscalização digital ampliou a capacidade de análise do Fisco. Essa ampliação permitiu cruzamentos de dados mais precisos. Com isso, aumentou a identificação de inconsistências fiscais.”
Nesse exemplo, cada frase retoma a anterior e acrescenta uma informação nova. Isso cria continuidade e avanço.
Em concursos, a banca pode perguntar se a substituição de uma palavra por outra mantém a progressão, se uma frase quebra a sequência lógica ou se determinado parágrafo retoma corretamente o anterior.
Conectores são palavras ou expressões que ligam partes do texto e indicam relações de sentido. Operadores argumentativos são conectores ou expressões que orientam a argumentação, mostrando oposição, conclusão, reforço, comparação, causa, consequência, concessão, condição, finalidade ou explicação.
Exemplos de conectores: “porque”, “portanto”, “contudo”, “embora”, “além disso”, “por isso”, “assim”, “se”, “caso”, “quando”, “enquanto”, “para que”, “a fim de que”.
Exemplos de operadores argumentativos: “inclusive”, “até”, “mesmo”, “apenas”, “sobretudo”, “ao contrário”, “por outro lado”, “em suma”, “logo”, “assim”, “consequentemente”.
Em prova, conectores são muito cobrados porque pequenas trocas mudam o sentido da frase.
Por exemplo, “mas” indica oposição. “Portanto” indica conclusão. “Porque” indica explicação ou causa. “Embora” indica concessão. “Se” indica condição. “Para que” indica finalidade.
A banca pode pedir a substituição de um conectivo por outro sem alteração de sentido. Para acertar, o candidato deve observar a relação lógica entre as ideias, não apenas decorar sinônimos.
As relações lógico-semânticas são as relações de sentido entre partes do texto. Elas são fundamentais para interpretação e reescrita.
A relação de causa indica o motivo de um fato.
Exemplo: “O processo foi arquivado porque o prazo havia expirado.” A causa do arquivamento foi a expiração do prazo.
A relação de consequência indica o resultado de um fato.
Exemplo: “O prazo expirou, portanto o processo foi arquivado.” O arquivamento é consequência da expiração do prazo.
A relação de concessão apresenta uma ideia contrária ao esperado, mas insuficiente para impedir o fato principal.
Exemplo: “Embora houvesse divergência, o parecer foi aprovado.” A divergência existia, mas não impediu a aprovação.
A relação de condição indica uma hipótese necessária para que algo ocorra.
Exemplo: “Se o contribuinte apresentar os documentos, o pedido será analisado.” A análise depende da apresentação dos documentos.
A relação de finalidade indica objetivo.
Exemplo: “O sistema foi atualizado para que os dados fossem processados com mais segurança.” A finalidade da atualização foi aumentar a segurança do processamento.
A relação de oposição indica contraste entre ideias.
Exemplo: “O relatório é extenso, mas apresenta informações relevantes.” Há contraste entre extensão e relevância.
A relação de comparação aproxima duas ideias.
Exemplo: “A fiscalização digital é mais eficiente que o controle exclusivamente manual.” Há comparação entre dois modelos de fiscalização.
A relação de conclusão apresenta uma decorrência lógica.
Exemplo: “Os dados são inconsistentes; logo, será necessária nova análise.” A nova análise é conclusão lógica da inconsistência.
A relação de explicação esclarece ou justifica uma afirmação anterior.
Exemplo: “O pedido deve ser indeferido, pois não atende aos requisitos legais.” A segunda parte explica a razão do indeferimento.
Em concursos fiscais, esse item é essencial. Muitas questões dependem da identificação correta dessas relações.
Coerência interna é a lógica dentro do próprio texto. As ideias precisam se relacionar sem contradição, sem salto indevido e sem quebra de sentido.
Exemplo de incoerência interna: “Todos os documentos foram entregues, mas nenhum documento foi apresentado.” Há contradição dentro do próprio texto.
A coerência interna exige continuidade, progressão, compatibilidade entre ideias e respeito às relações lógicas.
Coerência externa é a compatibilidade do texto com o conhecimento de mundo, com a realidade, com o contexto comunicativo ou com informações externas reconhecidas.
Exemplo: se um texto afirma que uma lei foi aplicada antes de existir, há problema de coerência externa, porque a informação entra em conflito com a realidade histórica.
Em prova, a coerência externa deve ser analisada com cuidado. Em interpretação textual, a prioridade é o texto. O candidato não deve usar conhecimento externo para contrariar o texto, salvo quando a questão perguntar expressamente sobre adequação ao mundo, verossimilhança ou conhecimento contextual.
Em textos administrativos, a coerência externa também envolve adequação ao gênero, ao público e à finalidade. Um ofício com linguagem de conversa informal pode até ser compreensível, mas é inadequado ao contexto oficial.
Coerência argumentativa é a organização lógica dos argumentos em defesa de uma tese.
Um texto argumentativo coerente apresenta uma posição clara, argumentos compatíveis com essa posição, exemplos pertinentes e conclusão alinhada ao desenvolvimento.
A incoerência argumentativa ocorre quando o texto defende uma tese, mas apresenta argumentos que não a sustentam, se contradiz ou conclui algo que não decorre do que foi apresentado.
Exemplo: se o autor defende que a fiscalização digital melhora a eficiência do Fisco, mas usa apenas argumentos sobre a beleza do sistema, há problema de pertinência argumentativa. O argumento não sustenta adequadamente a tese.
Outro problema comum é a generalização indevida. Isso ocorre quando o texto parte de um caso isolado e conclui algo amplo demais.
Em concursos, a banca pode perguntar se determinado argumento sustenta a tese, se há contradição, se uma conclusão é compatível com as premissas ou se uma informação enfraquece o ponto de vista do autor.
Em provas fiscais, isso é muito relevante porque os textos costumam tratar de administração pública, eficiência, arrecadação, tecnologia, cidadania fiscal, controle, transparência e políticas públicas.
Paralelismo é a repetição equilibrada de estruturas semelhantes. Ele ajuda a dar clareza, ritmo e organização ao texto.
Paralelismo sintático ocorre quando elementos coordenados têm a mesma estrutura gramatical.
Exemplo adequado: “O servidor deve analisar o processo, elaborar o relatório e encaminhar a decisão.” Os três verbos estão no infinitivo: analisar, elaborar e encaminhar.
Exemplo inadequado: “O servidor deve analisar o processo, a elaboração do relatório e encaminhar a decisão.” A estrutura ficou desequilibrada, porque mistura verbo, substantivo e verbo.
Paralelismo semântico ocorre quando os elementos comparados ou coordenados pertencem ao mesmo campo de sentido e são logicamente compatíveis.
Exemplo adequado: “A medida busca aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar o atendimento.” As três ideias são ações administrativas compatíveis.
Exemplo inadequado: “A medida busca aumentar a eficiência, reduzir custos e a população.” A última expressão quebra o sentido.
Em concursos, paralelismo aparece muito em questões de reescrita, correção gramatical, clareza e coesão. A banca pode apresentar uma frase com enumeração mal construída e perguntar qual alternativa corrige o problema.
Em redação oficial, o paralelismo é importante porque melhora a precisão e evita ambiguidades.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, coesão e coerência são cobradas de forma intensa. Mesmo quando a questão parece ser apenas de gramática, muitas vezes depende da compreensão das relações textuais.
A banca pode perguntar a que termo um pronome se refere, qual conectivo mantém o sentido original, que relação lógica existe entre duas orações, se uma reescrita preserva a coerência, se há ambiguidade na retomada, ou se uma conclusão é compatível com o argumento apresentado.
A Cebraspe costuma cobrar referenciação, substituição de termos e manutenção do sentido. A FGV explora bastante conectores, operadores argumentativos, efeitos de sentido e coerência argumentativa. A FCC valoriza coesão, paralelismo, clareza e reescrita. A Vunesp costuma cobrar relação entre partes do texto, ideia central, conectivos e progressão textual.
Para concursos fiscais, é importante treinar especialmente textos argumentativos, administrativos, jurídicos e institucionais, porque esses gêneros exigem precisão, lógica e clareza.
Coesão é a ligação entre as partes do texto. Coerência é a construção lógica do sentido.
A referenciação permite retomar pessoas, objetos, fatos e ideias por meio de pronomes, advérbios, expressões referenciais, substituições e elipses. A substituição lexical e pronominal evita repetição, mas precisa manter o sentido. A elipse omite termos recuperáveis pelo contexto.
A repetição pode ser defeito quando é excessiva, mas pode ser recurso quando ajuda na clareza. A progressão textual ocorre quando o texto avança, retomando informações anteriores e acrescentando ideias novas.
Conectores e operadores argumentativos indicam relações de causa, consequência, concessão, condição, finalidade, oposição, comparação, conclusão e explicação. Esses conectivos são decisivos em prova porque mudam o sentido da frase.
A coerência interna exige lógica dentro do texto. A coerência externa exige compatibilidade com o contexto e com o conhecimento de mundo. A coerência argumentativa exige que tese, argumentos e conclusão estejam alinhados.
Paralelismo sintático é equilíbrio de estruturas gramaticais. Paralelismo semântico é equilíbrio de sentidos. Em prova, a regra principal é observar se as partes do texto se conectam bem e se o sentido se mantém claro, lógico e sem contradição.
Morfologia é a parte da gramática que estuda as palavras de forma individual: sua estrutura, sua classificação, suas flexões e seus valores de sentido. Em concursos fiscais, morfologia é base para quase tudo em Língua Portuguesa. Ela ajuda a entender concordância, regência, crase, colocação pronominal, pontuação, reescrita, interpretação e análise sintática.
Em prova, a banca não costuma cobrar apenas “decore a classe da palavra”. Ela cobra o funcionamento da palavra dentro do contexto. Uma mesma palavra pode mudar de classe conforme o uso. Por isso, o candidato precisa analisar a função e o sentido da palavra na frase.
A regra principal é: em morfologia, não basta olhar a palavra isolada. É preciso observar como ela está funcionando no período.
As classes de palavras são os grupos em que as palavras da língua portuguesa são classificadas de acordo com sua função, forma e sentido.
As principais classes são: substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
Algumas classes são variáveis, ou seja, podem sofrer flexão. É o caso de substantivos, adjetivos, artigos, numerais, pronomes e verbos.
Outras classes são invariáveis, ou seja, normalmente não sofrem flexão. É o caso de advérbios, preposições, conjunções e interjeições.
Em concursos, a banca costuma explorar a mudança de classe gramatical. Por exemplo, a palavra “claro” pode ser adjetivo em “relatório claro”, mas pode funcionar como advérbio em “falou claro”. A palavra “não” costuma ser advérbio de negação, mas pode virar substantivo em “recebeu um não”.
Por isso, a classificação deve sempre considerar o contexto.
Substantivo é a classe de palavra que nomeia seres, coisas, lugares, sentimentos, ações, ideias, instituições, fenômenos e conceitos.
Exemplos: “auditor”, “tributo”, “processo”, “fiscalização”, “Estado”, “justiça”, “eficiência”, “arrecadação”, “lei” e “administração”.
O substantivo pode ser comum ou próprio. Substantivo comum nomeia de forma genérica, como “órgão”, “servidor”, “município” e “empresa”. Substantivo próprio individualiza, como “Receita Federal”, “Distrito Federal”, “Brasil” e “Secretaria de Fazenda”.
Também pode ser concreto ou abstrato. Concreto nomeia algo com existência própria ou concebida como independente, como “documento”, “sistema”, “contribuinte” e “repartição”. Abstrato nomeia ideia, qualidade, ação, estado ou sentimento, como “legalidade”, “competência”, “omissão”, “transparência” e “responsabilidade”.
Em concursos fiscais, substantivos abstratos aparecem muito em textos jurídicos e administrativos. Palavras como “competência”, “isenção”, “imunidade”, “obrigação”, “responsabilidade” e “capacidade” precisam ser interpretadas pelo contexto.
O substantivo pode variar em gênero, número e grau. Exemplos: “servidor/servidora”, “processo/processos”, “livro/livrinho/livrão”.
Adjetivo é a palavra que caracteriza, qualifica, restringe ou especifica um substantivo.
Exemplos: “processo administrativo”, “norma tributária”, “relatório técnico”, “gestão eficiente”, “medida necessária”, “órgão competente”.
O adjetivo pode indicar qualidade, estado, origem, relação, finalidade ou característica.
Em provas, é muito importante perceber que o adjetivo pode ter valor subjetivo ou objetivo. Em “decisão ilegal”, o adjetivo aponta uma característica jurídica. Em “decisão absurda”, há avaliação mais subjetiva.
Também é comum a banca cobrar a diferença de sentido conforme a posição do adjetivo.
Por exemplo, “homem grande” pode indicar tamanho físico. “Grande homem” pode indicar valor moral, importância ou admiração.
Em textos fiscais e administrativos, muitos adjetivos têm valor técnico, como “tributário”, “fiscal”, “administrativo”, “legal”, “constitucional”, “normativo”, “financeiro” e “contábil”.
O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Por isso, dizemos “norma clara”, “normas claras”, “relatório claro” e “relatórios claros”.
Artigo é a palavra que acompanha o substantivo, indicando gênero e número, e ajudando a determinar ou indeterminar o ser nomeado.
Os artigos definidos são “o”, “a”, “os” e “as”. Eles indicam algo conhecido, determinado ou já mencionado.
Exemplo: “O relatório foi encaminhado.” Aqui, entende-se que se trata de um relatório específico.
Os artigos indefinidos são “um”, “uma”, “uns” e “umas”. Eles indicam algo não especificado ou não individualizado.
Exemplo: “Um relatório foi encaminhado.” Aqui, fala-se de um relatório qualquer ou ainda não identificado.
Em concursos, o artigo é importante porque pode substantivar palavras de outras classes.
Exemplo: “O necessário foi feito.” A palavra “necessário”, que normalmente é adjetivo, passa a funcionar como substantivo por causa do artigo “o”.
Outro exemplo: “Recebeu um não.” A palavra “não”, normalmente advérbio, passa a funcionar como substantivo.
O artigo também é importante para crase, concordância e interpretação. Em “a fiscalização” há artigo feminino. Em “a fiscalizar”, o “a” é apenas preposição antes de verbo, não artigo.
Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, multiplicação ou fração.
Os numerais cardinais indicam quantidade: “um”, “dois”, “três”, “cem”, “mil”.
Os numerais ordinais indicam ordem: “primeiro”, “segundo”, “terceiro”, “décimo”.
Os numerais multiplicativos indicam multiplicação: “dobro”, “triplo”, “quádruplo”.
Os numerais fracionários indicam divisão: “meio”, “terço”, “quarto”.
Em textos jurídicos e administrativos, numerais aparecem com frequência em leis, artigos, incisos, prazos, valores, percentuais, datas e classificações.
Exemplos: “primeiro parágrafo”, “duas vias”, “trinta dias”, “segunda instância”, “um terço da pena”, “dobro do valor”.
Em concursos, é importante perceber que alguns numerais variam e outros não. “Primeiro” varia: “primeira”, “primeiros”, “primeiras”. “Dois” varia em gênero: “dois” e “duas”. Já muitos cardinais, como “três”, “quatro” e “dez”, são invariáveis.
Também é importante distinguir numeral de artigo indefinido. Em “um servidor apresentou recurso”, “um” pode ser artigo indefinido se a ideia for apenas indeterminar. Mas em “apenas um servidor apresentou recurso”, há valor numeral, porque se enfatiza a quantidade.
Pronome é a palavra que substitui ou acompanha um nome, indicando pessoa, posse, posição, indefinição, quantidade, relação ou interrogação.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso: “eu”, “tu”, “ele”, “nós”, “vós”, “eles”, além de formas como “me”, “te”, “se”, “o”, “a”, “lhe”, “nos” e “vos”.
Os pronomes possessivos indicam posse ou relação: “meu”, “teu”, “seu”, “nosso”, “vosso”.
Os pronomes demonstrativos indicam posição no espaço, no tempo ou no texto: “este”, “esse”, “aquele”, “isto”, “isso”, “aquilo”.
Os pronomes indefinidos indicam ideia vaga ou imprecisa: “alguém”, “ninguém”, “tudo”, “nada”, “algum”, “nenhum”, “certo”, “vários”, “muitos”, “poucos”.
Os pronomes relativos retomam termo anterior e introduzem oração subordinada: “que”, “quem”, “cujo”, “onde”, “o qual”, “a qual”, “os quais”, “as quais”.
Os pronomes interrogativos aparecem em perguntas diretas ou indiretas: “quem”, “qual”, “quanto”, “que”.
Em concursos, os pronomes são muito cobrados em referenciação, coesão, colocação pronominal, ambiguidade, regência e concordância.
Exemplo: “O contribuinte apresentou recurso, que foi analisado pela autoridade competente.” O pronome relativo “que” retoma “recurso”.
Cuidado com o pronome “cujo”. Ele indica posse ou relação, concorda com o termo posterior e não deve ser usado com artigo depois dele. O correto é “o processo cujo relatório foi anexado”, e não “cujo o relatório”.
Em textos fiscais, pronomes mal empregados podem gerar ambiguidade. Por isso, a banca costuma perguntar a que termo determinado pronome se refere.
Verbo é a palavra que indica ação, estado, mudança de estado, fenômeno, ocorrência ou processo.
Exemplos: “analisar”, “decidir”, “fiscalizar”, “arrecadar”, “ser”, “estar”, “permanecer”, “ocorrer”, “haver”, “existir”.
O verbo é uma das classes mais importantes para concursos porque se relaciona com concordância, regência, tempos verbais, modos verbais, voz verbal, colocação pronominal e interpretação.
Os verbos flexionam em pessoa, número, tempo, modo e voz.
Pessoa: primeira, segunda ou terceira. Número: singular ou plural. Tempo: presente, passado ou futuro. Modo: indicativo, subjuntivo ou imperativo. Voz: ativa, passiva ou reflexiva.
O modo indicativo expressa fato certo ou apresentado como real. Exemplo: “O servidor analisou o processo.”
O modo subjuntivo expressa hipótese, dúvida, possibilidade, desejo ou condição. Exemplo: “Caso o contribuinte apresente defesa, o processo será reavaliado.”
O modo imperativo expressa ordem, pedido, orientação ou instrução. Exemplo: “Apresente os documentos no prazo.”
Em concursos fiscais, é essencial dominar verbos como “haver”, “existir”, “fazer”, “ser”, “tratar-se”, “ocorrer”, “implicar”, “proceder”, “assistir”, “visar”, “preferir” e “obedecer”, porque eles aparecem muito em concordância e regência.
Também é importante perceber o valor dos tempos verbais. O futuro do pretérito, por exemplo, pode indicar hipótese, cortesia ou possibilidade: “A medida poderia reduzir custos.”
Advérbio é a palavra que modifica verbo, adjetivo, outro advérbio ou até uma frase inteira, indicando circunstâncias.
As principais circunstâncias são tempo, lugar, modo, intensidade, afirmação, negação, dúvida, causa, finalidade e frequência.
Exemplos de tempo: “hoje”, “ontem”, “amanhã”, “sempre”, “nunca”, “agora”.
Exemplos de lugar: “aqui”, “ali”, “lá”, “acima”, “abaixo”.
Exemplos de modo: “bem”, “mal”, “rapidamente”, “cuidadosamente”.
Exemplos de intensidade: “muito”, “pouco”, “bastante”, “demais”, “tão”.
Exemplos de negação: “não”, “jamais”, “nunca”.
Em concursos, é importante perceber que o advérbio é invariável. O correto é “meio confusa”, quando “meio” tem sentido de “um pouco”. Nesse caso, “meio” é advérbio e não varia.
Exemplo: “A explicação ficou meio confusa.”
Mas em “meia folha”, “meia” é numeral fracionário e varia com o substantivo.
Advérbios também têm papel importante na interpretação. Palavras como “apenas”, “inclusive”, “sobretudo”, “ainda”, “já” e “até” podem alterar muito o sentido da frase.
Exemplo: “Apenas dois documentos foram entregues.” O advérbio “apenas” restringe a quantidade e sugere insuficiência.
Preposição é a palavra invariável que liga termos, estabelecendo relações de sentido e dependência entre eles.
Exemplos de preposições: “a”, “ante”, “após”, “até”, “com”, “contra”, “de”, “desde”, “em”, “entre”, “para”, “por”, “perante”, “sem”, “sob”, “sobre” e “trás”.
As preposições podem indicar origem, destino, posse, causa, finalidade, meio, assunto, companhia, oposição, lugar, tempo e modo.
Exemplos: “processo de fiscalização”, “recurso contra decisão”, “pedido de isenção”, “documento para análise”, “pagamento por meio eletrônico”, “competência da União”.
Em concursos fiscais, a preposição é essencial para regência e crase. A crase, por exemplo, depende do encontro da preposição “a” com o artigo feminino “a”.
Exemplo: “O servidor encaminhou o processo à autoridade competente.” O verbo “encaminhar” pede preposição “a”, e “autoridade” admite artigo “a”.
Também é importante perceber que a troca de preposição pode mudar o sentido.
Exemplo: “falar de tributos” é falar sobre o assunto. “falar com o contribuinte” é conversar com ele. “falar por alguém” é representar essa pessoa.
Conjunção é a palavra invariável que liga orações ou termos de mesma função, estabelecendo relações de sentido.
As conjunções podem ser coordenativas ou subordinativas.
As coordenativas ligam termos ou orações independentes. Podem indicar adição, oposição, alternância, conclusão ou explicação.
Exemplos: “e”, “nem”, “mas”, “porém”, “ou”, “logo”, “portanto”, “pois”.
As subordinativas ligam uma oração dependente a outra. Podem indicar causa, condição, concessão, comparação, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo ou integração.
Exemplos: “porque”, “se”, “caso”, “embora”, “conforme”, “como”, “quando”, “à medida que”, “para que”, “a fim de que”.
Em concursos, conjunções são muito cobradas porque indicam relações lógico-semânticas. A banca pode perguntar se é possível substituir “embora” por “apesar de que”, “portanto” por “logo”, ou “porque” por “uma vez que”, sem mudar o sentido.
O cuidado principal é não trocar conectivos de valores diferentes. “Embora” indica concessão. “Porque” indica causa ou explicação. “Portanto” indica conclusão. “Mas” indica oposição. “Se” indica condição.
Em interpretação e reescrita, a conjunção pode mudar completamente a lógica do texto.
Interjeição é a palavra ou expressão que manifesta emoção, reação, sentimento, chamamento ou estado de espírito.
Exemplos: “ah!”, “oh!”, “ufa!”, “ei!”, “nossa!”, “cuidado!”, “atenção!”, “silêncio!”.
É uma classe invariável e costuma aparecer mais em textos orais, literários, publicitários, charges, tirinhas e diálogos.
Em concursos fiscais, a interjeição não costuma ser o assunto mais cobrado, mas pode aparecer em interpretação de textos humorísticos, narrativos ou publicitários.
A interjeição deve ser interpretada pelo contexto. “Ah!” pode indicar surpresa, tristeza, ironia, alívio ou compreensão, dependendo da situação.
Em textos oficiais, a interjeição geralmente é inadequada, porque a linguagem administrativa exige formalidade, impessoalidade e objetividade.
Flexão é a variação que uma palavra sofre para indicar gênero, número, grau, pessoa, tempo, modo ou voz.
As flexões nominais aparecem principalmente em substantivos, adjetivos, artigos, numerais e pronomes.
O gênero indica masculino ou feminino. Exemplos: “servidor/servidora”, “técnico/técnica”.
O número indica singular ou plural. Exemplos: “processo/processos”, “norma/normas”.
O grau pode indicar aumento, diminuição, intensidade ou comparação. Exemplos: “casinha”, “livrão”, “mais eficiente”, “menos adequado”, “tão importante quanto”.
As flexões verbais aparecem nos verbos. Elas indicam pessoa, número, tempo, modo e voz.
Exemplo: em “analisaremos”, o verbo está na primeira pessoa do plural, futuro do presente do indicativo.
Em concursos, as flexões são decisivas para concordância. O verbo deve concordar com o sujeito, e os nomes devem concordar entre si quando a norma exigir.
Exemplo: “As normas tributárias foram alteradas.” O artigo, o substantivo, o adjetivo e o verbo estão no plural feminino quando necessário.
A banca também cobra muito o reconhecimento de tempos e modos verbais, especialmente em frases com hipótese, condição, ordem, possibilidade e certeza.
Valor semântico é o sentido que uma palavra ou classe gramatical assume no contexto.
Em concursos, esse ponto é muito importante porque a banca não quer apenas que o candidato diga a classe da palavra. Ela quer que ele perceba o efeito de sentido.
Um substantivo pode indicar entidade concreta, conceito abstrato, ação, qualidade ou instituição. “Fiscalização”, por exemplo, pode indicar a atividade de fiscalizar ou o órgão responsável, dependendo do contexto.
Um adjetivo pode ter valor objetivo, subjetivo, restritivo ou explicativo. Em “servidor competente”, o adjetivo qualifica. Em “órgão competente”, pode indicar atribuição legal.
Um artigo pode determinar, indeterminar ou substantivar. Em “o justo”, o artigo transforma o adjetivo “justo” em substantivo.
Um numeral pode indicar quantidade exata, ordem, fração ou intensidade. Em “primeira instância”, indica ordem. Em “dobro da multa”, indica multiplicação.
Um pronome pode retomar, antecipar, indicar posse, apontar posição, estabelecer relação ou criar indefinição. Em “essa medida”, o pronome retoma uma ideia anterior.
Um verbo pode indicar ação, estado, hipótese, obrigação, possibilidade, ordem ou permanência. Em “o contribuinte deve apresentar defesa”, o verbo “deve” indica obrigação.
Um advérbio pode indicar circunstância, restringir sentido, intensificar, negar ou modalizar uma afirmação. Em “provavelmente haverá recurso”, o advérbio indica incerteza.
Uma preposição pode indicar causa, finalidade, posse, origem, destino, meio ou assunto. Em “multa por atraso”, indica causa. Em “documento para análise”, indica finalidade.
Uma conjunção pode indicar adição, oposição, causa, consequência, condição, concessão, finalidade, conclusão ou explicação.
A interjeição expressa reação emocional ou chamamento, mas seu valor depende muito do contexto.
Em prova, o valor semântico é cobrado em perguntas sobre sentido, reescrita, conectivos, pronomes, advérbios e interpretação.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, morfologia aparece de forma direta e indireta. A banca pode pedir a classe gramatical de uma palavra, mas é mais comum cobrar o funcionamento dela no contexto.
A Cebraspe costuma explorar mudança de classe, valor semântico, pronomes, verbos e conectivos. A FGV cobra muito o sentido contextual de advérbios, conjunções, pronomes e adjetivos. A FCC costuma trabalhar reescrita, concordância, classes gramaticais e valor das palavras. A Vunesp cobra identificação de classes, flexões, sentido das palavras e substituições.
Para concursos fiscais, merecem atenção especial os substantivos abstratos, os adjetivos técnicos, os pronomes relativos, os verbos de maior incidência em regência e concordância, os advérbios de restrição, as preposições exigidas por nomes e verbos, e as conjunções que indicam relações lógicas.
Morfologia é base para análise sintática. Quem não identifica substantivo, verbo, pronome, preposição e conjunção tem dificuldade em sujeito, objeto, complemento nominal, adjunto, oração subordinada, concordância, regência e crase.
Morfologia estuda as palavras, suas classes, flexões e sentidos. As classes variáveis são substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome e verbo. As classes invariáveis são advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
Substantivo nomeia seres, coisas, ideias e instituições. Adjetivo caracteriza substantivos. Artigo determina ou indetermina. Numeral indica quantidade, ordem, multiplicação ou fração. Pronome substitui ou acompanha nomes. Verbo indica ação, estado, fenômeno ou processo. Advérbio modifica verbo, adjetivo, outro advérbio ou frase. Preposição liga termos. Conjunção liga termos ou orações. Interjeição expressa emoção ou reação.
As flexões nominais envolvem gênero, número e grau. As flexões verbais envolvem pessoa, número, tempo, modo e voz.
Para prova, a regra principal é analisar a palavra no contexto. A mesma forma pode mudar de classe e de sentido conforme o uso. Em concursos fiscais, a morfologia é essencial porque sustenta interpretação, coesão, concordância, regência, crase, reescrita e análise sintática.
Verbos são palavras que indicam ação, estado, mudança de estado, fenômeno da natureza, ocorrência, processo, obrigação, possibilidade ou existência. Em concursos fiscais, esse assunto é muito importante porque aparece em concordância verbal, regência, reescrita, pontuação, interpretação, correlação verbal, voz passiva, textos oficiais e textos jurídico-administrativos.
Na prática, estudar verbos não é apenas decorar conjugação. É entender o valor que o verbo assume no contexto. A banca pode cobrar se o tempo verbal indica certeza, hipótese, ordem, possibilidade, continuidade, conclusão, anterioridade ou condição.
Em provas da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, verbos aparecem muito em textos normativos, administrativos e argumentativos. Expressões como “deverá apresentar”, “poderá requerer”, “fica estabelecido”, “será considerado”, “terá direito”, “haverá incidência” e “compete ao órgão” são comuns em textos fiscais e jurídicos.
Os modos verbais indicam a atitude do falante em relação ao fato verbal.
O modo indicativo apresenta o fato como certo, real ou objetivo.
Exemplos: “O servidor analisou o processo.” “A fiscalização identificou inconsistências.” “O contribuinte apresentou defesa.”
O modo subjuntivo apresenta hipótese, dúvida, possibilidade, desejo, condição ou fato dependente de outro.
Exemplos: “Caso o contribuinte apresente defesa, o processo será reavaliado.” “Ainda que haja divergência, a decisão será mantida.” “É necessário que o servidor analise os documentos.”
O modo imperativo expressa ordem, pedido, orientação, recomendação ou instrução.
Exemplos: “Apresente os documentos no prazo.” “Observe as normas do edital.” “Regularize a pendência.”
Os tempos verbais indicam quando o fato ocorre: presente, passado ou futuro.
No indicativo, os principais tempos são presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito.
O presente indica fato atual, habitual ou atemporal. Exemplo: “A Constituição estabelece competências tributárias.”
O pretérito perfeito indica fato concluído no passado. Exemplo: “O contribuinte apresentou recurso.”
O pretérito imperfeito indica fato passado habitual, contínuo ou não concluído. Exemplo: “O órgão fiscalizava as operações mensalmente.”
O pretérito mais-que-perfeito indica fato passado anterior a outro fato também passado. Exemplo: “O servidor já analisara o processo quando a nova documentação chegou.”
O futuro do presente indica fato posterior ao momento da fala. Exemplo: “A autoridade decidirá o recurso.”
O futuro do pretérito indica hipótese, possibilidade, condição, incerteza ou cortesia. Exemplo: “A medida poderia reduzir inconsistências.”
No subjuntivo, os principais tempos são presente, pretérito imperfeito e futuro.
O presente do subjuntivo aparece em construções como: “Espero que o pedido seja deferido.”
O pretérito imperfeito do subjuntivo aparece em hipóteses: “Se o contribuinte apresentasse os documentos, o processo seria analisado.”
O futuro do subjuntivo aparece em ideia de possibilidade futura: “Quando o contribuinte apresentar os documentos, o processo será analisado.”
Em concursos, a banca gosta muito de cobrar a diferença entre certeza e hipótese. Indicativo tende a indicar fato apresentado como real. Subjuntivo tende a indicar fato incerto, possível ou condicionado.
Voz verbal é a forma como o sujeito se relaciona com a ação verbal.
Na voz ativa, o sujeito pratica a ação.
Exemplo: “O auditor analisou o processo.” O sujeito “o auditor” pratica a ação de analisar.
Na voz passiva, o sujeito sofre ou recebe a ação.
Exemplo: “O processo foi analisado pelo auditor.” O sujeito “o processo” recebe a ação.
A voz passiva pode ser analítica ou sintética.
A passiva analítica é formada, em geral, por verbo auxiliar mais particípio.
Exemplo: “O relatório foi elaborado pela equipe.” “As normas foram alteradas pelo órgão competente.”
A passiva sintética é formada com verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto acompanhado do pronome “se”, chamado partícula apassivadora.
Exemplo: “Elaborou-se o relatório.” “Analisaram-se os documentos.” “Publicaram-se as normas.”
Na voz reflexiva, o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo.
Exemplo: “O servidor preparou-se para a audiência.” O sujeito pratica a ação sobre si mesmo.
Também pode haver voz reflexiva recíproca, quando os sujeitos praticam a ação uns sobre os outros.
Exemplo: “Os servidores cumprimentaram-se.” Ou seja, cumprimentaram uns aos outros.
Em concursos fiscais, voz passiva é muito cobrada porque aparece em textos oficiais e jurídicos. A banca pode pedir conversão de voz ativa para passiva, identificação da partícula “se”, concordância verbal e manutenção do sentido.
Correlação verbal é a combinação adequada entre tempos e modos verbais dentro de uma frase ou período. Ela garante coerência temporal e lógica.
Quando uma oração indica condição, hipótese ou consequência, os tempos verbais precisam se ajustar.
Exemplo adequado: “Se o contribuinte apresentasse defesa, o processo seria reavaliado.”
Aqui, “apresentasse” está no pretérito imperfeito do subjuntivo, e “seria” está no futuro do pretérito do indicativo. Essa combinação expressa hipótese.
Outro exemplo adequado: “Se o contribuinte apresentar defesa, o processo será reavaliado.”
Aqui, “apresentar” está no futuro do subjuntivo, e “será” está no futuro do presente. A ideia é possibilidade futura.
Exemplo inadequado: “Se o contribuinte apresentasse defesa, o processo será reavaliado.” Há quebra de correlação, porque a hipótese passada ou irreal combina melhor com “seria”, não com “será”.
Em textos jurídicos e administrativos, a correlação verbal é essencial para indicar prazo, obrigação, hipótese, condição e consequência.
Em prova, a banca costuma cobrar frases com “se”, “caso”, “quando”, “embora”, “ainda que”, “desde que” e “contanto que”. Essas estruturas exigem atenção ao modo subjuntivo.
Locução verbal é a combinação de dois ou mais verbos que funcionam como uma única unidade verbal. Normalmente, há um verbo auxiliar e um verbo principal.
O verbo auxiliar indica tempo, modo, aspecto, voz, obrigação, possibilidade ou continuidade. O verbo principal traz o sentido central da ação.
Exemplos: “deve apresentar”, “pode requerer”, “irá analisar”, “está sendo avaliado”, “havia sido publicado”, “tem cumprido”.
Em “O contribuinte deve apresentar os documentos”, a locução “deve apresentar” indica obrigação.
Em “O processo pode ser reavaliado”, a locução “pode ser reavaliado” indica possibilidade.
Em “A equipe está analisando os dados”, a locução “está analisando” indica ação em andamento.
Em concursos fiscais, locuções verbais são frequentes em textos normativos. Expressões como “deverá comprovar”, “poderá solicitar”, “será considerado”, “deve observar” e “poderá ser exigido” aparecem muito.
A banca pode cobrar concordância com locução verbal, voz passiva com locução, valor semântico do auxiliar e equivalência entre formas simples e compostas.
Um cuidado importante: em locuções com particípio, como “foi analisado” e “será encaminhado”, há frequentemente voz passiva. Já em locuções com gerúndio, como “está analisando”, há ideia de continuidade ou processo em curso.
As formas nominais do verbo são infinitivo, gerúndio e particípio. Elas recebem esse nome porque podem exercer funções semelhantes às de nomes, além de manterem valor verbal.
O infinitivo é a forma terminada geralmente em “-ar”, “-er” ou “-ir”.
Exemplos: “analisar”, “requerer”, “cumprir”, “fiscalizar”, “decidir”.
O infinitivo pode indicar ação de forma geral, sem marcar diretamente tempo e pessoa. Exemplo: “É necessário apresentar os documentos.”
O gerúndio indica ação em andamento, simultaneidade, modo ou continuidade. Termina em “-ndo”.
Exemplos: “analisando”, “requerendo”, “cumprindo”, “fiscalizando”.
Exemplo: “A autoridade decidiu o caso considerando as provas apresentadas.”
O particípio indica ação concluída, resultado ou formação de tempos compostos e voz passiva. Normalmente termina em “-ado” ou “-ido”, mas há formas irregulares.
Exemplos: “analisado”, “deferido”, “concluído”, “feito”, “visto”, “posto”, “aberto”.
Exemplo: “O pedido foi deferido.” Aqui, o particípio participa da voz passiva.
Em concursos, as formas nominais aparecem em questões de reescrita, redução de orações, voz passiva, concordância nominal e emprego do infinitivo.
O infinitivo pode ser impessoal ou pessoal.
O infinitivo impessoal não se flexiona. Ele apresenta a ação de forma geral.
Exemplo: “É necessário apresentar os documentos.” A ação é apresentada de maneira genérica.
O infinitivo pessoal pode se flexionar para indicar sujeito próprio.
Exemplo: “É necessário os contribuintes apresentarem os documentos.” O sujeito do infinitivo é “os contribuintes”, por isso o verbo pode ir para o plural.
A flexão do infinitivo é um dos pontos mais delicados para concursos. Em geral, o infinitivo tende a ser flexionado quando tem sujeito próprio claramente expresso e diferente do sujeito da oração principal.
Exemplo: “O auditor solicitou aos servidores apresentarem os relatórios.” O sujeito de “apresentarem” é “os servidores”.
Mas o infinitivo tende a não se flexionar quando forma locução verbal ou quando o sujeito é o mesmo da oração principal.
Exemplo: “Os servidores devem apresentar os relatórios.” Aqui, “devem apresentar” é locução verbal, e o verbo principal “apresentar” fica no infinitivo impessoal.
Também se usa infinitivo impessoal em expressões como “é preciso”, “é necessário”, “convém”, “cumpre”, quando a ideia é genérica.
Exemplo: “É preciso observar o prazo legal.”
Em prova, o candidato deve observar se o infinitivo tem sujeito próprio, se faz parte de locução verbal ou se a frase tem valor genérico.
Verbos regulares são aqueles que seguem o modelo normal de conjugação, sem alteração no radical.
Exemplos: “falar”, “vender”, “partir”.
“Eu
falo”, “tu falas”, “ele fala”. O radical permanece estável.
Verbos irregulares são aqueles que sofrem alteração no radical ou nas terminações durante a conjugação.
Exemplos: “fazer”, “trazer”, “poder”, “haver”, “ser”, “ir”, “vir”, “ter”, “pôr”.
Exemplo: “eu faço”, e não “eu fazo”. “Eu pude”, e não “eu podei”. “Eu trouxe”, e não “eu trazi”.
Verbos defectivos são aqueles que não possuem todas as formas de conjugação ou têm uso restrito em algumas pessoas, tempos ou modos.
Exemplos tradicionais: “abolir”, “falir”, “colorir”, “reaver”, “precaver”.
O verbo “reaver”, por exemplo, segue o padrão de “haver” nas formas em que existe, mas não é usado em todas as formas. Diz-se “reavemos”, mas não se usa normalmente “eu reavo”.
Verbos abundantes são aqueles que possuem mais de uma forma equivalente, geralmente no particípio.
Exemplos: “aceitado” e “aceito”; “entregado” e “entregue”; “pagado” e “pago”; “prendido” e “preso”; “suspendido” e “suspenso”; “imprimido” e “impresso”.
Em geral, o particípio regular, terminado em “-ado” ou “-ido”, aparece com os auxiliares “ter” e “haver”.
Exemplo: “O servidor havia entregado o relatório.” “A equipe tinha imprimido os documentos.”
O particípio irregular costuma aparecer com os auxiliares “ser” e “estar”.
Exemplo: “O relatório foi entregue.” “Os documentos estão impressos.”
Em concursos, esse ponto aparece muito em questões de norma-padrão. A banca pode cobrar formas corretas como “interveio”, “manteve”, “deteve”, “requereu”, “proveu”, “pôs”, “pôde”, “trouxe” e “reouve”.
Valor semântico é o sentido que o tempo verbal assume no contexto. Um mesmo tempo verbal pode indicar mais do que tempo cronológico.
O presente do indicativo pode indicar fato atual.
Exemplo: “O servidor analisa o processo.”
Também pode indicar hábito.
Exemplo: “A fiscalização realiza cruzamentos de dados diariamente.”
Pode indicar verdade geral ou valor permanente.
Exemplo: “A lei estabelece direitos e deveres.”
Pode ainda ter valor de futuro, em linguagem mais direta.
Exemplo: “A audiência ocorre amanhã.”
O pretérito perfeito indica fato concluído.
Exemplo: “O órgão publicou a norma.”
O pretérito imperfeito pode indicar hábito no passado.
Exemplo: “O contribuinte apresentava declarações mensalmente.”
Também pode indicar continuidade ou descrição.
Exemplo: “O sistema apresentava falhas no processamento.”
O pretérito mais-que-perfeito indica anterioridade em relação a outro fato passado.
Exemplo: “A autoridade já decidira o recurso quando nova prova foi juntada.”
O futuro do presente indica fato posterior.
Exemplo: “O prazo terminará amanhã.”
Mas também pode indicar ordem, previsão ou valor normativo.
Exemplo: “O contribuinte apresentará os documentos no prazo legal.” Em textos normativos, essa forma pode ter valor de dever.
O futuro do pretérito pode indicar hipótese.
Exemplo: “A medida reduziria os custos.”
Também pode indicar cortesia.
Exemplo: “Poderia encaminhar o relatório?”
Ou incerteza, especialmente em linguagem jornalística.
Exemplo: “A norma poderia afetar milhares de contribuintes.”
O subjuntivo indica possibilidade, hipótese, desejo, condição ou incerteza.
Exemplo: “Caso haja irregularidade, será instaurado procedimento.”
Em concursos fiscais, o valor semântico dos tempos verbais é muito cobrado em interpretação e reescrita. A banca pode perguntar se uma troca verbal mantém certeza, hipótese, obrigação ou possibilidade.
A conversão de vozes verbais é um dos pontos mais cobrados em provas. O candidato precisa mudar a estrutura sem alterar o sentido essencial.
Na voz ativa, o sujeito pratica a ação.
Exemplo: “O auditor elaborou o relatório.”
Na voz passiva analítica, o objeto direto da ativa vira sujeito paciente, o verbo principal vai para o particípio, e o sujeito da ativa pode virar agente da passiva.
Exemplo: “O relatório foi elaborado pelo auditor.”
A estrutura básica da conversão é esta: sujeito da ativa vira agente da passiva; objeto direto da ativa vira sujeito da passiva; verbo vai para locução com “ser” mais particípio.
Outro exemplo: “A equipe analisará os
documentos.”
Na passiva: “Os documentos serão analisados
pela equipe.”
É importante manter o tempo verbal. Se na ativa o verbo está no futuro do presente, a passiva também deve manter essa ideia.
Ativa: “O órgão publicará a norma.”
Passiva:
“A norma será publicada pelo órgão.”
Na passiva sintética, usa-se o pronome “se” com verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto.
Exemplo: “Publicou-se a norma.”
Equivale
a: “A norma foi publicada.”
Exemplo no plural: “Publicaram-se as normas.”
O
verbo concorda com o sujeito paciente “as normas”.
Esse ponto é muito cobrado: em “vendem-se imóveis”, o verbo fica no plural porque “imóveis” é sujeito paciente. A ideia é “imóveis são vendidos”.
Mas cuidado: nem todo “se” é partícula apassivadora. Em frases com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, o “se” pode ser índice de indeterminação do sujeito, e o verbo fica na terceira pessoa do singular.
Exemplo: “Precisa-se de servidores.” O verbo “precisar” exige preposição “de”, então não há voz passiva. O sujeito é indeterminado, e o verbo fica no singular.
Na voz reflexiva, não há conversão simples para passiva, porque o sujeito pratica e sofre a ação.
Exemplo: “O servidor preparou-se.” O sujeito age sobre si mesmo.
Em concursos fiscais, a conversão de voz é muito importante em textos administrativos, nos quais a passiva é comum para destacar o fato, o processo, a norma ou o documento, e não necessariamente quem praticou a ação.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, verbos aparecem em praticamente todos os blocos de gramática e interpretação.
A banca pode cobrar tempo e modo verbal, valor semântico, correlação entre tempos, conversão de voz ativa para passiva, concordância na passiva sintética, emprego do infinitivo, locuções verbais, formas nominais e conjugação de verbos irregulares.
A Cebraspe costuma explorar voz passiva, concordância com “se”, correlação verbal, valor dos tempos e reescrita sem alteração de sentido. A FGV gosta de cobrar sutilezas de sentido, especialmente futuro do pretérito, subjuntivo, conectores e tempos verbais com valor argumentativo. A FCC trabalha bastante correlação verbal, voz passiva, concordância e equivalência de estruturas. A Vunesp costuma cobrar conjugação correta, identificação de tempos e conversão de vozes.
Para a área fiscal, merecem atenção especial verbos como “haver”, “existir”, “fazer”, “ser”, “estar”, “ter”, “vir”, “intervir”, “manter”, “deter”, “requerer”, “prover”, “poder”, “pôr”, “reaver”, “implicar”, “proceder”, “assistir”, “visar”, “obedecer” e “preferir”.
Também é importante dominar construções normativas, como “deverá apresentar”, “poderá requerer”, “será aplicado”, “fica instituído”, “considera-se”, “aplica-se”, “veda-se”, “exige-se” e “observam-se”.
Verbo é a classe que indica ação, estado, fenômeno, ocorrência ou processo. Os modos verbais são indicativo, subjuntivo e imperativo. O indicativo apresenta fato como real. O subjuntivo expressa hipótese, dúvida ou possibilidade. O imperativo expressa ordem, pedido ou orientação.
As vozes verbais mostram a relação entre sujeito e ação. Na ativa, o sujeito pratica. Na passiva, o sujeito sofre. Na reflexiva, o sujeito pratica e sofre a ação.
A correlação verbal garante combinação lógica entre tempos e modos. “Se apresentasse, seria” indica hipótese. “Se apresentar, será” indica possibilidade futura.
Locução verbal é a combinação de verbos funcionando como uma unidade. Formas nominais são infinitivo, gerúndio e particípio.
O infinitivo pode ser impessoal, quando expressa a ação de forma geral, ou pessoal, quando tem sujeito próprio. Verbos regulares seguem o padrão de conjugação. Irregulares sofrem alterações. Defectivos não têm todas as formas. Abundantes têm mais de uma forma, especialmente no particípio.
Os tempos verbais têm valores semânticos importantes. O presente pode indicar hábito ou verdade geral. O futuro pode ter valor normativo. O futuro do pretérito pode indicar hipótese, cortesia ou incerteza. O subjuntivo costuma marcar possibilidade ou condição.
Na conversão de voz ativa para passiva, o objeto direto vira sujeito paciente, e o verbo passa para estrutura com “ser” mais particípio. Em passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente: “publicou-se a norma”, “publicaram-se as normas”. Em estruturas como “precisa-se de servidores”, não há passiva, mas sujeito indeterminado, porque o verbo exige preposição.
Para prova, a regra central é observar tempo, modo, sujeito, transitividade e sentido. Verbos são decisivos para entender a norma, a obrigação, a hipótese e a lógica do texto.
Sintaxe do período simples é a parte da gramática que estuda a organização dos termos dentro de uma oração. Enquanto a morfologia analisa a palavra isoladamente, a sintaxe analisa a função que essa palavra exerce na frase.
Em concursos fiscais, esse assunto é fundamental porque serve de base para concordância, regência, crase, pontuação, colocação pronominal, voz passiva, reescrita e interpretação. Muitas questões que parecem ser de vírgula, crase ou concordância só são resolvidas quando o candidato identifica corretamente sujeito, verbo, complemento, adjunto, aposto e agente da passiva.
Período simples é aquele formado por apenas uma oração, ou seja, por apenas uma estrutura verbal principal.
Exemplo: “O auditor analisou o processo.”
Há apenas um verbo principal: “analisou”. Portanto, temos um período simples.
Os termos essenciais da oração são sujeito e predicado. Eles recebem esse nome porque formam a estrutura básica da maioria das orações.
O sujeito é o termo sobre o qual se declara alguma coisa. O predicado é aquilo que se declara sobre o sujeito.
Exemplo: “O contribuinte apresentou defesa.”
“O contribuinte” é o sujeito. “Apresentou defesa” é o predicado.
Nem toda oração tem sujeito explícito. Há orações com sujeito oculto, indeterminado ou inexistente. Mesmo assim, a estrutura da oração continua tendo um predicado, porque sempre há uma declaração verbal.
Em concursos, é muito importante não confundir sujeito com o termo que aparece no começo da frase. O sujeito pode vir depois do verbo.
Exemplo: “Foram publicados novos editais.”
O sujeito é “novos editais”, mesmo aparecendo depois do verbo. Por isso, o verbo fica no plural: “foram publicados”.
Sujeito é o termo da oração com o qual o verbo geralmente concorda. Ele indica de quem ou de que se fala.
O sujeito pode ser simples, composto, oculto, indeterminado ou inexistente.
Sujeito simples tem apenas um núcleo.
Exemplo: “A fiscalização identificou inconsistências.”
O sujeito é “a fiscalização”. O núcleo é “fiscalização”.
Sujeito composto tem dois ou mais núcleos.
Exemplo: “O auditor e o analista elaboraram o relatório.”
O sujeito é “o auditor e o analista”. Os núcleos são “auditor” e “analista”.
Sujeito oculto, elíptico ou desinencial não aparece escrito, mas pode ser identificado pela forma verbal ou pelo contexto.
Exemplo: “Analisamos o processo.”
O sujeito é “nós”, indicado pela forma verbal “analisamos”.
Sujeito indeterminado ocorre quando existe alguém praticando a ação, mas não se identifica quem é.
Exemplo: “Precisa-se de servidores.”
Aqui, não se sabe quem precisa. Como o verbo “precisar” exige preposição “de”, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, e o verbo fica no singular.
Também há sujeito indeterminado com verbo na terceira pessoa do plural sem referente expresso.
Exemplo: “Informaram novas regras ao contribuinte.”
Não se diz quem informou.
Oração sem sujeito ocorre com verbos impessoais, como “haver” no sentido de existir, “fazer” indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza, e verbos que indicam fenômenos naturais.
Exemplos: “Há muitos processos pendentes.” “Faz cinco anos que a norma foi publicada.” “Choveu durante a fiscalização.”
Em concursos fiscais, sujeito é um dos pontos mais importantes porque define a concordância verbal. O verbo deve concordar com o sujeito, e não necessariamente com o termo mais próximo.
Predicado é tudo aquilo que se declara sobre o sujeito. Ele contém o verbo e pode trazer complementos, adjuntos, predicativos e outras informações.
Exemplo: “O relatório ficou claro.”
O sujeito é “o relatório”. O predicado é “ficou claro”.
O predicado pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal.
Predicado verbal tem como núcleo um verbo significativo, ou seja, um verbo que indica ação, ocorrência ou processo.
Exemplo: “O auditor elaborou o parecer.”
O núcleo do predicado é o verbo “elaborou”.
Predicado nominal tem como núcleo um nome, chamado predicativo do sujeito. Normalmente aparece com verbo de ligação.
Exemplo: “O parecer é técnico.”
O verbo “é” liga o sujeito “o parecer” à característica “técnico”. O núcleo do predicado é “técnico”.
Predicado verbo-nominal tem dois núcleos: um verbo significativo e um predicativo.
Exemplo: “O servidor chegou cansado.”
Há uma ação: “chegou”. E há uma característica atribuída ao sujeito: “cansado”.
Em prova, a banca pode cobrar a diferença entre verbo significativo e verbo de ligação. Verbos como “ser”, “estar”, “ficar”, “continuar”, “parecer” e “permanecer” podem funcionar como verbos de ligação, mas dependem do contexto.
Exemplo: “O servidor está na repartição.” Aqui, “está” indica localização, não apenas ligação. Já em “O servidor está atento”, “está” funciona como verbo de ligação.
Predicação verbal é a classificação do verbo de acordo com sua necessidade ou não de complemento.
O verbo pode ser intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto, ou verbo de ligação.
Verbo intransitivo tem sentido completo e não exige complemento verbal.
Exemplo: “O prazo expirou.”
O verbo “expirou” já tem sentido completo.
Verbo transitivo direto exige complemento sem preposição obrigatória.
Exemplo: “O auditor analisou o processo.”
Quem analisa, analisa algo. “O processo” é objeto direto.
Verbo transitivo indireto exige complemento com preposição obrigatória.
Exemplo: “O contribuinte recorreu da decisão.”
Quem recorre, recorre de algo. “Da decisão” é objeto indireto.
Verbo transitivo direto e indireto exige dois complementos: um sem preposição e outro com preposição.
Exemplo: “O servidor encaminhou o processo à autoridade.”
Quem encaminha, encaminha algo a alguém. “O processo” é objeto direto. “À autoridade” é objeto indireto.
Verbo de ligação não expressa ação propriamente dita. Ele liga o sujeito a uma característica, estado ou qualidade.
Exemplo: “A decisão parece correta.”
O verbo “parece” liga “a decisão” ao predicativo “correta”.
Em concursos fiscais, a predicação verbal é decisiva para regência, crase, complemento verbal, voz passiva e pontuação. Um erro comum é decorar a predicação do verbo sem observar o contexto. O mesmo verbo pode mudar de predicação conforme o sentido.
Exemplo: “O servidor assistiu ao julgamento.”
Aqui, “assistir” significa ver e exige preposição “a”.
“O
servidor assistiu o contribuinte.” Aqui, “assistir” significa
prestar assistência e pode ser transitivo direto.
Complementos verbais completam o sentido de verbos transitivos. São o objeto direto e o objeto indireto.
Objeto direto completa o sentido de verbo transitivo direto, normalmente sem preposição obrigatória.
Exemplo: “A equipe revisou os documentos.”
“Os documentos” é objeto direto.
Objeto indireto completa o sentido de verbo transitivo indireto, com preposição exigida pelo verbo.
Exemplo: “O contribuinte discordou da cobrança.”
“Da cobrança” é objeto indireto.
Há verbos que exigem os dois complementos.
Exemplo: “O setor informou a decisão ao contribuinte.”
“A decisão” é objeto direto. “Ao contribuinte” é objeto indireto.
Em concursos, é muito comum a banca trocar objeto direto por sujeito em estruturas de voz passiva. Para converter corretamente a voz ativa em passiva, é preciso identificar o objeto direto.
Exemplo: “O órgão publicou a norma.”
Na
passiva: “A norma foi publicada pelo órgão.”
“A norma” era objeto direto na voz ativa e passou a sujeito paciente na voz passiva.
Cuidado: objeto indireto não vira sujeito da passiva analítica comum.
Exemplo: “O servidor obedeceu à norma.”
Não se deve converter para “A norma foi obedecida pelo servidor” como estrutura padrão em prova tradicional, porque “obedecer” é transitivo indireto. A banca costuma explorar justamente essa diferença.
Complemento nominal é o termo que completa o sentido de um nome. Esse nome pode ser substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio.
O complemento nominal vem sempre ligado por preposição.
Exemplo: “Houve necessidade de revisão.”
“De revisão” completa o sentido do substantivo abstrato “necessidade”. Quem tem necessidade, tem necessidade de algo.
Outro exemplo: “O parecer foi favorável ao contribuinte.”
“Ao contribuinte” completa o sentido do adjetivo “favorável”. Algo é favorável a alguém ou a alguma coisa.
Outro exemplo: “A decisão foi contrariamente ao interesse público.” Em construções com advérbios, o termo preposicionado pode completar o sentido do advérbio.
Em concursos fiscais, complemento nominal é muito cobrado porque pode ser confundido com adjunto adnominal.
A diferença mais importante é esta: o complemento nominal completa o sentido de um nome e geralmente tem valor passivo ou alvo da ideia. O adjunto adnominal caracteriza, especifica ou indica posse, origem, agente ou pertencimento.
Exemplo: “A fiscalização do órgão foi eficiente.”
Aqui, “do órgão” pode indicar quem fiscalizou, ou seja, valor de agente. Nesse caso, tende a ser adjunto adnominal.
Exemplo: “A fiscalização do contribuinte foi concluída.”
Aqui, “do contribuinte” pode indicar quem foi fiscalizado, ou seja, alvo da ação. Nesse caso, tende a ser complemento nominal.
Essa diferença cai bastante em bancas mais exigentes.
Adjunto adnominal é o termo que acompanha, caracteriza, determina, especifica ou restringe um substantivo.
Ele pode ser representado por artigo, adjetivo, locução adjetiva, pronome adjetivo ou numeral.
Exemplo: “O novo relatório técnico foi entregue.”
“O”, “novo” e “técnico” funcionam como adjuntos adnominais de “relatório”.
Outro exemplo: “Esses três processos administrativos foram analisados.”
“Esses”, “três” e “administrativos” acompanham e especificam o substantivo “processos”.
O adjunto adnominal tem relação direta com o substantivo e faz parte do mesmo grupo nominal.
Em concursos, é essencial diferenciar adjunto adnominal de complemento nominal.
O adjunto adnominal pode indicar posse, agente, origem, matéria, finalidade, qualidade ou especificação.
Exemplos: “relatório do auditor”, “norma do Estado”, “processo administrativo”, “documento fiscal”, “sistema de controle”.
Em “relatório do auditor”, “do auditor” indica quem produziu ou a quem pertence o relatório. Tende a ser adjunto adnominal.
Em textos fiscais e administrativos, adjuntos adnominais aparecem o tempo todo porque os nomes precisam ser especificados: “obrigação tributária”, “processo administrativo fiscal”, “competência constitucional”, “lançamento tributário”, “autoridade competente”.
Adjunto adverbial é o termo que indica circunstância relacionada ao verbo, ao adjetivo, ao advérbio ou à oração inteira.
Ele pode indicar tempo, lugar, modo, causa, finalidade, meio, instrumento, companhia, assunto, condição, concessão, intensidade, afirmação, negação, dúvida, frequência e outras circunstâncias.
Exemplo de tempo: “O recurso foi protocolado ontem.”
“Onten” indica quando o recurso foi protocolado.
Exemplo de lugar: “O processo tramita na Secretaria de Fazenda.”
“Na Secretaria de Fazenda” indica lugar.
Exemplo de modo: “A equipe analisou cuidadosamente os documentos.”
“Cuidadosamente” indica modo.
Exemplo de finalidade: “O sistema foi atualizado para maior segurança.”
“Para maior segurança” indica finalidade.
Exemplo de causa: “O pedido foi indeferido por falta de documentação.”
“Por falta de documentação” indica causa.
Em concursos, adjunto adverbial é muito importante para pontuação. Adjuntos adverbiais longos, deslocados para o início ou meio da frase, costumam ser isolados por vírgula.
Exemplo: “Após a análise dos documentos, o processo foi encaminhado.”
O adjunto adverbial “após a análise dos documentos” está deslocado e aparece separado por vírgula.
A banca também pode cobrar o valor semântico do adjunto. A mesma preposição pode expressar sentidos diferentes. “Por atraso” indica causa. “Por e-mail” indica meio. “Por dois anos” indica tempo.
Aposto é o termo que explica, resume, especifica, enumera ou esclarece outro termo da oração.
Exemplo: “A Receita Federal, órgão da administração tributária federal, ampliou a fiscalização.”
“Órgão da administração tributária federal” explica “Receita Federal”. É aposto explicativo.
O aposto pode ser explicativo, especificativo, enumerativo, resumitivo ou distributivo.
O aposto explicativo esclarece o termo anterior e geralmente vem entre vírgulas, travessões ou parênteses.
Exemplo: “Brasília, capital do Brasil, concentra órgãos federais.”
O aposto especificativo individualiza um substantivo genérico e normalmente não vem separado por vírgula.
Exemplo: “O estado de Goiás publicou nova norma.”
“De Goiás” especifica qual estado.
O aposto enumerativo apresenta uma enumeração.
Exemplo: “Foram analisados três documentos: relatório, parecer e despacho.”
O aposto resumitivo resume uma enumeração anterior.
Exemplo: “Relatórios, pareceres e certidões, tudo foi anexado ao processo.”
O aposto distributivo distribui informações entre termos mencionados.
Exemplo: “João e Maria atuam em setores diferentes: este, na fiscalização; aquele, no atendimento.”
Em concursos fiscais, o aposto aparece muito em questões de pontuação e interpretação. A banca pode perguntar se a vírgula isola explicação ou se a ausência de vírgula restringe o sentido.
Compare: “O auditor João elaborou o parecer.”
Sem vírgula, “João” especifica qual auditor.
“O auditor,
João, elaborou o parecer.” Com vírgulas, sugere explicação ou
identificação acessória, mas essa construção depende do contexto
e pode soar inadequada se houver vários auditores.
Vocativo é o termo usado para chamar, invocar ou interpelar alguém. Ele não pertence ao sujeito nem ao predicado. É um termo independente da estrutura sintática principal.
Exemplo: “Senhor contribuinte, apresente os documentos no prazo.”
“Senhor contribuinte” é vocativo.
Outro exemplo: “Colegas, observem as novas regras.”
“Colegas” é vocativo.
O vocativo deve ser separado por vírgula, esteja no início, no meio ou no fim da frase.
Exemplos: “Servidor, confira o
relatório.”
“Confira, servidor, o relatório.”
“Confira
o relatório, servidor.”
Em concursos, vocativo aparece muito em questões de pontuação. A vírgula do vocativo é obrigatória porque ele é um chamamento.
É importante não confundir vocativo com sujeito.
Exemplo: “Servidor, analise o processo.”
“Servidor” é vocativo. O sujeito do verbo “analise” está oculto e corresponde a “você” ou “o senhor”.
Já em “O servidor analisou o processo”, “o servidor” é sujeito, não vocativo.
Em comunicação oficial, o vocativo aparece em expedientes, ofícios e correspondências formais, como “Senhor Diretor,”, “Senhora Secretária,” ou “Excelentíssimo Senhor,”.
Agente da passiva é o termo que indica quem pratica a ação em uma construção de voz passiva.
Na voz ativa, o sujeito pratica a ação.
Exemplo: “O auditor elaborou o relatório.”
Na voz passiva, o sujeito sofre a ação, e quem pratica pode aparecer como agente da passiva.
Exemplo: “O relatório foi elaborado pelo auditor.”
“O relatório” é sujeito paciente. “Pelo auditor” é agente da passiva.
O agente da passiva geralmente vem introduzido pelas preposições “por”, “pelo”, “pela”, “pelos”, “pelas” ou, em linguagem mais formal, “de”.
Exemplo: “A decisão foi respeitada por
todos.”
“A norma era conhecida de todos.”
Em concursos fiscais, agente da passiva é cobrado em conversão de voz ativa e passiva, identificação de termos da oração e pontuação.
É importante lembrar que o agente da passiva nem sempre aparece. Muitas frases passivas omitem quem praticou a ação.
Exemplo: “A norma foi publicada ontem.”
Não se informa quem publicou. O foco está na norma e no fato de sua publicação.
Em textos administrativos e jurídicos, a voz passiva é muito usada justamente para destacar o ato, o documento, o processo ou a norma, e não a pessoa que praticou a ação.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, sintaxe do período simples é um dos assuntos mais importantes de gramática. Ela aparece direta e indiretamente em muitas questões.
A banca pode pedir a identificação do sujeito, do objeto direto, do objeto indireto, do complemento nominal, do adjunto adnominal, do adjunto adverbial, do aposto, do vocativo ou do agente da passiva.
Também pode cobrar concordância verbal com sujeito posposto, verbo impessoal, passiva sintética, partícula “se”, regência verbal, crase e pontuação.
A Cebraspe costuma explorar sujeito, concordância, voz passiva, função do “se”, complemento nominal e adjunto adnominal. A FGV gosta de cobrar função sintática no contexto, termos preposicionados, valores semânticos e reescrita. A FCC trabalha bastante análise sintática, pontuação, concordância e regência. A Vunesp costuma cobrar sujeito, predicado, objetos, adjuntos e aposto.
Para concursos fiscais, merecem atenção especial estruturas como “há processos”, “existem processos”, “publicaram-se normas”, “precisa-se de servidores”, “o processo foi analisado pelo auditor”, “necessidade de controle”, “controle do órgão”, “relatório técnico” e “após a análise, o processo foi encaminhado”.
Sintaxe do período simples estuda os termos dentro de uma oração.
Os termos essenciais são sujeito e predicado. O sujeito é sobre quem se declara algo. O predicado é aquilo que se declara sobre o sujeito.
O sujeito pode ser simples, composto, oculto, indeterminado ou inexistente. O predicado pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal.
A predicação verbal classifica os verbos em intransitivos, transitivos diretos, transitivos indiretos, transitivos diretos e indiretos, e verbos de ligação.
Os complementos verbais são objeto direto e objeto indireto. O complemento nominal completa o sentido de substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio. O adjunto adnominal acompanha e caracteriza substantivos. O adjunto adverbial indica circunstâncias.
O aposto explica, especifica, resume ou enumera outro termo. O vocativo chama ou interpela alguém. O agente da passiva indica quem pratica a ação na voz passiva.
Para prova, a regra principal é localizar primeiro o verbo, depois perguntar quem pratica ou sofre a ação, se o verbo exige complemento, se o termo preposicionado completa verbo ou nome, e se a expressão está caracterizando, circunstanciando, explicando ou chamando alguém. Essa análise sustenta concordância, regência, crase, pontuação e reescrita.
Sintaxe do período composto é o estudo das relações entre orações dentro de um mesmo período. Enquanto o período simples tem apenas uma oração, o período composto tem duas ou mais orações, ou seja, duas ou mais estruturas verbais.
Exemplo de período simples: “O auditor analisou o processo.”
Exemplo de período composto: “O auditor analisou o processo e elaborou o relatório.”
No segundo exemplo, há dois verbos: “analisou” e “elaborou”. Portanto, há duas orações.
Em concursos fiscais, esse assunto é muito importante porque aparece em interpretação, pontuação, conectivos, reescrita, coesão, coerência, regência, concordância, emprego de pronomes relativos e análise de relações lógicas. A banca gosta de perguntar se uma oração explica, restringe, conclui, opõe, causa, condiciona ou complementa outra.
A regra principal é: no período composto, não basta identificar as orações. É preciso entender a relação de sentido entre elas.
Coordenação ocorre quando as orações são sintaticamente independentes. Isso significa que uma oração não exerce função sintática dentro da outra.
Exemplo: “O servidor analisou o processo e encaminhou o relatório.”
A primeira oração é “O servidor analisou o
processo”.
A segunda oração é “encaminhou o relatório”.
As duas se relacionam, mas uma não funciona como sujeito, objeto, complemento, adjunto ou predicativo da outra. Elas apenas se somam no período.
A coordenação é muito comum em textos administrativos, narrativos, jornalísticos e argumentativos. Ela permite apresentar ações, fatos, conclusões, contrastes e explicações em sequência.
Em concursos, a banca costuma cobrar o valor da conjunção coordenativa. A conjunção “e”, por exemplo, normalmente indica adição, mas em alguns contextos pode sugerir consequência ou oposição.
Exemplo com adição: “O órgão fiscalizou as empresas e aplicou as penalidades cabíveis.”
Exemplo com consequência: “Descumpriu o prazo e perdeu o direito ao recurso.”
Nesse segundo caso, o “e” aproxima-se de uma ideia de consequência: porque descumpriu o prazo, perdeu o direito ao recurso.
Orações coordenadas podem ser assindéticas ou sindéticas.
Orações coordenadas assindéticas são aquelas que aparecem sem conjunção. Elas são ligadas normalmente por vírgula, ponto e vírgula ou dois-pontos.
Exemplo: “O prazo terminou, o sistema foi bloqueado, o recurso não foi recebido.”
As orações aparecem em sequência, sem conectivo explícito.
Orações coordenadas sindéticas são aquelas introduzidas por conjunção coordenativa.
Exemplo: “O prazo terminou, portanto o sistema foi bloqueado.”
A conjunção “portanto” introduz uma oração coordenada sindética conclusiva.
As orações coordenadas sindéticas podem ser aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas.
As aditivas indicam soma ou acréscimo. Usam conectivos como “e”, “nem”, “também”, “bem como”, “não só... mas também”.
Exemplo: “O servidor analisou os documentos e elaborou o parecer.”
As adversativas indicam oposição, contraste ou ressalva. Usam conectivos como “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”, “entretanto”, “no entanto”.
Exemplo: “O relatório é extenso, mas apresenta informações relevantes.”
As alternativas indicam escolha, alternância ou exclusão. Usam conectivos como “ou”, “ora... ora”, “quer... quer”, “seja... seja”.
Exemplo: “O contribuinte regulariza a pendência ou sofrerá as penalidades previstas.”
As conclusivas indicam conclusão ou consequência lógica. Usam conectivos como “logo”, “portanto”, “por isso”, “assim”, “então”, “desse modo”, “consequentemente”.
Exemplo: “O recurso foi apresentado fora do prazo; portanto, não será conhecido.”
As explicativas indicam explicação, justificativa ou motivo para uma afirmação anterior. Usam conectivos como “pois”, “porque”, “que” e “porquanto”.
Exemplo: “Verifique os documentos, pois há inconsistências no cadastro.”
Em concursos, é muito importante distinguir explicação de causa e conclusão de consequência. A banca cobra o valor semântico do conectivo dentro do contexto, não apenas sua classificação decorada.
Subordinação ocorre quando uma oração depende sintaticamente de outra. A oração subordinada exerce uma função dentro da oração principal.
Exemplo: “É necessário que o contribuinte apresente os documentos.”
A oração principal é “É necessário”.
A
oração subordinada é “que o contribuinte apresente os
documentos”.
A segunda oração completa o sentido da primeira. Ela funciona como sujeito da estrutura “é necessário”. Por isso, há subordinação.
As orações subordinadas podem ser substantivas, adjetivas ou adverbiais.
As substantivas exercem função típica de substantivo, como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
As adjetivas exercem função típica de adjetivo, caracterizando ou restringindo um nome anterior.
As adverbiais exercem função típica de adjunto adverbial, indicando circunstâncias como causa, condição, concessão, tempo, finalidade, comparação, consequência, conformidade ou proporção.
Em concursos fiscais, a subordinação é muito cobrada porque textos legais, administrativos e argumentativos usam estruturas complexas. A banca pode perguntar se uma oração completa o sentido de um verbo, restringe um termo anterior, explica um substantivo ou estabelece relação de causa, condição ou concessão.
Orações subordinadas substantivas exercem função de substantivo dentro do período. Em geral, podem ser substituídas por “isso”.
Exemplo: “É importante que o servidor confira os dados.”
Podemos dizer: “É importante isso.”
Logo,
“que o servidor confira os dados” é oração subordinada
substantiva.
As principais orações subordinadas substantivas são subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas e apositivas.
A subjetiva exerce função de sujeito.
Exemplo: “É necessário que o contribuinte regularize a pendência.”
A oração “que o contribuinte regularize a pendência” funciona como sujeito de “é necessário”.
A objetiva direta exerce função de objeto direto.
Exemplo: “O auditor verificou que havia inconsistências.”
Quem verificou, verificou algo. Verificou “que havia inconsistências”.
A objetiva indireta exerce função de objeto indireto e vem ligada por preposição.
Exemplo: “O servidor necessita de que os dados sejam atualizados.”
Quem necessita, necessita de algo. “De que os dados sejam atualizados” é objeto indireto oracional.
A completiva nominal completa o sentido de um nome, geralmente substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio.
Exemplo: “Há necessidade de que os documentos sejam revisados.”
“De que os documentos sejam revisados” completa o sentido do substantivo “necessidade”.
A predicativa exerce função de predicativo.
Exemplo: “A verdade é que o prazo expirou.”
“Que o prazo expirou” caracteriza ou identifica “a verdade”.
A apositiva exerce função de aposto, explicando ou detalhando um termo anterior.
Exemplo: “O servidor fez uma recomendação: que o processo fosse reavaliado.”
A oração depois dos dois-pontos explica qual foi a recomendação.
Em concursos, as subordinadas substantivas aparecem muito em estruturas com “é necessário que”, “é possível que”, “convém que”, “sabe-se que”, “verificou-se que”, “há necessidade de que”, “a conclusão é que”.
Orações subordinadas adjetivas exercem função de adjetivo. Elas caracterizam, explicam ou restringem um termo anterior, chamado antecedente.
Normalmente são introduzidas por pronomes relativos, como “que”, “quem”, “cujo”, “onde”, “o qual”, “a qual”, “os quais” e “as quais”.
Exemplo: “O relatório que foi entregue ontem será analisado.”
A oração “que foi entregue ontem” caracteriza “o relatório”.
As orações subordinadas adjetivas podem ser restritivas ou explicativas.
A oração adjetiva restritiva limita, especifica ou restringe o sentido do termo anterior. Não vem separada por vírgula.
Exemplo: “Os processos que estavam incompletos foram devolvidos.”
Aqui, não foram todos os processos. Foram apenas os processos que estavam incompletos.
A oração adjetiva explicativa acrescenta uma informação acessória, explicativa ou generalizante. Vem separada por vírgula.
Exemplo: “Os processos, que estavam incompletos, foram devolvidos.”
Aqui, entende-se que todos os processos estavam incompletos e foram devolvidos.
Essa diferença é uma das mais importantes para concurso. A presença ou ausência da vírgula muda o sentido.
Compare:
“Os servidores que participaram do treinamento
receberão certificado.”
Apenas os servidores que participaram
receberão certificado.
“Os servidores, que participaram do treinamento,
receberão certificado.”
Todos os servidores participaram e
todos receberão certificado.
Em concursos fiscais, as adjetivas aparecem muito em textos jurídicos e administrativos, especialmente com termos como “norma que estabelece”, “órgão que fiscaliza”, “contribuinte que descumprir”, “documentos que comprovem”, “prazo que se encerra”.
Também é muito cobrado o pronome “cujo”. Ele indica posse ou relação, concorda com o termo posterior e não admite artigo depois dele.
Exemplo correto: “O processo cujo relatório foi anexado será analisado.”
Não se deve dizer: “cujo o relatório”.
Orações subordinadas adverbiais exercem função de adjunto adverbial. Elas indicam circunstâncias em relação à oração principal.
As principais são causais, consecutivas, concessivas, condicionais, conformativas, comparativas, finais, proporcionais e temporais.
A oração causal indica causa ou motivo.
Exemplo: “O pedido foi indeferido porque estava fora do prazo.”
A causa do indeferimento foi o atraso.
A oração consecutiva indica consequência.
Exemplo: “O relatório estava tão incompleto que foi devolvido.”
A devolução foi consequência da incompletude.
A oração concessiva indica oposição insuficiente para impedir o fato principal.
Exemplo: “Embora houvesse divergência, o parecer foi aprovado.”
Havia divergência, mas isso não impediu a aprovação.
A oração condicional indica condição ou hipótese.
Exemplo: “Se o contribuinte apresentar defesa, o processo será reavaliado.”
A reavaliação depende da apresentação da defesa.
A oração conformativa indica conformidade, acordo ou base.
Exemplo: “O procedimento foi realizado conforme determina a norma.”
A ação ocorreu de acordo com a norma.
A oração comparativa indica comparação.
Exemplo: “O novo sistema é mais eficiente do que era o anterior.”
Há comparação entre sistemas.
A oração final indica finalidade ou objetivo.
Exemplo: “O sistema foi atualizado para que os dados fossem protegidos.”
A finalidade da atualização foi proteger os dados.
A oração proporcional indica proporção ou desenvolvimento simultâneo.
Exemplo: “À medida que os dados eram cruzados, novas inconsistências apareciam.”
Uma situação avançava junto com a outra.
A oração temporal indica tempo.
Exemplo: “Quando o prazo terminar, o sistema bloqueará o envio.”
A oração indica quando ocorrerá o bloqueio.
Em concursos, as adverbiais são muito cobradas por causa dos conectivos. Palavras como “porque”, “embora”, “se”, “caso”, “quando”, “conforme”, “para que”, “à medida que”, “ainda que” e “desde que” precisam ser analisadas pelo sentido.
Orações reduzidas são orações subordinadas que não vêm introduzidas por conjunção ou pronome relativo e apresentam o verbo em uma forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Exemplo com infinitivo: “Ao analisar os documentos, o auditor identificou inconsistências.”
A oração reduzida “ao analisar os documentos” pode ser desenvolvida assim: “Quando analisou os documentos, o auditor identificou inconsistências.”
Nesse caso, há valor temporal.
Exemplo com gerúndio: “Considerando as provas, a autoridade deferiu o pedido.”
A oração “considerando as provas” indica causa, condição ou critério, conforme o contexto.
Exemplo com particípio: “Encerrado o prazo, o sistema bloqueou o envio.”
A oração “encerrado o prazo” equivale a “quando o prazo foi encerrado” ou “depois que o prazo foi encerrado”.
As orações reduzidas podem ter valor substantivo, adjetivo ou adverbial.
Exemplo de reduzida substantiva: “É necessário apresentar os documentos.”
“Apresentar os documentos” funciona como sujeito de “é necessário”.
Exemplo de reduzida adjetiva: “Os documentos anexados ao processo serão avaliados.”
“Anexados ao processo” caracteriza “documentos”.
Exemplo de reduzida adverbial: “Finalizada a análise, o parecer foi emitido.”
“Finalizada a análise” indica tempo.
Em concursos, a banca pode pedir o desenvolvimento de uma oração reduzida sem alteração de sentido. Para isso, é preciso identificar o valor semântico da oração antes de transformá-la.
As relações de sentido entre orações são fundamentais para interpretação, reescrita e pontuação.
Uma oração pode somar uma ideia à outra.
Exemplo: “O setor analisou os documentos e emitiu o parecer.”
Uma oração pode opor-se à outra.
Exemplo: “O relatório era extenso, mas estava incompleto.”
Uma oração pode explicar a anterior.
Exemplo: “Revise os dados, pois há inconsistências.”
Uma oração pode concluir uma ideia.
Exemplo: “O prazo expirou; portanto, o recurso não será aceito.”
Uma oração pode indicar causa.
Exemplo: “O recurso não foi aceito porque o prazo expirou.”
Uma oração pode indicar consequência.
Exemplo: “O prazo expirou, de modo que o recurso não foi aceito.”
Uma oração pode indicar condição.
Exemplo: “Se houver documentação suficiente, o pedido será deferido.”
Uma oração pode indicar concessão.
Exemplo: “Embora houvesse documentação, o pedido foi indeferido.”
Uma oração pode indicar finalidade.
Exemplo: “O sistema foi criado para que o atendimento fosse mais eficiente.”
Uma oração pode indicar tempo.
Exemplo: “Quando o sistema foi implantado, o atendimento melhorou.”
Uma oração pode indicar conformidade.
Exemplo: “O procedimento ocorreu conforme determina a legislação.”
Em concursos fiscais, a banca costuma trocar conectivos para verificar se o sentido foi preservado. O candidato deve sempre perguntar: a relação é de causa, consequência, condição, concessão, oposição, conclusão, explicação, finalidade, tempo ou comparação?
Essa pergunta resolve grande parte das questões de período composto.
A pontuação no período composto depende da relação entre as orações e da posição dos termos.
Na coordenação, usa-se vírgula para separar orações coordenadas, especialmente quando têm sujeitos diferentes ou quando há conectivos adversativos, conclusivos ou explicativos.
Exemplo: “O contribuinte apresentou defesa, e a autoridade reavaliou o lançamento.”
A vírgula antes do “e” pode ocorrer quando há sujeitos diferentes ou quando se quer marcar melhor a separação das orações.
Com conjunções adversativas, a vírgula é comum.
Exemplo: “O relatório foi entregue, mas estava incompleto.”
Com conclusivas, a pontuação costuma isolar o conectivo quando ele aparece deslocado ou intercalado.
Exemplo: “O prazo expirou; portanto, o recurso não será conhecido.”
Na subordinação, a pontuação depende do tipo de oração.
Orações subordinadas substantivas geralmente não são separadas por vírgula da oração principal quando exercem função essencial.
Exemplo: “É necessário que o contribuinte apresente os documentos.”
Não se separa sujeito do predicado por vírgula. Como a oração “que o contribuinte apresente os documentos” funciona como sujeito, a vírgula não deve separá-la da estrutura principal.
Orações subordinadas adjetivas restritivas não vêm entre vírgulas.
Exemplo: “Os documentos que estavam incompletos foram devolvidos.”
Orações subordinadas adjetivas explicativas vêm entre vírgulas.
Exemplo: “Os documentos, que estavam incompletos, foram devolvidos.”
Orações subordinadas adverbiais deslocadas, especialmente no início do período, costumam ser separadas por vírgula.
Exemplo: “Quando o prazo terminou, o sistema bloqueou o envio.”
Quando a adverbial vem depois da oração principal, a vírgula pode depender do tamanho, da ênfase e da necessidade de clareza.
Exemplo sem vírgula: “O sistema bloqueou o envio quando o prazo terminou.”
Exemplo com vírgula por ênfase ou clareza: “O pedido foi deferido, embora houvesse divergência.”
Orações reduzidas deslocadas também costumam ser separadas por vírgula.
Exemplo: “Encerrado o prazo, o recurso não foi recebido.”
Em concursos, a pontuação no período composto é muito cobrada porque a vírgula pode mudar a classificação e o sentido da oração, especialmente nas adjetivas restritivas e explicativas.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, sintaxe do período composto é assunto de alta relevância. Ela aparece em questões de conectivos, pontuação, reescrita, relações lógico-semânticas, pronomes relativos, orações reduzidas e interpretação.
A banca pode pedir a classificação de uma oração coordenada ou subordinada, o valor semântico de uma conjunção, a diferença entre oração adjetiva restritiva e explicativa, o desenvolvimento de uma oração reduzida, a substituição de conectivos sem alteração de sentido ou a justificativa do uso de vírgulas.
A Cebraspe costuma cobrar relações de sentido, reescrita, pontuação e valor das orações subordinadas. A FGV gosta de explorar conectivos, orações adverbiais, sentido contextual, vírgula em adjetivas e reescrita com mudança sutil de sentido. A FCC costuma cobrar classificação, coesão, pontuação e equivalência sintática. A Vunesp trabalha bastante coordenação, subordinação, valor dos conectivos e pontuação.
Para concursos fiscais, merecem atenção especial estruturas como “embora”, “ainda que”, “caso”, “desde que”, “conforme”, “para que”, “à medida que”, “portanto”, “pois”, “contudo”, “que”, “cujo” e “onde”.
Textos legais e administrativos usam muito período composto porque precisam indicar condições, exceções, prazos, competências, finalidades e consequências. Por isso, dominar esse conteúdo ajuda não só em Português, mas também na leitura de Direito Constitucional, Direito Administrativo e Direito Tributário.
Período composto é aquele formado por duas ou mais orações.
Na coordenação, as orações são independentes entre si. Podem ser assindéticas, quando não têm conjunção, ou sindéticas, quando são introduzidas por conjunção. As coordenadas sindéticas podem ser aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas.
Na subordinação, uma oração depende da outra e exerce função sintática em relação à oração principal. As subordinadas podem ser substantivas, adjetivas ou adverbiais.
As subordinadas substantivas exercem função de substantivo e podem ser substituídas por “isso”. As adjetivas caracterizam termo anterior e podem ser restritivas ou explicativas. As adverbiais indicam circunstâncias como causa, consequência, condição, concessão, finalidade, tempo, comparação, conformidade e proporção.
Orações reduzidas aparecem com verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio e precisam ser interpretadas pelo sentido que exercem no período.
A pontuação no período composto depende da relação entre as orações. Adjetiva restritiva não vem entre vírgulas. Adjetiva explicativa vem entre vírgulas. Adverbial deslocada geralmente vem separada por vírgula. Substantiva essencial normalmente não é separada por vírgula.
Para prova, a regra principal é identificar os verbos, separar as orações, verificar se há independência ou dependência sintática, observar o conectivo e interpretar a relação de sentido. Quem domina período composto entende melhor os textos longos, interpreta normas com mais precisão e erra menos questões de pontuação e reescrita.
Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que organiza o texto escrito, marca pausas, separa termos, indica relações sintáticas e ajuda a construir o sentido. Em concursos fiscais, pontuação é assunto de altíssima importância porque aparece junto com sintaxe, interpretação, reescrita, coesão, coerência, orações subordinadas, adjuntos deslocados, aposto, vocativo e enumerações.
A pontuação não deve ser estudada apenas como “pausa da fala”. Em prova, o critério principal é sintático e semântico. A vírgula, por exemplo, não aparece simplesmente porque há uma pausa. Ela aparece porque há uma função gramatical ou uma intenção de sentido.
Em provas da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, a banca costuma perguntar se a retirada, inclusão ou deslocamento de uma vírgula altera o sentido, corrige o texto ou causa erro gramatical.
A regra principal é: pontuação depende da estrutura da frase e da relação entre os termos.
A vírgula é o sinal de pontuação mais cobrado em concursos. Ela serve para separar termos, isolar expressões, marcar deslocamentos, separar orações e evitar ambiguidades.
A vírgula é usada para separar elementos de uma enumeração.
Exemplo: “O relatório apresentou dados fiscais, contábeis, administrativos e operacionais.”
Também é usada para isolar vocativo.
Exemplo: “Senhor contribuinte, apresente os documentos no prazo.”
Nesse caso, “Senhor contribuinte” é chamamento. Por isso, deve ser separado por vírgula.
A vírgula também isola aposto explicativo.
Exemplo: “A Receita Federal, órgão da administração tributária federal, intensificou a fiscalização.”
A expressão “órgão da administração tributária federal” explica “Receita Federal”.
Outro uso importante é o isolamento de adjuntos adverbiais deslocados.
Exemplo: “Após a análise dos documentos, o processo foi encaminhado.”
A expressão “após a análise dos documentos” indica tempo e aparece antes da estrutura principal.
A vírgula também separa orações coordenadas, especialmente quando têm sujeitos diferentes ou quando há conectivos como “mas”, “porém”, “contudo”, “portanto” e “pois”.
Exemplo: “O recurso foi apresentado no prazo, mas não continha todos os documentos.”
Em regra, não se usa vírgula para separar sujeito e verbo.
Exemplo correto: “O contribuinte apresentou defesa.”
Exemplo incorreto: “O contribuinte, apresentou defesa.”
Também não se separa verbo de complemento direto sem motivo sintático.
Exemplo correto: “O auditor analisou o processo.”
Exemplo incorreto: “O auditor analisou, o processo.”
Esse ponto cai muito em concurso. A banca costuma inserir uma vírgula entre sujeito e predicado ou entre verbo e complemento para testar se o candidato percebe a quebra sintática.
O ponto e vírgula marca uma pausa intermediária: mais forte que a vírgula e mais fraca que o ponto final.
Ele é usado para separar partes maiores de um período, especialmente quando já existem vírgulas internas.
Exemplo: “O setor de fiscalização analisou os documentos, as notas fiscais e os relatórios; o setor jurídico avaliou os recursos, as defesas e os pareceres.”
Nesse caso, o ponto e vírgula ajuda a separar blocos maiores de informação.
Também é usado em enumerações longas, especialmente em textos legais, administrativos e normativos.
Exemplo: “Compete ao setor: analisar os documentos apresentados; verificar a regularidade das informações; emitir parecer técnico; encaminhar o processo à autoridade competente.”
Em textos jurídicos e administrativos, o ponto e vírgula aparece muito em artigos, incisos, alíneas, relatórios e listas formais.
Ele também pode separar orações coordenadas com certa independência semântica.
Exemplo: “O prazo terminou; o recurso, portanto, não será conhecido.”
Em concursos fiscais, a banca pode perguntar se o ponto e vírgula poderia ser substituído por ponto final ou vírgula. A resposta depende do grau de ligação entre as ideias. Se as partes são muito próximas, o ponto e vírgula pode ser adequado. Se são independentes, o ponto final pode ser possível. Se há muitas vírgulas internas, o ponto e vírgula ajuda na clareza.
Os dois-pontos são usados para anunciar uma explicação, enumeração, citação, esclarecimento, consequência ou conclusão.
Exemplo com explicação: “O problema era evidente: faltavam documentos essenciais ao processo.”
A segunda parte explica qual era o problema.
Exemplo com enumeração: “Foram anexados três documentos: relatório, parecer e certidão.”
Exemplo com citação: “O auditor afirmou: ‘O prazo deve ser observado’.”
Exemplo com conclusão ou síntese: “A documentação estava incompleta: o pedido foi indeferido.”
Em textos oficiais e administrativos, os dois-pontos aparecem bastante antes de listas, fundamentos, conclusões, recomendações e transcrições.
A banca pode cobrar o valor dos dois-pontos no texto. Eles podem introduzir uma explicação, uma enumeração ou uma consequência. O sentido depende do contexto.
É importante lembrar que os dois-pontos criam expectativa. Eles anunciam que algo será desenvolvido, esclarecido ou apresentado logo em seguida.
O travessão pode ser usado para indicar fala em diálogos, destacar explicações, marcar intercalações ou substituir vírgulas e parênteses em certos contextos.
Exemplo com intercalação: “A fiscalização — segundo o relatório técnico — identificou inconsistências nos dados.”
A expressão entre travessões é uma informação intercalada.
Exemplo com explicação: “O resultado foi inevitável — o processo foi arquivado.”
Exemplo em diálogo:
“O contribuinte
perguntou:
— Qual é o prazo para recurso?”
Em concursos, o travessão é frequentemente cobrado como recurso de destaque. Ele pode dar mais ênfase à informação intercalada do que vírgulas ou parênteses.
Compare: “O relatório, segundo a auditoria,
estava incompleto.”
“O relatório — segundo a auditoria —
estava incompleto.”
As duas construções podem estar corretas, mas o travessão destaca mais a intercalação.
Em textos administrativos, o travessão deve ser usado com moderação, pois a linguagem oficial tende a preferir clareza, sobriedade e padronização.
Os parênteses são usados para inserir explicações, observações, referências, comentários acessórios, siglas, datas ou informações secundárias.
Exemplo: “A Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal, conhecida pela sigla SEFAZ-DF, publicou nova orientação.”
Também se pode escrever: “A Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEFAZ-DF) publicou nova orientação.”
Os parênteses indicam que a informação é acessória, explicativa ou complementar. Se o trecho entre parênteses for retirado, a estrutura principal deve continuar compreensível.
Exemplo: “O relatório foi elaborado em 2024 (ano de implantação do novo sistema).”
Em concursos, a banca pode perguntar se a informação entre parênteses é essencial ou acessória. Em regra, ela é acessória, explicativa ou complementar.
Em textos técnicos e jurídicos, os parênteses aparecem em siglas, remissões, datas, artigos de lei e esclarecimentos.
Exemplo: “Nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento constitui o crédito tributário.”
As aspas são usadas para indicar citação direta, destacar palavras, marcar ironia, sinalizar estrangeirismos, gírias, expressões incomuns ou uso especial de um termo.
Exemplo com citação direta: “O relatório afirma que ‘os dados apresentados são insuficientes’.”
Exemplo com destaque de termo: “A expressão ‘competência tributária’ tem sentido técnico no Direito Tributário.”
Exemplo com ironia: “O atendimento foi tão ‘eficiente’ que o contribuinte esperou horas.”
Nesse último caso, as aspas indicam que a palavra está sendo usada com sentido crítico ou irônico.
Em concursos, as aspas são cobradas principalmente pelo efeito de sentido. Elas podem indicar reprodução literal, distanciamento do autor, crítica, ironia ou uso não convencional da palavra.
Em textos jurídicos e administrativos, aspas são muito usadas para citações, transcrições e destaque de expressões técnicas. Mas o uso excessivo deve ser evitado em redação oficial.
A pontuação pode alterar profundamente o sentido de uma frase. Por isso, em concurso, não basta perguntar se a pontuação “parece boa”. É preciso verificar se ela muda a relação entre as ideias.
Compare:
“Os servidores que participaram do curso receberão certificado.”
Sem vírgulas, a oração “que participaram do curso” restringe o sentido. Apenas os servidores que participaram receberão certificado.
Agora veja:
“Os servidores, que participaram do curso, receberão certificado.”
Com vírgulas, a oração vira explicativa. O sentido passa a ser que todos os servidores participaram do curso e todos receberão certificado.
Outro exemplo:
“Não, espere.”
Aqui, a pessoa está mandando esperar.
“Não espere.”
Aqui, a pessoa está mandando não esperar.
A pontuação também pode indicar enumeração, explicação, contraste, conclusão, ressalva, ironia, intercalação e ênfase.
Em concursos fiscais, a banca costuma perguntar se a retirada de vírgulas preserva o sentido. Muitas vezes, a resposta é não, especialmente quando a vírgula diferencia explicação de restrição ou separa elementos deslocados.
Esse é um dos pontos mais cobrados em provas.
As orações subordinadas adjetivas restritivas restringem, limitam ou especificam o termo anterior. Elas não vêm separadas por vírgula.
Exemplo: “Os contribuintes que apresentaram recurso serão notificados.”
Aqui, apenas os contribuintes que apresentaram recurso serão notificados. A oração restringe o grupo.
As orações subordinadas adjetivas explicativas acrescentam uma informação acessória, explicativa ou geral sobre o termo anterior. Elas vêm separadas por vírgulas.
Exemplo: “Os contribuintes, que apresentaram recurso, serão notificados.”
Aqui, entende-se que todos os contribuintes apresentaram recurso e serão notificados.
A diferença de sentido é muito importante. A oração restritiva seleciona uma parte do grupo. A explicativa comenta algo sobre o grupo inteiro.
Outro exemplo:
“As normas que foram revogadas perderam efeito.”
Apenas as normas revogadas perderam efeito.
“As normas, que foram revogadas, perderam efeito.”
Todas as normas mencionadas foram revogadas e perderam efeito.
Em concursos fiscais, isso aparece muito em textos legais. A vírgula pode mudar o alcance da norma. Uma restrição pode limitar quem será atingido por uma obrigação, enquanto uma explicação apenas acrescenta informação.
Adjunto adverbial é o termo que indica circunstância, como tempo, lugar, modo, causa, finalidade, condição, concessão, meio ou instrumento.
Quando o adjunto adverbial aparece na ordem direta, no fim da frase, muitas vezes não exige vírgula.
Exemplo: “O processo foi encaminhado após a análise dos documentos.”
Quando o adjunto adverbial é deslocado para o início da frase, especialmente se for longo, costuma ser separado por vírgula.
Exemplo: “Após a análise dos documentos, o processo foi encaminhado.”
Quando aparece intercalado no meio da frase, deve ser isolado por vírgulas.
Exemplo: “O processo, após a análise dos documentos, foi encaminhado.”
Adjuntos adverbiais curtos no início da frase podem aparecer com vírgula facultativa, dependendo da clareza, da ênfase e do estilo.
Exemplo: “Hoje o sistema será
atualizado.”
“Hoje, o sistema será atualizado.”
As duas formas podem ser aceitáveis, mas a vírgula dá leve destaque ao adjunto.
Em concursos, o mais importante é observar adjuntos longos e deslocados. A banca costuma considerar correta a vírgula nesses casos porque ela ajuda a organizar a leitura.
Exemplo típico de prova: “Com base nos documentos apresentados, a autoridade decidiu pelo deferimento do pedido.”
A expressão inicial é adjunto adverbial deslocado e vem separada por vírgula.
A pontuação em enumerações serve para separar elementos coordenados.
Exemplo: “O processo contém requerimento, relatório, parecer, certidão e despacho.”
Quando os elementos da enumeração são longos ou já têm vírgulas internas, pode-se usar ponto e vírgula.
Exemplo: “Foram analisados o relatório fiscal, elaborado pela equipe técnica; o parecer jurídico, emitido pela assessoria; e a certidão negativa, apresentada pelo contribuinte.”
As intercalações são termos inseridos no meio da frase. Podem ser marcadas por vírgulas, travessões ou parênteses.
Exemplo com vírgulas: “O relatório, segundo a equipe técnica, apresenta inconsistências.”
Exemplo com travessões: “O relatório — segundo a equipe técnica — apresenta inconsistências.”
Exemplo com parênteses: “O relatório (segundo a equipe técnica) apresenta inconsistências.”
A escolha depende do grau de destaque. As vírgulas são mais neutras. Os travessões dão mais ênfase. Os parênteses deixam a informação com aparência mais acessória.
A elipse ocorre quando um termo é omitido porque pode ser recuperado pelo contexto. A vírgula pode marcar essa omissão.
Exemplo: “O auditor analisou o processo; o analista, o relatório.”
Na segunda parte, o verbo “analisou” foi omitido. A vírgula depois de “analista” marca essa elipse.
Outro exemplo: “Alguns processos foram deferidos; outros, indeferidos.”
A vírgula marca a omissão de “foram”.
Em concursos, a pontuação em elipses é bastante cobrada porque exige perceber o termo omitido. A frase continua correta porque o leitor consegue recuperar a informação pelo contexto.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, pontuação costuma ser cobrada com alto nível de detalhe. A banca pode pedir a justificativa do uso da vírgula, a identificação de uma pontuação incorreta, a possibilidade de substituição por outro sinal ou a mudança de sentido causada pela retirada de vírgulas.
A Cebraspe costuma explorar vírgula entre termos da oração, pontuação em orações subordinadas, deslocamentos, intercalações e preservação do sentido. A FGV cobra muito a relação entre pontuação e sentido, especialmente em orações adjetivas, apostos, conectivos e adjuntos deslocados. A FCC trabalha bastante pontuação ligada à sintaxe, paralelismo e reescrita. A Vunesp costuma cobrar vírgula, aposto, vocativo, enumeração e orações subordinadas.
Para concursos fiscais, os pontos mais importantes são: não separar sujeito e verbo; não separar verbo e complemento sem justificativa; isolar vocativo; isolar aposto explicativo; usar vírgula em adjunto adverbial longo deslocado; distinguir oração adjetiva restritiva de explicativa; compreender enumerações; e perceber quando a pontuação altera o alcance da informação.
Pontuação organiza a estrutura do texto e ajuda a construir sentido. A vírgula separa enumerações, isola vocativos, apostos explicativos, intercalações, adjuntos deslocados e certas orações. Mas não deve separar sujeito de verbo nem verbo de complemento.
O ponto e vírgula separa blocos maiores de informação, especialmente em enumerações complexas ou períodos com vírgulas internas. Os dois-pontos anunciam explicação, enumeração, citação, esclarecimento ou conclusão. O travessão destaca falas, explicações e intercalações. Os parênteses inserem informações acessórias. As aspas indicam citação, destaque, ironia ou uso especial de palavras.
A pontuação pode mudar o sentido. A diferença entre oração adjetiva restritiva e explicativa é essencial: sem vírgula, restringe; com vírgula, explica. Adjuntos adverbiais deslocados, especialmente longos, costumam ser separados por vírgula. Enumerações pedem separação clara entre os elementos. Intercalações devem ser isoladas. Elipses podem ser marcadas por vírgula.
Para prova, a regra principal é analisar a função sintática antes de decidir a pontuação. Em concursos fiscais, pontuação não é apenas pausa. É estrutura, lógica, clareza e precisão.
Concordância é o mecanismo pelo qual as palavras se ajustam umas às outras dentro da frase. Em Língua Portuguesa, há dois grandes tipos: concordância verbal e concordância nominal.
A concordância verbal ocorre quando o verbo se ajusta ao sujeito em número e pessoa. A concordância nominal ocorre quando artigos, adjetivos, pronomes, numerais e particípios se ajustam ao substantivo em gênero e número.
Em concursos fiscais, concordância é assunto muito cobrado porque aparece em frases longas, textos administrativos, textos jurídicos, períodos com sujeito deslocado, porcentagens, expressões partitivas, pronomes relativos, voz passiva sintética e casos especiais. Muitas questões da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais usam estruturas semelhantes às encontradas em leis, relatórios, pareceres e comunicações oficiais.
A regra principal é: antes de concordar, identifique corretamente o núcleo do sujeito ou o nome a que o termo se refere.
Concordância verbal é a relação entre o verbo e o sujeito. Em regra, o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
Exemplo: “O auditor analisou o processo.”
O sujeito é “o auditor”, terceira pessoa do singular. Por isso, o verbo fica no singular: “analisou”.
Exemplo no plural: “Os auditores analisaram os processos.”
O sujeito é “os auditores”, terceira pessoa do plural. Por isso, o verbo fica no plural: “analisaram”.
Em concursos, o erro mais comum é o candidato fazer o verbo concordar com o termo mais próximo, e não com o sujeito real.
Exemplo: “A análise dos documentos revelou inconsistências.”
O sujeito é “a análise”, e não “os documentos”. Por isso, o verbo fica no singular: “revelou”.
Outro exemplo: “Foram identificadas irregularidades no cadastro.”
O sujeito é “irregularidades”, embora apareça depois do verbo. Por isso, o verbo fica no plural: “foram identificadas”.
Em textos fiscais, é comum o sujeito aparecer depois do verbo, especialmente em construções passivas e impessoais. Por isso, a primeira tarefa é localizar o verbo e perguntar: quem ou o que pratica, sofre ou está relacionado à ação?
Concordância nominal é a relação entre o substantivo e os termos que se referem a ele, como artigo, adjetivo, pronome, numeral e particípio.
Em regra, esses termos concordam com o substantivo em gênero e número.
Exemplo: “A norma tributária foi alterada.”
“A”, “tributária” e “alterada” concordam com “norma”, que está no feminino singular.
Exemplo no plural: “As normas tributárias foram alteradas.”
“As”, “tributárias” e “alteradas” concordam com “normas”, feminino plural.
Em concursos, concordância nominal aparece muito em expressões como “anexo”, “incluso”, “obrigado”, “mesmo”, “próprio”, “quite”, “necessário”, “proibido”, “permitido”, “bom”, “meio” e “bastante”.
“Anexo” e “incluso”, quando funcionam como adjetivos, concordam com o substantivo.
Exemplo: “Segue anexo o relatório.”
“Seguem
anexas as certidões.”
“Os documentos estão inclusos no
processo.”
A expressão “em anexo”, porém, é invariável.
Exemplo: “Seguem em anexo as certidões.”
“Obrigado” concorda com quem agradece.
Exemplo: um homem diz “obrigado”; uma mulher diz “obrigada”.
“Mesmo” e “próprio”, quando reforçam um nome, concordam com ele.
Exemplo: “A própria autoridade revisou a
decisão.”
“Os próprios servidores conferiram os dados.”
Com sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo do sujeito.
Exemplo: “O relatório das auditorias apresentou inconsistências.”
O sujeito é “o relatório das auditorias”. O núcleo é “relatório”. Por isso, o verbo fica no singular: “apresentou”.
Com sujeito composto antes do verbo, a regra geral é o verbo ir para o plural.
Exemplo: “O auditor e o analista elaboraram o parecer.”
O sujeito composto é “o auditor e o analista”. Por isso, o verbo vai para o plural: “elaboraram”.
Com sujeito composto depois do verbo, o verbo pode concordar com todos os núcleos ou, em alguns casos, concordar com o núcleo mais próximo.
Exemplo: “Foram anexados o relatório e a certidão.”
Aqui, o verbo concorda com os dois núcleos.
Também se admite, em certas construções, a concordância por proximidade:
“Foi anexado o relatório e a certidão.”
Essa construção pode aparecer, mas em concursos fiscais, especialmente em linguagem formal, a concordância no plural costuma ser a opção mais segura quando há sujeito composto.
Quando os núcleos do sujeito são ligados por “ou”, a concordância depende do sentido.
Se houver exclusão, o verbo pode ficar no singular.
Exemplo: “O diretor ou o coordenador assinará o documento.”
A ideia é que apenas um deles assinará.
Se houver ideia de soma ou inclusão, o verbo vai para o plural.
Exemplo: “O desconhecimento da norma ou a omissão de dados não afastam a responsabilidade.”
Aqui, as duas possibilidades podem produzir o mesmo efeito jurídico. A concordância no plural é adequada.
Quando os núcleos são sinônimos ou quase sinônimos, o verbo pode ficar no singular, porque há ideia de unidade.
Exemplo: “A clareza e a objetividade é essencial em texto oficial.”
Apesar dessa possibilidade, em prova, a forma plural também pode ser aceita dependendo da construção: “A clareza e a objetividade são essenciais.”
Expressões partitivas indicam parte de um conjunto. Exemplos: “a maioria de”, “a maior parte de”, “grande parte de”, “parte de”, “metade de”, “um grupo de”, “um conjunto de”, “uma parcela de”.
Com essas expressões, o verbo pode concordar com o núcleo da expressão partitiva ou com o termo especificador no plural, dependendo do enfoque.
Exemplo: “A maioria dos contribuintes apresentou a declaração.”
Aqui, o verbo concorda com “maioria”, singular.
Exemplo: “A maioria dos contribuintes apresentaram a declaração.”
Aqui, o verbo concorda com “contribuintes”, plural.
As duas formas podem ser admitidas em muitos casos. A concordância no singular enfatiza o conjunto. A concordância no plural enfatiza os elementos que compõem o conjunto.
Em concursos, porém, é preciso observar o padrão da banca e o contexto. Em linguagem formal, quando a expressão partitiva está no singular, muitas vezes a concordância no singular é considerada mais segura.
Exemplo: “Grande parte dos documentos foi analisada.”
Mas, se o sentido destacar os elementos individualmente, o plural pode aparecer:
“Grande parte dos documentos foram analisados.”
Em textos fiscais e administrativos, expressões partitivas são comuns em relatórios e estatísticas. A banca pode explorar justamente essa dupla possibilidade de concordância.
A concordância com porcentagens depende da presença ou ausência de termo especificador.
Quando a porcentagem vem sem especificador, o verbo concorda com o número da porcentagem.
Exemplo: “1% foi aprovado.”
“30% foram
aprovados.”
Quando há termo especificador, o verbo pode concordar com a porcentagem ou com o especificador, mas o uso mais comum é concordar com o termo que vem depois da porcentagem.
Exemplo: “30% dos contribuintes apresentaram declaração.”
O verbo fica no plural porque “contribuintes” está no plural.
Exemplo: “1% dos contribuintes apresentou declaração.”
Aqui, “1%” puxa o singular.
Se o especificador estiver no singular, o verbo tende a ficar no singular.
Exemplo: “40% da arrecadação veio desse setor.”
“Arrecadação” está no singular, por isso “veio”.
Se o especificador estiver no plural, o verbo tende a ficar no plural.
Exemplo: “40% das receitas vieram desse setor.”
“Receitas” está no plural, por isso “vieram”.
Com porcentagens antecedidas por artigo ou determinante, a concordância tende a seguir esse determinante.
Exemplo: “Os 30% restantes foram analisados.”
“O
1% restante foi analisado.”
Em concursos fiscais, porcentagem é muito relevante porque aparece em textos sobre arrecadação, orçamento, economia, fiscalização, relatórios e estatísticas. A banca pode cobrar se o verbo deve ficar no singular ou no plural conforme o núcleo da expressão.
Os pronomes relativos retomam um termo anterior e introduzem uma oração subordinada. Os mais importantes para concordância são “que” e “quem”.
Com o pronome relativo “que”, o verbo concorda com o termo antecedente.
Exemplo: “Fui eu que analisei o processo.”
O pronome “que” retoma “eu”. Por isso, o verbo fica na primeira pessoa: “analisei”.
Exemplo: “Foram os auditores que identificaram as inconsistências.”
“Que” retoma “os auditores”. Por isso, o verbo fica no plural: “identificaram”.
Com o pronome relativo “quem”, há duas possibilidades. O verbo pode ficar na terceira pessoa do singular ou concordar com o antecedente, dependendo da construção e da ênfase.
Exemplo: “Fui eu quem analisou o processo.”
Aqui, o verbo fica na terceira pessoa do singular, concordando com “quem”.
Também se admite: “Fui eu quem analisei o processo.”
Aqui, o verbo concorda com “eu”.
Em concursos, a forma com o verbo na terceira pessoa do singular após “quem” costuma ser muito segura: “fui eu quem fez”, “foram eles quem decidiu”, embora a concordância com o antecedente também possa aparecer em determinados contextos.
Com expressões como “um dos que”, a concordância costuma ir para o plural, porque o relativo “que” retoma o grupo.
Exemplo: “Ele foi um dos servidores que participaram da auditoria.”
A ideia é: dos servidores que participaram, ele foi um.
Mas, se a intenção for destacar apenas um indivíduo entre outros, pode haver singular em construções específicas. Em prova, a forma mais esperada é o plural com “um dos que”.
Com nomes próprios no singular, o verbo fica no singular.
Exemplo: “A Receita Federal publicou nova orientação.”
Com nomes próprios no plural, a concordância depende da presença de artigo.
Se o nome próprio plural vier com artigo plural, o verbo vai para o plural.
Exemplo: “Os Estados Unidos anunciaram novas medidas.”
Se o nome próprio plural vier sem artigo, o verbo tende a ficar no singular.
Exemplo: “Minas Gerais possui forte tradição histórica.”
Em nomes de obras, jornais, instituições ou títulos no plural, a concordância pode depender do artigo e do sentido.
Exemplo: “Os Lusíadas são uma obra clássica da literatura portuguesa.”
Com expressões coletivas, o verbo geralmente concorda com o núcleo coletivo no singular.
Exemplo: “A equipe elaborou o relatório.”
“Equipe” é singular, mesmo representando várias pessoas.
Outros exemplos: “O grupo decidiu pela revisão.” “A comissão apresentou parecer.” “A turma participou do treinamento.”
Quando o coletivo vem especificado por termo no plural, pode haver oscilação em alguns casos, mas a concordância com o núcleo coletivo é geralmente mais segura em linguagem formal.
Exemplo: “A comissão de auditores apresentou o parecer.”
O sujeito é “a comissão”. O verbo fica no singular: “apresentou”.
Em concursos fiscais, nomes de órgãos, entidades e coletivos aparecem com frequência. A banca pode testar se o candidato faz o verbo concordar com “servidores” ou com “comissão”, com “documentos” ou com “conjunto”, com “auditores” ou com “equipe”.
Alguns casos especiais de concordância aparecem muito em concursos.
O verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal e fica sempre no singular.
Exemplo: “Há muitos processos pendentes.”
Mesmo que “muitos processos” esteja no plural, o verbo fica no singular, porque não há sujeito. “Muitos processos” é objeto direto.
Mas o verbo “existir” é pessoal e concorda com o sujeito.
Exemplo: “Existem muitos processos pendentes.”
Aqui, “muitos processos pendentes” é sujeito. Por isso, o verbo vai para o plural.
O verbo “fazer”, indicando tempo decorrido ou fenômeno natural, também é impessoal e fica no singular.
Exemplo: “Faz cinco anos que a norma foi publicada.”
Não se diz “fazem cinco anos” nesse sentido temporal.
Na voz passiva sintética com “se”, o verbo concorda com o sujeito paciente.
Exemplo: “Publicou-se a norma.”
“Publicaram-se
as normas.”
Em “publicaram-se as normas”, “as normas” é sujeito paciente. A ideia é “as normas foram publicadas”.
Mas, quando o verbo exige preposição, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, e o verbo fica no singular.
Exemplo: “Precisa-se de servidores.”
“Trata-se
de processos administrativos.”
“Necessita-se de documentos
complementares.”
Nesses casos, o termo preposicionado não é sujeito.
Com a expressão “mais de um”, o verbo normalmente fica no singular.
Exemplo: “Mais de um contribuinte apresentou recurso.”
Mas, se houver reciprocidade ou repetição da expressão, o verbo pode ir ao plural.
Exemplo: “Mais de um servidor se
cumprimentaram.”
“Mais de um auditor, mais de um analista
participaram da reunião.”
Com “cerca de”, “perto de”, “mais de”, “menos de”, a concordância costuma seguir o numeral ou substantivo que aparece depois.
Exemplo: “Cerca de vinte processos foram
analisados.”
“Menos de dois servidores compareceram.”
“Mais
de uma empresa apresentou recurso.”
Com “um e outro”, o substantivo costuma ficar no singular, e o verbo pode aparecer no singular ou plural, embora o plural seja comum quando se enfatizam os dois elementos.
Exemplo: “Um e outro servidor apresentou
recurso.”
“Um e outro servidor apresentaram recurso.”
Com “nem um nem outro”, o verbo geralmente fica no singular.
Exemplo: “Nem um nem outro documento foi aceito.”
Com “é proibido”, “é necessário”, “é permitido”, “é bom”, a concordância depende da presença de determinante.
Sem determinante, a expressão fica no masculino singular.
Exemplo: “É proibido entrada.”
“É
necessário documentação.”
Com determinante, há concordância com o substantivo.
Exemplo: “É proibida a entrada.”
“É
necessária a documentação.”
Com “meio” e “bastante”, é preciso distinguir classe gramatical.
“Meio”, como advérbio, significa “um pouco” e é invariável.
Exemplo: “A servidora estava meio preocupada.”
“Meio”, como numeral, varia.
Exemplo: “Foi anexada meia folha ao processo.”
“Bastante”, como advérbio, é invariável.
Exemplo: “Os documentos são bastante importantes.”
“Bastante”, como pronome indefinido, varia.
Exemplo: “Foram apresentadas bastantes provas.”
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, concordância costuma aparecer em frases longas e com ordem indireta. A banca tenta afastar o sujeito do verbo para induzir erro.
A Cebraspe cobra muito concordância com sujeito posposto, verbo “haver”, partícula “se”, pronomes relativos e manutenção do sentido em reescrita. A FGV costuma explorar casos especiais, porcentagens, expressões partitivas e concordância nominal contextual. A FCC trabalha bastante concordância com sujeito composto, aposto, coletivos, partitivos e estruturas formais. A Vunesp cobra regras clássicas, como sujeito simples, sujeito composto, “haver”, “existir”, “anexo”, “meio”, “bastante” e passiva sintética.
Para a área fiscal, atenção especial a estruturas como: “há indícios”, “existem indícios”, “verificaram-se irregularidades”, “precisa-se de documentos”, “a maioria dos contribuintes apresentou”, “30% das receitas vieram”, “o conjunto de documentos foi analisado”, “as certidões seguem anexas” e “é necessária a apresentação da defesa”.
Concordância verbal é o ajuste do verbo ao sujeito. Concordância nominal é o ajuste dos nomes e seus determinantes em gênero e número.
Com sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo. Com sujeito composto anteposto, o verbo geralmente vai ao plural. Com sujeito composto posposto, pode haver concordância com todos os núcleos ou por proximidade, mas em linguagem formal o plural costuma ser mais seguro.
Expressões partitivas, como “a maioria de” e “grande parte de”, podem admitir concordância com o núcleo singular ou com o termo plural especificador. Porcentagens concordam com o número percentual ou com o especificador, especialmente quando este aparece expresso.
Com o relativo “que”, o verbo concorda com o antecedente. Com “quem”, pode ficar na terceira pessoa do singular ou concordar com o antecedente. Em “um dos que”, a concordância mais comum é no plural.
Nomes próprios no plural com artigo plural levam o verbo ao plural. Sem artigo, geralmente levam o verbo ao singular. Coletivos costumam levar o verbo ao singular.
Nos casos especiais, lembre-se: “haver” com sentido de existir fica no singular; “existir” concorda com o sujeito; “fazer” indicando tempo fica no singular; na passiva sintética o verbo concorda com o sujeito paciente; com índice de indeterminação do sujeito o verbo fica no singular; “é proibido” varia se houver determinante; “meio” e “bastante” só variam quando têm valor nominal.
Para prova, o caminho é sempre o mesmo: localize o verbo, identifique o sujeito real, encontre o núcleo e observe se há expressão especial. Na concordância nominal, descubra a que substantivo o termo se refere. Essa análise evita cair em armadilhas comuns de frases longas, textos oficiais e linguagem jurídica.
Regência é o estudo da relação de dependência entre palavras. Em português, alguns verbos e nomes exigem complemento, e muitas vezes esse complemento vem introduzido por preposição. Crase é o fenômeno que ocorre, em regra, quando há fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou “as”.
Em concursos fiscais, regência e crase são assuntos muito cobrados porque aparecem em textos administrativos, jurídicos, normativos e oficiais. A banca costuma testar se o candidato sabe qual preposição determinado verbo ou nome exige e se há ou não condições para o uso do acento grave.
A regra principal é: para resolver crase, primeiro é preciso entender regência. Se não houver preposição “a”, não haverá crase.
Regência verbal estuda a relação entre o verbo e seus complementos. Alguns verbos não exigem complemento. Outros exigem complemento sem preposição. Outros exigem complemento com preposição.
Verbo transitivo direto é aquele que exige complemento sem preposição obrigatória.
Exemplo: “O auditor analisou o processo.”
Quem analisa, analisa algo. “O processo” é objeto direto.
Verbo transitivo indireto exige complemento com preposição.
Exemplo: “O contribuinte recorreu da decisão.”
Quem recorre, recorre de algo. “Da decisão” é objeto indireto.
Verbo transitivo direto e indireto exige dois complementos: um sem preposição e outro com preposição.
Exemplo: “O servidor encaminhou o processo à autoridade competente.”
Quem encaminha, encaminha algo a alguém. “O processo” é objeto direto. “À autoridade competente” é objeto indireto.
Em concursos, é muito importante observar que alguns verbos mudam de regência conforme o sentido.
O verbo “assistir”, no sentido de ver ou presenciar, exige preposição “a”.
Exemplo: “O servidor assistiu à reunião.”
No sentido de prestar assistência, pode ser transitivo direto.
Exemplo: “O setor assistiu os contribuintes.”
O verbo “visar”, no sentido de ter por objetivo, exige preposição “a” na norma formal.
Exemplo: “A medida visa à melhoria do atendimento.”
No sentido de assinar ou pôr visto, é transitivo direto.
Exemplo: “O servidor visou o documento.”
O verbo “aspirar”, no sentido de desejar, exige preposição “a”.
Exemplo: “O candidato aspira ao cargo público.”
No sentido de respirar ou inalar, é transitivo direto.
Exemplo: “O trabalhador aspirou o ar contaminado.”
O verbo “implicar”, no sentido de acarretar ou gerar consequência, é tradicionalmente transitivo direto.
Exemplo: “A omissão implicou penalidade.”
O verbo “preferir” exige a construção “preferir uma coisa a outra”, sem usar “do que”.
Exemplo: “O servidor preferiu a conciliação ao litígio.”
O verbo “obedecer” exige preposição “a”.
Exemplo: “O contribuinte deve obedecer à norma.”
Em provas fiscais, verbos como “assistir”, “visar”, “aspirar”, “implicar”, “preferir”, “obedecer”, “proceder”, “responder”, “recorrer”, “informar”, “comunicar” e “certificar” merecem atenção especial.
Regência nominal estuda a relação entre nomes e seus complementos. Esses nomes podem ser substantivos, adjetivos ou advérbios que exigem preposição.
Exemplo: “Houve necessidade de revisão.”
O substantivo “necessidade” exige complemento introduzido por “de”.
Exemplo: “O parecer foi favorável ao contribuinte.”
O adjetivo “favorável” exige preposição “a”.
Exemplo: “A decisão foi contrária à legislação.”
O adjetivo “contrária” exige preposição “a”, e “legislação” admite artigo feminino. Por isso, ocorre crase.
Em concursos, a regência nominal é muito cobrada porque aparece em expressões formais de textos administrativos e jurídicos.
Alguns exemplos importantes:
“acessível a”: “informação acessível ao público.”
“adequado a”: “procedimento adequado à norma.”
“alheio a”: “fato alheio à vontade do servidor.”
“apto a”: “servidor apto ao exercício da função.”
“compatível com”: “medida compatível com a legislação.”
“contrário a”: “ato contrário à Constituição.”
“favorável a”: “decisão favorável ao contribuinte.”
“necessário a”: “documento necessário à análise.”
“passível de”: “conduta passível de penalidade.”
“referente a”: “informações referentes ao processo.”
“relativo a”: “dados relativos à arrecadação.”
“responsável por”: “setor responsável pelo atendimento.”
“suscetível de” ou “suscetível a”: “suscetível de revisão” ou “suscetível a falhas.”
A crase pode aparecer na regência nominal quando o nome exige a preposição “a” e o termo seguinte admite artigo feminino.
Preposição é a palavra que liga termos e estabelece relações de sentido. Em regência, a preposição não é escolhida livremente. Ela depende da exigência do verbo ou do nome.
Exemplo: “necessidade de controle.”
Não se diz, na norma-padrão, “necessidade em controle”. O nome “necessidade” normalmente exige “de”.
Exemplo: “favorável à medida.”
Não se diz “favorável com a medida”, porque o adjetivo “favorável” exige preposição “a”.
As preposições também alteram o sentido.
“Falar de tributos” significa tratar do assunto tributos.
“Falar com o contribuinte” significa conversar com ele.
“Falar por alguém” significa representar essa pessoa.
“Responder ao processo” pode significar estar sujeito a um processo.
“Responder pelo setor” pode significar ser responsável pelo setor.
Em concursos fiscais, a banca explora muito o emprego correto de preposições em frases formais. Muitas vezes, a alternativa parece natural na fala cotidiana, mas está inadequada na norma-padrão.
Atenção especial a expressões como “em relação a”, “no que se refere a”, “quanto a”, “de acordo com”, “compatível com”, “independentemente de”, “em conformidade com” e “com base em”.
Crase obrigatória ocorre quando há a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou “as”.
A fórmula básica é: termo anterior exige preposição “a”, e termo posterior admite artigo feminino “a”.
Exemplo: “O servidor encaminhou o processo à autoridade competente.”
Quem encaminha, encaminha algo a alguém. O verbo exige preposição “a”. A palavra “autoridade” admite artigo feminino: “a autoridade”. Portanto, ocorre crase: “à autoridade”.
Outro exemplo: “A decisão foi contrária à norma.”
“Contrária” exige preposição “a”. “Norma” admite artigo feminino. Logo, há crase.
A crase também é obrigatória em muitas locuções femininas.
Exemplos: “à medida que”, “às vezes”, “à noite”, “à tarde”, “à disposição”, “à vista”, “à direita”, “à esquerda”, “à moda de”, “à custa de”.
Também ocorre crase antes de palavras femininas determinadas.
Exemplo: “O contribuinte compareceu à audiência.”
Quem comparece, comparece a algum lugar ou evento. “Audiência” admite artigo feminino. Logo: “à audiência”.
Em concursos, um teste prático ajuda: troque a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer “ao”, provavelmente haverá crase no feminino.
Exemplo: “compareceu à reunião.”
Troca:
“compareceu ao encontro.”
Como apareceu “ao”, usa-se
“à”.
A crase é proibida quando não há a soma de preposição “a” com artigo feminino “a”.
Não ocorre crase antes de palavra masculina.
Exemplo: “O pagamento foi feito a prazo.”
“Prazo” é masculino. Não há crase.
Mas atenção: pode haver crase antes de palavra masculina quando estiver subentendida a expressão “à moda de”.
Exemplo: “Escreveu à Machado de Assis.”
O sentido é “à moda de Machado de Assis”. Esse é um caso especial.
Não ocorre crase antes de verbo.
Exemplo: “O contribuinte começou a apresentar os documentos.”
Verbo não admite artigo feminino.
Não ocorre crase antes de pronomes pessoais, em regra.
Exemplo: “Entreguei o documento a ela.”
Não ocorre crase antes de pronomes indefinidos que não admitem artigo.
Exemplo: “O relatório foi enviado a qualquer servidor.”
Não ocorre crase antes de pronomes demonstrativos “esta”, “essa” e “ela”, salvo construções específicas com “aquele”, “aquela” e “aquilo”, que podem receber crase.
Exemplo: “Refiro-me a esta norma.”
Exemplo
com crase: “Refiro-me àquela norma.”
Não ocorre crase quando o “a” estiver no singular antes de palavra no plural.
Exemplo: “O documento foi entregue a autoridades competentes.”
Se fosse crase, haveria artigo plural “as”: “às autoridades”. Como está apenas “a”, não há crase.
Não ocorre crase em expressões com palavras repetidas.
Exemplo: “frente a frente”, “cara a cara”, “dia a dia”, “gota a gota”.
Não ocorre crase depois da maioria das preposições.
Exemplo: “O processo está perante a
autoridade.”
“Compareceu ante a comissão.”
Em concursos, os casos mais cobrados de crase proibida são: antes de verbo, antes de masculino, antes de pronomes que não admitem artigo, em “a” singular diante de plural, e entre palavras repetidas.
Crase facultativa ocorre quando o uso do artigo feminino também é facultativo. Se o artigo puder aparecer ou não, a crase também poderá aparecer ou não.
A crase é facultativa antes de nomes próprios femininos.
Exemplo: “Entreguei o relatório a
Ana.”
“Entreguei o relatório à Ana.”
As duas formas podem ser aceitas, dependendo do uso do artigo antes do nome.
A crase também é facultativa antes de pronomes possessivos femininos no singular.
Exemplo: “Encaminhei o documento a sua
assessoria.”
“Encaminhei o documento à sua assessoria.”
As duas formas são possíveis.
Também é facultativa depois da preposição “até”.
Exemplo: “O servidor foi até a repartição.”
“O
servidor foi até à repartição.”
Em concursos, a crase facultativa costuma ser explorada para verificar se o candidato sabe distinguir erro de possibilidade. Nem toda variação é erro.
Mas atenção: em textos oficiais, muitas vezes se prefere uma redação mais clara e padronizada. O importante é saber quando a crase é obrigatória, proibida ou facultativa.
A crase aparece com frequência em locuções femininas. Isso ocorre em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas formadas por palavra feminina.
Exemplos de locuções adverbiais: “à noite”, “à tarde”, “às vezes”, “às pressas”, “à direita”, “à esquerda”, “à disposição”, “à vista”, “à distância”, “à vontade”.
Exemplo: “O sistema será atualizado à noite.”
Exemplos de locuções prepositivas: “à custa de”, “à frente de”, “à procura de”, “à espera de”, “à beira de”.
Exemplo: “O setor ficou à espera da documentação.”
Exemplos de locuções conjuntivas: “à medida que” e “à proporção que”.
Exemplo: “À medida que os dados foram analisados, novas inconsistências surgiram.”
Em locuções femininas de modo, a crase muitas vezes evita ambiguidade.
Exemplo: “O relatório foi elaborado à mão.”
Sem crase, a leitura poderia ficar estranha ou ambígua. A locução “à mão” indica modo.
Outro exemplo: “pagamento à vista.”
Em concursos fiscais, locuções com crase aparecem muito em textos administrativos: “à disposição”, “à vista”, “à luz de”, “à medida que”, “às fls.”, “às vezes”, “à época”, “à data”, “à autoridade competente”.
Atenção: nem toda locução com palavra feminina terá crase se não houver estrutura que a justifique, mas muitas locuções femininas consagradas exigem o acento grave.
A crase diante de nomes geográficos depende de o nome admitir ou não artigo feminino.
A regra prática é usar o teste da volta: se, ao voltar, usamos “da”, há crase na ida; se usamos “de”, não há crase.
Exemplo: “Vou à Bahia.”
Volto da
Bahia.
Como há “da”, usa-se crase: “à Bahia”.
Exemplo: “Vou a Brasília.”
Volto de
Brasília.
Como há apenas “de”, não se usa crase: “a
Brasília”.
Exemplo: “Vou à Argentina.”
Volto da
Argentina.
Logo, há crase.
Exemplo: “Vou a Portugal.”
Volto de
Portugal.
Logo, não há crase.
Mas, se o nome geográfico vier determinado por uma expressão, pode haver crase mesmo que normalmente não houvesse.
Exemplo: “Vou à Brasília dos grandes monumentos.”
Aqui, “Brasília” está determinada pela expressão “dos grandes monumentos”. Por isso, admite artigo e pode ocorrer crase.
Em concursos fiscais, esse ponto aparece bastante porque textos administrativos citam estados, municípios, países, órgãos e localidades.
Atenção também a expressões como “dirigir-se à Secretaria de Fazenda”, “comparecer à Receita Federal”, “encaminhar à unidade administrativa”. Nesses casos, não se trata apenas de nome geográfico, mas de instituição ou local determinado que admite artigo feminino.
Alguns verbos mudam de sentido quando muda a regência. Esse é um ponto muito cobrado em concursos.
“Assistir a” significa ver ou presenciar.
Exemplo: “O servidor assistiu à sessão.”
“Assistir” sem preposição, em outro sentido, pode significar prestar auxílio.
Exemplo: “O órgão assistiu os contribuintes.”
“Aspirar a” significa desejar.
Exemplo: “O candidato aspira ao cargo de auditor.”
“Aspirar” sem preposição significa respirar ou inalar.
Exemplo: “Aspirou o ar da sala.”
“Visar a” significa ter por objetivo.
Exemplo: “A medida visa à redução de fraudes.”
“Visar” sem preposição significa mirar, pôr visto ou assinar.
Exemplo: “O servidor visou o documento.”
“Proceder a” significa realizar ou dar início.
Exemplo: “A equipe procedeu à análise dos documentos.”
“Proceder de” significa originar-se.
Exemplo: “A informação procede de fonte oficial.”
“Responder a” pode significar dar resposta a algo ou alguém.
Exemplo: “O setor respondeu ao contribuinte.”
“Responder por” pode indicar responsabilidade.
Exemplo: “O gestor responde pelo setor.”
“Implicar”, no sentido de acarretar, normalmente é transitivo direto.
Exemplo: “A omissão implica penalidade.”
“Implicar com” significa ter implicância.
Exemplo: “O servidor implicou com a mudança.”
Em provas fiscais, a alteração de regência pode alterar completamente o sentido jurídico, administrativo ou argumentativo da frase. Por isso, a banca cobra se uma substituição mantém o sentido e a correção gramatical.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, regência e crase aparecem com alta frequência. A banca pode perguntar se determinada preposição está correta, se o acento grave é obrigatório, proibido ou facultativo, ou se a troca de regência altera o sentido do verbo.
A Cebraspe costuma cobrar regência em reescrita, crase com pronomes, locuções e estruturas formais. A FGV explora bastante alteração de sentido, crase em contextos sutis e preposições exigidas por nomes e verbos. A FCC trabalha crase obrigatória, proibida e facultativa, além de regência nominal e verbal. A Vunesp costuma cobrar regras clássicas, como crase antes de verbo, masculino, nomes geográficos, locuções femininas e verbos de regência especial.
Para concursos fiscais, atenção especial a frases como: “visar à melhoria”, “assistir à sessão”, “proceder à análise”, “obedecer à norma”, “recorrer da decisão”, “responder ao contribuinte”, “responder pelo setor”, “favorável à medida”, “contrário à lei”, “relativo à arrecadação”, “necessário à fiscalização” e “à medida que”.
Regência verbal estuda a relação entre verbos e complementos. Regência nominal estuda a relação entre nomes e complementos. Em ambos os casos, a preposição é essencial.
A crase ocorre, em regra, quando há fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou “as”. Para haver crase, o termo anterior deve exigir preposição “a”, e o termo posterior deve admitir artigo feminino.
A crase é obrigatória em construções como “encaminhou à autoridade”, “contrário à norma” e em muitas locuções femininas, como “à noite”, “às vezes”, “à medida que” e “à disposição”.
A crase é proibida antes de verbo, antes de palavra masculina, antes de pronomes que não admitem artigo, entre palavras repetidas e quando o “a” singular aparece antes de palavra plural.
A crase é facultativa antes de nome próprio feminino, antes de pronome possessivo feminino singular e depois de “até”.
Diante de nomes geográficos, use o teste: se volto “da”, vou “à”; se volto “de”, vou “a”.
Regência pode alterar sentido. “Assistir à sessão” é presenciar. “Assistir o contribuinte” é ajudar. “Visar à melhoria” é ter objetivo. “Visar o documento” é pôr visto. “Aspirar ao cargo” é desejar. “Aspirar o ar” é respirar.
Para prova, o caminho seguro é identificar o termo regente, verificar a preposição exigida, analisar se o termo seguinte admite artigo feminino e só então decidir se há crase. Regência e crase são lógica gramatical, não chute visual.
Colocação pronominal é o estudo da posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. Esses pronomes são: “me”, “te”, “se”, “o”, “a”, “os”, “as”, “lhe”, “lhes”, “nos” e “vos”.
Em concursos fiscais, esse assunto aparece com frequência em questões de norma culta, reescrita, correção gramatical, textos formais, comunicações oficiais e análise sintática. A banca costuma perguntar se o pronome está corretamente colocado antes, no meio ou depois do verbo.
Existem três posições principais: próclise, mesóclise e ênclise.
Próclise é o pronome antes do verbo: “não se aplica”.
Mesóclise é o pronome no meio do verbo: “aplicar-se-á”.
Ênclise é o pronome depois do verbo: “aplica-se”.
A regra principal é: na norma culta escrita, a posição do pronome depende da presença de palavras atrativas, do tempo verbal, do início da oração e do grau de formalidade do texto.
Próclise ocorre quando o pronome oblíquo átono vem antes do verbo.
Exemplo: “Não se admitirá recurso fora do prazo.”
O pronome “se” aparece antes do verbo “admitirá” porque a palavra negativa “não” atrai o pronome.
A próclise é obrigatória ou preferencial quando há palavra atrativa antes do verbo. As principais palavras atrativas são negativas, pronomes relativos, pronomes indefinidos, pronomes interrogativos, advérbios, conjunções subordinativas e palavras exclamativas ou optativas.
Exemplo com palavra negativa: “O contribuinte não se manifestou.”
Exemplo com pronome relativo: “O processo que se encontra pendente será analisado.”
Exemplo com pronome indefinido: “Alguém se responsabilizou pelo erro.”
Exemplo com advérbio: “Aqui se registram as informações fiscais.”
Exemplo com conjunção subordinativa: “Embora se reconheça a falha, o prazo deve ser observado.”
Em concursos, a próclise é muito cobrada porque a banca coloca o pronome depois do verbo mesmo havendo palavra atrativa. Na norma culta, isso costuma ser inadequado.
Exemplo inadequado: “Não admitirá-se recurso fora do prazo.”
Forma adequada: “Não se admitirá recurso fora do prazo.”
Mesóclise ocorre quando o pronome é colocado no meio do verbo. Ela aparece com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito, desde que não haja palavra atrativa antes do verbo.
Exemplo com futuro do presente: “Aplicar-se-á a penalidade prevista.”
Exemplo com futuro do pretérito: “Aplicar-se-ia a penalidade, se houvesse previsão legal.”
A mesóclise é típica da linguagem formal e aparece muito em textos jurídicos, administrativos e normativos. Em provas fiscais, pode surgir em frases com estrutura formal semelhante à de leis, editais, portarias e regulamentos.
Mas atenção: se houver palavra atrativa antes do verbo, a próclise prevalece, e a mesóclise não deve ser usada.
Exemplo sem palavra atrativa: “Encaminhar-se-á o processo à autoridade competente.”
Exemplo com palavra atrativa: “Não se encaminhará o processo à autoridade competente.”
Não se deve dizer: “Não encaminhar-se-á o processo.”
A mesóclise é gramaticalmente correta, mas pouco usada na fala cotidiana. Em concursos, ela deve ser reconhecida como forma formal da norma culta, especialmente quando não existe fator de próclise.
Ênclise ocorre quando o pronome vem depois do verbo.
Exemplo: “Encaminhou-se o processo à autoridade competente.”
Na norma culta, a ênclise é comum quando o verbo inicia a oração e não há palavra atrativa antes dele.
Exemplo: “Apresentaram-se os documentos exigidos.”
Exemplo: “Verificou-se a inconsistência dos dados.”
Em textos formais, a ênclise é muito usada com verbos no início de frase, principalmente em estruturas de voz passiva sintética ou de indeterminação do sujeito.
Exemplo: “Publicou-se a norma no Diário Oficial.”
Exemplo: “Trata-se de matéria administrativa.”
Um ponto importante: não se inicia frase, na norma culta escrita formal, com pronome oblíquo átono.
Forma inadequada em texto formal: “Me encaminhe o relatório.”
Forma adequada: “Encaminhe-me o relatório.”
Na fala brasileira, é comum começar frases com “me”, “te” ou “se”. Porém, em concursos e redação oficial, deve-se seguir a norma culta escrita.
A ênclise também aparece no imperativo afirmativo.
Exemplo: “Encaminhe-se o processo.”
Exemplo: “Apresente-se à autoridade competente.”
Locução verbal é a combinação de dois ou mais verbos funcionando como uma única unidade verbal.
Exemplos: “deve apresentar”, “pode encaminhar”, “vai analisar”, “está verificando”, “foi publicado”.
Na colocação pronominal em locuções verbais, o pronome pode aparecer em posições diferentes, dependendo da presença ou ausência de palavra atrativa e do tipo de locução.
Sem palavra atrativa, são comuns construções como:
“O servidor deve-se manifestar.”
“O servidor deve manifestar-se.”
No português brasileiro formal atual, a forma “deve manifestar-se” costuma soar mais natural em muitos contextos escritos formais.
Com palavra atrativa, a próclise antes da locução é adequada.
Exemplo: “O servidor não se deve manifestar fora do prazo.”
Também é comum: “O servidor não deve manifestar-se fora do prazo.”
Em provas, é preciso observar o padrão da banca. Em geral, se há palavra atrativa antes da locução, a próclise antes do verbo auxiliar é considerada correta e segura.
Exemplo: “O processo não se pode encerrar sem decisão.”
Também pode aparecer: “O processo não pode encerrar-se sem decisão.”
Com tempos compostos, o pronome normalmente não se liga ao particípio.
Forma adequada: “O servidor havia-se manifestado.”
Forma mais comum no Brasil formal: “O servidor se havia manifestado.”
Forma inadequada: “O servidor havia manifestado-se.”
O pronome não deve ficar enclítico ao particípio.
Em locuções com gerúndio ou infinitivo, a colocação pode variar, mas a presença de palavra atrativa favorece a próclise.
Exemplo: “O contribuinte não se deve opor à fiscalização.”
Exemplo: “O contribuinte não deve opor-se à fiscalização.”
As duas estruturas podem aparecer, mas em concurso é essencial verificar se há fator de atração e se o pronome foi colocado em posição admitida pela norma culta.
Fatores de atração são palavras ou expressões que atraem o pronome para antes do verbo, provocando próclise.
As palavras negativas atraem o pronome.
Exemplos: “não se aplica”, “nunca se admitiu”, “jamais se verificou”, “ninguém se manifestou”.
Pronomes relativos atraem o pronome.
Exemplos: “que se aplica”, “o qual se refere”, “onde se encontra”, “cujo conteúdo se examina”.
Pronomes indefinidos atraem o pronome.
Exemplos: “alguém se apresentou”, “tudo se resolveu”, “nada se comprovou”, “todos se manifestaram”.
Pronomes interrogativos atraem o pronome.
Exemplos: “Quem se responsabilizou?” “Por que se adotou essa medida?”
Advérbios atraem o pronome, especialmente quando não há pausa marcada.
Exemplos: “Aqui se registram os dados.” “Sempre se observou a norma.” “Talvez se admita nova análise.”
Conjunções subordinativas atraem o pronome.
Exemplos: “quando se concluir a análise”, “se se comprovar a irregularidade”, “embora se reconheça o erro”, “conforme se verifica nos autos”.
Palavras exclamativas e optativas também atraem o pronome.
Exemplo: “Que se faça justiça!”
Exemplo: “Deus o acompanhe.”
Em concursos fiscais, os fatores mais cobrados são “não”, “que”, “se”, “quando”, “embora”, “caso”, “talvez”, “sempre”, “nunca”, “ninguém”, “tudo”, “nada” e pronomes relativos.
A banca costuma colocar uma forma como “não aplica-se” para testar o candidato. Na norma culta, com palavra negativa antes do verbo, a forma adequada é “não se aplica”.
Na norma culta escrita, especialmente em concursos, redação oficial e textos jurídicos, a colocação pronominal segue critérios mais rígidos do que a fala cotidiana.
Na fala brasileira, é comum dizer: “Me envie o documento”, “Me disseram isso”, “Te encaminhei o arquivo”. Porém, em texto formal, o ideal é evitar iniciar oração com pronome oblíquo átono.
Forma formal: “Envie-me o documento.”
Forma formal com palavra atrativa: “Não me envie o documento incompleto.”
Observe que, com “não”, a próclise é obrigatória: “não me envie”.
Em comunicações oficiais, textos administrativos e textos jurídicos, a colocação pronominal deve respeitar a formalidade, a clareza e a correção gramatical.
Exemplo formal: “Encaminha-se o processo à autoridade competente.”
Exemplo formal: “Não se verificaram irregularidades.”
Exemplo formal: “Apurar-se-ão os fatos.”
Exemplo formal com palavra atrativa: “Os fatos não se apurarão sem documentação suficiente.”
A norma culta também exige atenção às formas “o”, “a”, “os”, “as” quando ligadas ao verbo. Dependendo da terminação verbal, podem ocorrer adaptações.
Exemplo: “analisar + o” vira “analisá-lo”.
Exemplo: “fazer + o” vira “fazê-lo”.
Exemplo: “põe + o” vira “põe-no”.
Exemplo: “encaminhar + os” vira “encaminhá-los”.
Essas formas aparecem em concursos, principalmente em reescrita e correção gramatical.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, colocação pronominal costuma aparecer em questões de reescrita, correção gramatical e norma culta.
A banca pode perguntar se a posição do pronome está correta, se uma frase pode ser reescrita sem erro, se a palavra negativa atrai o pronome, se a mesóclise é adequada ou se a colocação em locução verbal obedece à norma-padrão.
A Cebraspe costuma cobrar próclise com palavras atrativas, colocação em locuções verbais e reescrita. A FGV explora bastante norma culta, sentido, formalidade e estruturas menos usuais. A FCC costuma trabalhar fatores de atração, mesóclise e textos formais. A Vunesp cobra principalmente regras clássicas: não iniciar frase formal com pronome oblíquo átono, usar próclise após palavra negativa e reconhecer ênclise em início de oração.
Para concursos fiscais, atenção especial a estruturas como: “não se aplica”, “verificou-se”, “trata-se”, “considera-se”, “apurar-se-á”, “encaminhar-se-á”, “quando se verificar”, “caso se comprove”, “embora se reconheça” e “os documentos que se anexaram”.
Colocação pronominal é a posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo.
Próclise é o pronome antes do verbo: “não se aplica”. Ocorre principalmente com palavras atrativas, como negativas, pronomes relativos, indefinidos, interrogativos, advérbios e conjunções subordinativas.
Mesóclise é o pronome no meio do verbo: “aplicar-se-á”. Ocorre com futuro do presente e futuro do pretérito, desde que não haja palavra atrativa.
Ênclise é o pronome depois do verbo: “aplica-se”. É comum quando o verbo inicia a oração e não há fator de atração.
Em locuções verbais, o pronome pode aparecer em mais de uma posição, mas deve respeitar a norma culta. Com palavra atrativa, a próclise antes do auxiliar é geralmente a forma mais segura: “não se deve aplicar”. Também pode ocorrer colocação junto ao verbo principal em alguns casos: “não deve aplicar-se”. O pronome não deve ficar preso ao particípio: evite formas como “havia manifestado-se”.
Os principais fatores de atração são “não”, “nunca”, “ninguém”, “que”, “quem”, “onde”, “se”, “quando”, “embora”, “caso”, “talvez”, “sempre”, “tudo” e “nada”.
Para prova, a regra central é identificar se existe palavra atrativa. Se houver, use próclise. Se o verbo estiver no futuro e não houver atração, pode ocorrer mesóclise. Se o verbo iniciar a oração e não houver atração, use ênclise. Em concursos fiscais, colocação pronominal é tema de norma culta, formalidade e precisão textual.
Semântica é a parte da Língua Portuguesa que estuda o sentido das palavras, das expressões, das frases e dos textos. Em concursos fiscais, semântica é um assunto muito importante porque aparece diretamente em questões de interpretação, reescrita, substituição vocabular, coesão, coerência, inferência, ambiguidade e adequação vocabular.
A banca não quer saber apenas se o candidato conhece o significado de uma palavra no dicionário. Ela quer saber se ele entende o sentido que aquela palavra assume dentro do contexto. Em textos jurídicos, administrativos, fiscais e argumentativos, uma palavra pode ter valor técnico, figurado, irônico, restritivo ou amplo.
A regra principal é: em prova, o sentido correto de uma palavra depende do contexto em que ela aparece.
A significação das palavras trata do sentido que os vocábulos apresentam na língua. Esse sentido pode ser básico, técnico, figurado, contextual, amplo, restrito ou especializado.
Uma mesma palavra pode ter sentidos diferentes conforme o uso.
Exemplo: “competência” pode significar capacidade ou habilidade.
Exemplo: “O servidor demonstrou competência técnica.”
Mas, em Direito e Administração Pública, “competência” pode significar atribuição legal.
Exemplo: “Compete à União instituir determinados tributos.”
Em concursos fiscais, esse cuidado é essencial. Palavras como “lançamento”, “crédito”, “base”, “competência”, “exercício”, “fato”, “incidência”, “imunidade”, “isenção” e “responsabilidade” podem ter sentido comum ou sentido técnico.
A banca costuma perguntar qual é o sentido de uma palavra no texto. O candidato deve evitar responder apenas pelo significado mais conhecido. É preciso observar a frase, o parágrafo, o tema e a intenção do autor.
Sinonímia é a relação entre palavras de sentido semelhante. Palavras sinônimas podem se aproximar no significado, mas raramente são perfeitamente idênticas em todos os contextos.
Exemplos: “claro” e “evidente”; “necessário” e “indispensável”; “alterar” e “modificar”; “relevante” e “importante”.
Em concursos, a banca costuma pedir substituições sem alteração de sentido. O cuidado é que o sinônimo precisa funcionar naquele contexto específico.
Exemplo: “A medida foi relevante para a fiscalização.”
Nesse caso, “relevante” pode ser substituído por “importante”, sem grande prejuízo de sentido.
Mas nem todo sinônimo aparente serve em qualquer frase. “Competente”, por exemplo, pode significar “capaz” ou “legalmente autorizado”. Em “órgão competente”, o sentido é de atribuição legal, não apenas de capacidade.
Em textos fiscais, “tributo” pode ser termo mais amplo que “imposto”. Logo, nem sempre “imposto” e “tributo” são sinônimos perfeitos. “Tributo” é gênero; “imposto”, “taxa” e “contribuição” são espécies.
A regra de prova é: uma substituição só é correta se preservar o sentido, a classe gramatical, a regência, a formalidade e a coerência do texto.
Antonímia é a relação entre palavras de sentidos opostos ou contrastantes.
Exemplos: “legal” e “ilegal”; “regular” e “irregular”; “deferir” e “indeferir”; “permitido” e “proibido”; “claro” e “obscuro”; “eficiente” e “ineficiente”.
Em concursos, a antonímia pode aparecer em perguntas diretas sobre sentido oposto ou em questões de interpretação. A banca pode pedir a palavra que se opõe ao sentido de outra no contexto.
É importante lembrar que o oposto também depende do contexto.
Exemplo: “grave” pode ter como antônimo “leve”, quando significa sério.
“Infração grave” se opõe a “infração leve”.
Mas, em música, “som grave” se opõe a “som agudo”.
Por isso, não basta decorar pares de antônimos. É preciso observar o uso contextual.
Em textos administrativos e fiscais, aparecem muitos pares relevantes: “lícito/ilícito”, “válido/inválido”, “regular/irregular”, “deferido/indeferido”, “formal/informal”, “legal/ilegal”, “constitucional/inconstitucional”, “exigível/inexigível”.
Hiperonímia e hiponímia tratam das relações entre palavras de sentido mais amplo e mais específico.
Hiperônimo é a palavra de sentido mais amplo.
Hipônimo é a palavra de sentido mais específico.
Exemplo: “tributo” é hiperônimo de “imposto”, “taxa” e “contribuição”.
“Imposto”, “taxa” e “contribuição” são hipônimos de “tributo”.
Outro exemplo: “documento” é hiperônimo de “ofício”, “relatório”, “parecer”, “certidão” e “requerimento”.
“Ofício”, “relatório”, “parecer”, “certidão” e “requerimento” são hipônimos de “documento”.
Essa relação é muito importante para coesão textual. Um texto pode usar um termo mais geral para retomar outro mais específico.
Exemplo: “O ICMS foi mencionado no relatório. Esse tributo representa importante fonte de arrecadação.”
A expressão “esse tributo” retoma “ICMS” por hiperonímia, porque ICMS é uma espécie de tributo.
Em concursos fiscais, esse assunto é especialmente relevante porque a área trabalha com classificações, categorias e espécies: tributo, imposto, taxa, contribuição, órgão, entidade, agente público, servidor, documento, ato administrativo, processo, sanção, penalidade.
A banca pode cobrar se uma substituição por termo mais amplo ou mais específico preserva o sentido do texto.
Polissemia ocorre quando uma mesma palavra possui vários sentidos relacionados entre si.
Exemplo: “banco” pode significar instituição financeira, assento ou margem de rio, dependendo do contexto.
Exemplo: “crédito” pode significar valor disponível, confiança, registro contábil ou crédito tributário.
Em concursos fiscais, a polissemia é muito importante porque muitas palavras têm sentido comum e sentido técnico.
Exemplo: “lançamento” pode significar o ato de lançar algo, uma divulgação comercial, um registro contábil ou, no Direito Tributário, o procedimento administrativo que constitui o crédito tributário.
Exemplo: “exercício” pode significar prática, atividade, ano financeiro ou exercício de cargo.
A banca pode perguntar o sentido de uma palavra no texto ou propor substituições. O candidato deve identificar qual acepção está ativa naquele contexto.
Polissemia não é erro. É uma característica natural da língua. O problema ocorre quando o leitor escolhe o sentido errado para o contexto.
Ambiguidade ocorre quando uma palavra, expressão ou frase permite mais de uma interpretação.
Ela pode ser inadequada, quando prejudica a clareza, ou intencional, quando produz humor, ironia, crítica, duplo sentido ou efeito expressivo.
Exemplo de ambiguidade inadequada: “O auditor informou ao servidor que seu relatório estava incompleto.”
A palavra “seu” pode se referir ao auditor ou ao servidor. Isso gera dúvida.
Em textos administrativos, jurídicos e fiscais, a ambiguidade deve ser evitada, porque esses textos exigem precisão.
Exemplo mais claro: “O auditor informou ao servidor que o relatório deste estava incompleto.”
Ou: “O auditor informou ao servidor que o próprio relatório estava incompleto.”
A ambiguidade também pode surgir por má colocação de termos.
Exemplo: “Foram analisados os processos dos contribuintes com inconsistências.”
Quem tem inconsistências: os processos ou os contribuintes?
Em charges, propagandas, crônicas e textos humorísticos, a ambiguidade pode ser usada de propósito para gerar humor ou crítica.
Em concursos, a banca pode perguntar qual termo gera ambiguidade, como eliminar a duplicidade de sentido ou qual efeito expressivo foi produzido.
Denotação é o sentido literal, objetivo e mais direto da palavra.
Exemplo: “O contribuinte apresentou os documentos.”
Aqui, “documentos” está em sentido denotativo: papéis, arquivos ou registros formais.
Conotação é o sentido figurado, subjetivo ou expressivo da palavra. Ela depende mais do contexto, da intenção e do efeito produzido.
Exemplo: “A corrupção é uma ferida na administração pública.”
A palavra “ferida” não está no sentido literal. Ela indica um problema grave, doloroso, prejudicial.
Em textos técnicos, jurídicos e administrativos, predomina a denotação, porque a finalidade é informar com clareza e precisão.
Em textos literários, publicitários, jornalísticos opinativos, charges e crônicas, a conotação aparece com mais frequência, porque esses gêneros exploram efeitos expressivos.
Em concursos fiscais, a banca pode perguntar se uma expressão está em sentido literal ou figurado. Também pode cobrar metáforas, ironias, críticas e efeitos de sentido.
Atenção: linguagem conotativa não significa linguagem errada. Ela apenas não é literal. O candidato precisa perceber se o texto quer informar objetivamente ou produzir efeito expressivo.
Campo semântico é o conjunto de palavras relacionadas a uma mesma área de sentido.
Exemplo: no campo semântico da administração pública, podem aparecer palavras como “servidor”, “órgão”, “competência”, “processo”, “ato”, “parecer”, “ofício”, “relatório”, “despacho” e “norma”.
No campo semântico da tributação, aparecem palavras como “imposto”, “taxa”, “contribuição”, “arrecadação”, “fiscalização”, “sonegação”, “isenção”, “imunidade”, “lançamento”, “crédito tributário” e “obrigação acessória”.
O campo semântico ajuda o leitor a entender o tema do texto, a identificar relações entre palavras e a perceber a progressão temática.
Em concursos, a banca pode cobrar vocabulário contextual, coesão por associação de ideias e substituição lexical.
Exemplo: em um texto sobre fiscalização digital, palavras como “dados”, “sistema”, “cruzamento”, “malha fiscal”, “inconsistência”, “declaração” e “controle” pertencem ao mesmo campo semântico.
Reconhecer o campo semântico ajuda a evitar interpretações fora do tema. Se o texto está tratando de processo administrativo, por exemplo, a palavra “recurso” provavelmente significa meio de impugnação ou pedido de reavaliação, não “dinheiro” ou “meio disponível”.
Valor contextual é o sentido que uma palavra ou expressão assume em determinado texto. Esse é um dos pontos mais cobrados em provas.
Uma palavra pode ter vários significados possíveis, mas apenas um deles será adequado ao contexto.
Exemplo: “A autoridade competente decidiu o recurso.”
Nesse caso, “competente” não significa apenas “habilidosa”. Significa “legalmente autorizada” ou “com atribuição para decidir”.
Exemplo: “O processo foi instruído com documentos.”
Aqui, “instruído” não significa “educado”. Significa “formado”, “organizado” ou “acompanhado dos elementos necessários”.
Exemplo: “A norma alcança determinadas operações.”
“Alcança” não significa tocar fisicamente. Significa “abrange”, “atinge juridicamente”, “aplica-se a”.
Em concursos fiscais, o valor contextual é essencial porque textos de prova usam palavras comuns com sentido técnico.
A banca pode perguntar o significado de uma expressão, pedir substituição por termo equivalente ou verificar se uma reescrita mantém o sentido original.
O candidato deve sempre observar o contexto anterior e posterior. Muitas vezes, a própria frase dá pistas do sentido correto.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, semântica aparece quase sempre ligada à interpretação de texto. A banca pode cobrar sentido de palavras, substituição vocabular, sinônimos, antônimos, ambiguidade, polissemia, denotação, conotação e valor contextual.
A Cebraspe costuma explorar manutenção de sentido, inferência, coesão lexical e substituições. A FGV cobra muito vocabulário contextual, polissemia, ambiguidade, efeitos de sentido e linguagem figurada. A FCC trabalha sinonímia, antonímia, coesão, campo semântico e reescrita. A Vunesp costuma cobrar sentido de palavras no texto, sinônimos contextuais, antônimos e expressões de uso frequente.
Para concursos fiscais, é importante prestar atenção a palavras com sentido técnico, como “competência”, “lançamento”, “crédito”, “fato gerador”, “incidência”, “imunidade”, “isenção”, “recurso”, “processo”, “instrução”, “autoridade”, “sujeito passivo”, “base de cálculo” e “obrigação”.
A banca gosta de usar palavras que o candidato conhece no dia a dia, mas que no texto assumem sentido especializado.
Semântica estuda o sentido das palavras e expressões.
A significação das palavras depende do contexto. Sinonímia é relação de sentido semelhante, mas a substituição só é válida se preservar o sentido no texto. Antonímia é relação de oposição, também dependente do contexto.
Hiperonímia envolve termo mais amplo. Hiponímia envolve termo mais específico. “Tributo” é hiperônimo de “imposto”. “Imposto” é hipônimo de “tributo”.
Polissemia ocorre quando uma palavra tem vários sentidos relacionados. Ambiguidade ocorre quando há mais de uma interpretação possível. Em textos oficiais, a ambiguidade deve ser evitada; em textos humorísticos ou literários, pode ser recurso expressivo.
Denotação é sentido literal. Conotação é sentido figurado. Campo semântico é o conjunto de palavras ligadas à mesma área de sentido. Valor contextual é o significado que a palavra assume dentro do texto.
Para prova, a regra principal é não interpretar palavra isolada. Leia a frase, observe o parágrafo, identifique o tema e veja qual sentido se encaixa no contexto. Em concursos fiscais, semântica é precisão vocabular, interpretação fina e controle contra armadilhas de sentido.
Reescrita de frases e parágrafos é um dos assuntos mais importantes de Língua Portuguesa em concursos fiscais. Esse tema aparece quando a banca apresenta uma frase original e pergunta se determinada reformulação mantém o sentido, preserva a correção gramatical, altera a voz verbal, muda a formalidade, melhora a clareza ou compromete a coerência.
Em provas da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, a reescrita costuma misturar vários conteúdos: semântica, sintaxe, pontuação, concordância, regência, crase, colocação pronominal, conectivos, vozes verbais, discurso direto e indireto, paráfrase e resumo.
A regra principal é: uma reescrita correta precisa manter o sentido essencial do texto original e respeitar a norma-padrão. Se a nova frase estiver gramaticalmente correta, mas mudar o sentido, estará errada. Se mantiver o sentido, mas tiver erro gramatical, também estará errada.
A substituição de palavras e expressões consiste em trocar um termo por outro sem prejudicar o sentido, a correção gramatical e a adequação ao contexto.
Em prova, a banca pode trocar uma palavra por sinônimo, uma expressão por outra equivalente ou um termo específico por um termo mais geral.
Exemplo: “A medida foi relevante para a fiscalização.”
Pode-se reescrever: “A medida foi importante para a fiscalização.”
Nesse caso, “relevante” e “importante” têm sentidos próximos.
Mas nem toda substituição aparente é correta. Em textos fiscais e jurídicos, muitos termos têm sentido técnico.
Exemplo: “O órgão competente decidiu o processo.”
Aqui, “competente” não significa apenas “capaz”. Significa “legalmente autorizado” ou “com atribuição para decidir”. Substituir por “habilidoso” mudaria o sentido.
Outro cuidado importante é a regência. Às vezes, duas palavras são próximas no sentido, mas exigem preposições diferentes.
Exemplo: “favorável à medida” e “compatível com a medida”.
Se a banca substituir “favorável à medida” por “compatível à medida”, haverá erro de regência.
Em concursos fiscais, a substituição vocabular exige atenção ao sentido técnico, à formalidade, à regência e à coerência com o tema.
Reorganização sintática é a mudança da ordem dos termos dentro da frase. A ordem pode ser alterada, desde que o sentido e a correção sejam preservados.
Exemplo original: “Após a análise dos documentos, o auditor emitiu parecer.”
Reescrita possível: “O auditor emitiu parecer após a análise dos documentos.”
O sentido básico foi mantido. Apenas houve deslocamento do adjunto adverbial.
Mas a reorganização pode alterar o sentido quando muda o foco, a referência ou a relação entre os termos.
Exemplo: “O auditor informou ao servidor que seu relatório estava incompleto.”
A frase é ambígua, porque “seu relatório” pode ser do auditor ou do servidor. Uma reescrita adequada precisa eliminar a ambiguidade.
Exemplo mais claro: “O auditor informou ao servidor que o relatório deste estava incompleto.”
Em provas, a reorganização sintática aparece muito em frases longas. A banca desloca orações, adjuntos, apostos, pronomes e conectivos para verificar se o candidato percebe mudanças de sentido ou erros de pontuação.
A ordem direta costuma ser mais clara: sujeito, verbo e complemento.
Exemplo: “A autoridade fiscal analisou o recurso.”
A ordem inversa pode ser correta, mas exige mais cuidado com pontuação e concordância.
Exemplo: “Analisou o recurso a autoridade fiscal.”
Essa construção é possível, mas menos natural. Em textos oficiais e administrativos, prefere-se clareza e ordem direta sempre que possível.
Manutenção de sentido é o ponto central da reescrita. A nova frase deve conservar a informação principal, as relações lógicas, o ponto de vista, o tempo verbal, a intensidade e o alcance da frase original.
Exemplo original: “Embora o recurso tenha sido apresentado no prazo, ele foi indeferido.”
Reescrita correta: “Apesar de o recurso ter sido apresentado no prazo, ele foi indeferido.”
A relação de concessão foi mantida.
Reescrita incorreta: “Porque o recurso foi apresentado no prazo, ele foi indeferido.”
Agora a relação virou causa. O sentido mudou.
A banca costuma trocar conectivos para testar isso. “Embora” indica concessão. “Porque” indica causa. “Portanto” indica conclusão. “Se” indica condição. “Para que” indica finalidade. “Mas” indica oposição.
Outro ponto importante é a intensidade. Palavras como “sempre”, “nunca”, “apenas”, “todos”, “alguns”, “principalmente”, “necessariamente” e “possivelmente” mudam o alcance da afirmação.
Exemplo: “Alguns documentos foram apresentados.”
Não é equivalente a: “Todos os documentos foram apresentados.”
Em concursos fiscais, esse cuidado é decisivo, porque textos normativos e administrativos dependem de precisão. Uma palavra pode ampliar ou restringir direitos, deveres, prazos, competências e responsabilidades.
Uma reescrita precisa estar de acordo com a norma-padrão. Mesmo que o sentido pareça preservado, a alternativa estará errada se houver erro de concordância, regência, crase, pontuação, colocação pronominal, acentuação ou emprego verbal.
Exemplo original: “Há muitos processos pendentes.”
Reescrita incorreta: “Existem muitos processos pendente.”
O verbo “existem” está correto, mas “pendente” deveria concordar com “processos”: “processos pendentes”.
Reescrita correta: “Existem muitos processos pendentes.”
Outro exemplo:
Original: “O servidor obedeceu à norma.”
Reescrita incorreta: “O servidor obedeceu a norma.”
Na norma-padrão, o verbo “obedecer” exige preposição “a”, e “norma” admite artigo feminino. Portanto, ocorre crase: “à norma”.
Também é comum a banca apresentar reescritas com vírgula indevida entre sujeito e verbo.
Exemplo incorreto: “A análise dos documentos, revelou inconsistências.”
O sujeito é “a análise dos documentos”. Não se separa sujeito do verbo.
Forma correta: “A análise dos documentos revelou inconsistências.”
Em prova, uma reescrita só é aceitável quando preserva sentido e correção gramatical ao mesmo tempo.
Alteração de voz verbal é a transformação de uma frase da voz ativa para a passiva, da passiva para a ativa, ou o reconhecimento da voz reflexiva.
Na voz ativa, o sujeito pratica a ação.
Exemplo: “O auditor elaborou o relatório.”
Na voz passiva, o sujeito recebe a ação.
Exemplo: “O relatório foi elaborado pelo auditor.”
A transformação correta exige manter o tempo verbal e o sentido.
Original: “O órgão publicará a norma.”
Passiva correta: “A norma será publicada pelo órgão.”
O futuro foi preservado: “publicará” virou “será publicada”.
Também pode haver passiva sintética com o pronome “se”.
Exemplo: “Publicou-se a norma.”
Equivale a: “A norma foi publicada.”
No plural: “Publicaram-se as normas.”
O verbo concorda com o sujeito paciente “as normas”.
A banca costuma explorar erros como transformar objeto indireto em sujeito da passiva.
Exemplo: “O servidor obedeceu à norma.”
Como “obedecer” é transitivo indireto, essa frase não deve ser transformada, em regra tradicional de prova, em “A norma foi obedecida pelo servidor”.
Em concursos fiscais, a voz passiva é muito comum em textos administrativos e jurídicos, porque destaca o fato, o documento, o processo ou a norma, e não necessariamente quem praticou a ação.
Discurso direto reproduz a fala de alguém de forma direta, geralmente com aspas ou travessão.
Exemplo: O auditor afirmou: “O prazo será reaberto.”
Discurso indireto apresenta a fala por meio da voz de quem relata.
Exemplo: O auditor afirmou que o prazo seria reaberto.
Na transformação do discurso direto para o indireto, é comum haver mudança de tempos verbais, pronomes, advérbios e referências de tempo e lugar.
Exemplo direto: O servidor disse: “Eu analisarei o processo amanhã.”
Exemplo indireto: O servidor disse que analisaria o processo no dia seguinte.
Perceba as mudanças: “eu” virou “ele” ou “o servidor”; “analisarei” virou “analisaria”; “amanhã” virou “no dia seguinte”.
Outro exemplo:
Direto: A autoridade declarou: “Este documento é essencial.”
Indireto: A autoridade declarou que aquele documento era essencial.
Em provas, a banca cobra se a transformação preserva o sentido e a correção. O candidato deve observar a correlação verbal.
Presente pode virar pretérito imperfeito. Futuro do presente pode virar futuro do pretérito. Pretérito perfeito pode virar pretérito mais-que-perfeito composto ou permanecer, conforme o contexto.
Em textos oficiais, o discurso indireto é mais comum porque permite relatar informações de forma objetiva e formal.
Paráfrase é a reescrita de um texto com outras palavras, mantendo o sentido essencial. Ela não é cópia literal, mas também não é comentário livre.
Exemplo original: “A fiscalização digital ampliou a capacidade de controle do Fisco.”
Paráfrase: “O uso de tecnologias digitais aumentou a capacidade do Fisco de realizar controle fiscal.”
O sentido foi mantido, embora a estrutura tenha mudado.
Em concursos, paráfrase aparece quando a banca pergunta qual alternativa reescreve corretamente uma frase ou resume uma ideia sem alterar o sentido.
Uma paráfrase correta deve preservar informações principais, relações lógicas, tempo, sujeito, objeto, intensidade e ponto de vista.
Paráfrase incorreta ocorre quando há extrapolação, redução indevida, troca de causa por consequência, generalização ou mudança de avaliação.
Exemplo original: “A medida pode reduzir inconsistências.”
Paráfrase incorreta: “A medida eliminará todas as inconsistências.”
A primeira frase indica possibilidade e redução. A segunda indica certeza e eliminação total. O sentido mudou.
Em provas fiscais, a paráfrase exige leitura precisa. A banca costuma usar palavras parecidas, mas altera o grau de certeza, a abrangência ou a relação lógica.
Resumo é a apresentação condensada das ideias principais de um texto. Ele deve preservar o conteúdo essencial e eliminar detalhes secundários, exemplos repetitivos, explicações acessórias e informações menos relevantes.
Um bom resumo não distorce, não acrescenta opinião pessoal e não altera o ponto de vista do texto original.
Exemplo de ideia original: “O texto afirma que a fiscalização digital, ao permitir cruzamento de dados em larga escala, aumenta a eficiência do Fisco e reduz a dependência de controles manuais.”
Resumo: “O texto defende que a fiscalização digital torna o controle fiscal mais eficiente.”
O resumo preserva a ideia central.
Em concursos, a banca pode pedir a alternativa que melhor resume o texto ou o parágrafo. A alternativa correta costuma ser abrangente o suficiente para cobrir a ideia principal, mas não tão genérica a ponto de perder o conteúdo.
Erro comum é escolher uma alternativa que traz apenas um exemplo do texto, e não sua ideia central.
Outro erro é escolher uma alternativa que contém uma informação verdadeira, mas secundária.
Em provas fiscais, o resumo é muito importante para textos longos, argumentativos e informativos. O candidato deve identificar tema, tese, ideia central e função das ideias secundárias.
Reescrever em níveis diferentes de formalidade significa adaptar a linguagem ao contexto, ao público e à finalidade.
Em textos oficiais, administrativos, jurídicos e fiscais, a linguagem deve ser formal, clara, impessoal, objetiva e precisa.
Exemplo informal: “A gente viu que faltou documento.”
Reescrita formal: “Verificou-se a ausência de documento.”
Ou: “A equipe constatou a ausência de documento.”
Exemplo informal: “O contribuinte tem que mandar os papéis.”
Reescrita formal: “O contribuinte deve encaminhar a documentação.”
Em concursos, a banca pode cobrar adequação vocabular e norma culta. Uma frase pode ser compreensível na fala, mas inadequada para documento oficial.
Expressões como “a gente”, “pra”, “tá”, “mandar os papéis”, “dar uma olhada”, “fazer um negócio” e “resolver isso aí” devem ser evitadas em linguagem formal.
A reescrita formal não deve ser artificialmente complicada. Texto formal bom não é texto difícil. É texto claro, correto e adequado.
Em redação oficial, a preferência é por clareza, concisão, impessoalidade, padronização e precisão.
Reescrever com clareza significa tornar a frase mais fácil de entender. Reescrever com concisão significa eliminar excessos sem perder informação importante. Reescrever com coerência significa organizar as ideias de forma lógica.
Exemplo prolixo: “Tendo em vista o fato de que houve a não apresentação dos documentos que eram necessários, foi realizada a decisão no sentido de indeferir o pedido.”
Reescrita clara e concisa: “Como os documentos necessários não foram apresentados, o pedido foi indeferido.”
A nova frase preserva o sentido, reduz excesso e melhora a fluidez.
Em textos administrativos e fiscais, a clareza é essencial. Frases muito longas, excesso de nominalizações, repetições desnecessárias e ordem confusa prejudicam a compreensão.
Exemplo confuso: “A análise da apresentação da documentação pelo contribuinte no prazo legal pelo setor responsável foi realizada.”
Reescrita melhor: “O setor responsável analisou a documentação apresentada pelo contribuinte no prazo legal.”
A ordem direta melhora a clareza.
A concisão não significa cortar informação essencial. Significa retirar o que é repetitivo, vago ou desnecessário.
Exemplo: “O processo foi novamente reanalisado outra vez.”
Melhor: “O processo foi reanalisado.”
A coerência exige que as ideias estejam bem conectadas. Conectivos devem ser escolhidos de acordo com a relação lógica.
Exemplo incorreto: “O recurso foi apresentado fora do prazo, portanto será analisado normalmente.”
Há problema de coerência, pois a conclusão não decorre naturalmente da primeira informação.
Forma coerente: “O recurso foi apresentado fora do prazo; portanto, não será conhecido.”
Em concursos, a banca pode perguntar qual reescrita melhora a frase sem alterar o sentido ou qual alternativa é mais clara, concisa e coerente.
Em concursos da SEFAZ, Receita Federal, ISS e fiscos estaduais, reescrita é um dos formatos de cobrança mais frequentes. A banca apresenta uma frase e pergunta se a nova versão mantém a correção e o sentido original.
A Cebraspe costuma cobrar reescrita com manutenção de sentido, correção gramatical, conectivos, pronomes, pontuação e voz verbal. A FGV gosta de alterações sutis de sentido, substituição vocabular, formalidade, paráfrase e valor contextual. A FCC trabalha bastante equivalência sintática, pontuação, concordância, regência e clareza. A Vunesp costuma cobrar paráfrase, resumo, substituição de expressões, discurso direto e indireto e correção gramatical.
Para concursos fiscais, os pontos mais perigosos são: troca de conectivos, alteração de voz verbal, mudança de tempo verbal, substituição de termo técnico por sinônimo inadequado, vírgula que muda o sentido, crase indevida, concordância com sujeito distante, regência alterada e mudança no grau de certeza da frase.
Reescrita de frases e parágrafos exige preservar sentido e correção gramatical.
A substituição de palavras só é válida quando mantém o significado no contexto, a formalidade, a regência e a coerência. A reorganização sintática pode melhorar a frase, mas não pode gerar ambiguidade nem alterar relações lógicas.
A manutenção de sentido exige cuidado com conectivos, tempos verbais, pronomes, intensidade, negação e abrangência. A correção gramatical exige atenção a concordância, regência, crase, pontuação, colocação pronominal e norma-padrão.
Na alteração de voz verbal, o objeto direto da ativa vira sujeito paciente da passiva, e o tempo verbal deve ser preservado. Na transformação de discurso direto para indireto, mudam pronomes, tempos verbais e marcadores de tempo e lugar.
Paráfrase é dizer a mesma ideia com outras palavras. Resumo é condensar as ideias principais. Reescrita em diferentes níveis de formalidade adapta o texto ao contexto. Em linguagem oficial, deve haver clareza, concisão, coerência, impessoalidade e precisão.
Para prova, a regra principal é comparar a frase original com a reescrita ponto por ponto. Pergunte: manteve o sentido? manteve a relação lógica? manteve o tempo verbal? manteve a referência dos pronomes? manteve a correção gramatical? Se qualquer um desses elementos mudar indevidamente, a reescrita está errada.